{"id":21404,"date":"2025-10-03T12:09:46","date_gmt":"2025-10-03T16:09:46","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=21404"},"modified":"2025-10-03T12:09:46","modified_gmt":"2025-10-03T16:09:46","slug":"o-hedge-natural-da-soja-e-do-milho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=21404","title":{"rendered":"o hedge natural da soja e do milho"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/78xi4nhv-biocombustivel.jpeg\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Tradicionalmente, soja e milho no Brasil seguiam quase \u00e0 risca os movimentos das bolsas internacionais e do c\u00e2mbio. Um d\u00f3lar fraco ou um ciclo de pre\u00e7os deprimidos em Chicