{"id":21480,"date":"2025-10-04T15:53:00","date_gmt":"2025-10-04T19:53:00","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=21480"},"modified":"2025-10-04T15:53:00","modified_gmt":"2025-10-04T19:53:00","slug":"voce-viu-produtores-abandonam-areas-arrendadas-no-rs-isso-nao-e-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=21480","title":{"rendered":"Voc\u00ea viu? Produtores abandonam \u00e1reas arrendadas no RS: &#8216;Isso n\u00e3o \u00e9 vida&#8217;"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Capacidade-de-processamento-de-oleaginosas-atinge-723-milhoes-de-t.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Os impactos da enchente que atingiu o Rio Grande do Sul entre abril e maio do ano passado ainda permanecem. Considerada a pior trag\u00e9dia da hist\u00f3ria do estado, deixou mais de 180 mortos e, passados mais de 12 meses, os produtores rurais convivem com d\u00edvidas quase imposs\u00edveis de pagar. Essa reportagem, originalmente escrita por <strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/autor\/beatriz-gunther\/\">Beatriz Gunther<\/a><\/strong>, foi uma das mais lidas da semana. Acompanhe:<\/p>\n<p>Para quem vive da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola no estado, as cheias foram apenas o desfecho de uma sucess\u00e3o de eventos clim\u00e1ticos que j\u00e1 vinha comprometendo as lavouras. Na soja, por exemplo, apenas a safra 2020\/21 escapou de perdas significativas. As outras seis registraram quebras, seja pelo excesso de chuvas, seja pela seca prolongada, de acordo com a Emater.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio tem levado muitos agricultores a abandonar a atividade. O reflexo aparece tamb\u00e9m no mercado de arrendamento rural, j\u00e1 que produtores descapitalizados deixam \u00e1reas arrendadas e a procura por contratos desse tipo diminui, sobretudo nas regi\u00f5es mais afetadas por enchentes e estiagens recentes.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-produtores-pedem-socorro\">Produtores pedem socorro<\/h2>\n<p>O produtor Lucas Scheffer, de Cacequi, confirma a redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea cultivada com soja no Rio Grande do Sul. Segundo ele, o agr\u00f4nomo que presta assist\u00eancia \u00e0 sua fam\u00edlia acompanhava 12 mil hectares no ano passado, mas neste ciclo a \u00e1rea caiu para 5 mil hectares. A queda n\u00e3o ocorreu por perda de clientes, e sim porque produtores simplesmente deixaram de plantar.<\/p>\n<p>No modelo de arrendamento, o agricultor firma contrato com o dono da terra, que cede o uso da \u00e1rea para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Scheffer relata que ele e o irm\u00e3o cultivam exclusivamente em terras arrendadas, mas tiveram de reduzir a produ\u00e7\u00e3o. \u201cEu e meu irm\u00e3o reduzimos 50% da nossa \u00e1rea de milho: de 1.400 hectares para 700. As \u00e1reas destinadas apenas \u00e0 soja foram todas largadas\u201d, relata.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m destaca que o endividamento resulta de sucessivas quebras de safra. \u201cSomando os juros de cada linha e os custos, a conta n\u00e3o fecha. Al\u00e9m disso, estamos falando de uma das safras mais caras dos \u00faltimos cinco ou seis anos no Brasil\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o descrita por Fernando Camargo, produtor de J\u00falio de Castilhos, na regi\u00e3o central, \u00e9 ainda mais contundente. Ele considera desistir do plantio nos pr\u00f3ximos anos por acreditar que a atividade se tornou invi\u00e1vel. O agricultor cultiva cerca de 400 hectares, dos quais apenas 70 ou 80 s\u00e3o pr\u00f3prios; o restante \u00e9 arrendado.<\/p>\n<p>\u201cVou plantar esta safra porque estou com as coisas meio alinhadas, e se eu conseguir amortizar no ano seguinte e vender um im\u00f3vel para pagar minhas contas, eu vou sair fora da agricultura. Isso n\u00e3o \u00e9 vida\u201d, desabafa.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-rescisao-unilateral-alternativa-legal\">Rescis\u00e3o unilateral: alternativa legal<\/h2>\n<p>O arrendamento rural funciona como um \u201caluguel de terra\u201d, mas transfere ao produtor todos os riscos da atividade. Mesmo diante de quebras de safra, ele deve arcar com o valor combinado. <\/p>\n<p>O advogado Albenir Querubini, professor do Instituto Brasileiro de Direito do Agroneg\u00f3cio (IBDA), lembra que, nesses casos, a legisla\u00e7\u00e3o prev\u00ea a resili\u00e7\u00e3o unilateral. Pelo artigo 473 do C\u00f3digo Civil, o arrendat\u00e1rio pode encerrar o contrato sem sofrer penalidades ou ser impedido pelo propriet\u00e1rio.<\/p>\n<p>Querubini refor\u00e7a, por\u00e9m, a import\u00e2ncia da negocia\u00e7\u00e3o. \u201cSempre \u00e9 recomend\u00e1vel buscar acordo, seja para reduzir a \u00e1rea, ajustar o pre\u00e7o ou at\u00e9 encerrar o contrato. Mas os arrendat\u00e1rios tamb\u00e9m precisam conhecer a possibilidade da rescis\u00e3o unilateral em situa\u00e7\u00f5es como as do Rio Grande do Sul, desde que motivada e comprovada por fatores clim\u00e1ticos\u201d, orienta.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-futuro-incerto\">Futuro incerto<\/h2>\n<p>Com a proximidade do plantio da safra de ver\u00e3o, os produtores ga\u00fachos se veem diante de um impasse. O presidente da Aprosoja-RS, Ireneu Orth, confirma a tend\u00eancia de queda nos arrendamentos e alerta que dificilmente o estado colher\u00e1 uma boa safra. Segundo ele, h\u00e1 dois fatores distintos: o clima e as condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cSe chover dentro da normalidade, esse \u00e9 um aspecto. Mas mesmo assim dificilmente o estado ter\u00e1 uma grande safra, porque muitos produtores deixar\u00e3o de plantar, especialmente em \u00e1reas arrendadas, e outros ir\u00e3o para o campo sem insumos ou com menos do que o necess\u00e1rio\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Querubini, os obst\u00e1culos se multiplicam. \u201cO endividamento do produtor rural ga\u00facho, os custos de produ\u00e7\u00e3o, a queda do pre\u00e7o da cota\u00e7\u00e3o dos gr\u00e3os e a baixa oferta de cr\u00e9dito para custeio t\u00eam sido verdadeiros obst\u00e1culos para a agricultura. Por isso, \u00e9 preciso ter pol\u00edticas p\u00fablicas para renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas agr\u00edcolas e, ao mesmo tempo, programas para enfrentamento de novas estiagens, com incentivo \u00e0 armazenagem de \u00e1gua, irriga\u00e7\u00e3o e melhoramento de solos\u201d, aponta.<\/p>\n<p>Para Scheffer, o entrave est\u00e1 claro: o Plano Safra est\u00e1 bloqueado pela inadimpl\u00eancia e pela escassez de recursos. Situa\u00e7\u00e3o semelhante vive a produtora Ana Debortoli. Ela e o marido, Marcelo, tentam h\u00e1 cinco anos manter a atividade rural. Para pagar d\u00edvidas, venderam as poucas m\u00e1quinas que tinham, e at\u00e9 o carro da fam\u00edlia foi tomado pelo banco.<\/p>\n<p>As dificuldades financeiras se somam a problemas de sa\u00fade e \u00e0 falta de cr\u00e9dito para seguir produzindo. \u201cJ\u00e1 passamos um m\u00eas inteiro comendo apenas arroz e feij\u00e3o. Ainda assim, n\u00e3o desanimo. Tenho que ter for\u00e7a para ajudar minha fam\u00edlia\u201d, conta.<\/p>\n<p>No campo ga\u00facho, muitos produtores n\u00e3o sabem como plantar a pr\u00f3xima safra, mas seguem resistindo. \u201cO que resta para n\u00f3s \u00e9 reduzir \u00e1reas, tentar diminuir custos de arrendamento e se manter na atividade por tr\u00eas ou quatro anos, na esperan\u00e7a de dias melhores para quitar d\u00edvidas e honrar compromissos\u201d, resume Scheffer.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/voce-viu-produtores-abandonam-areas-arrendadas-no-rs-isso-nao-e-vida\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os impactos da enchente que atingiu o Rio Grande do Sul entre abril e maio do ano passado ainda permanecem.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21051,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-21480","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21480"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21480"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21480\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/21051"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21480"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21480"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21480"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}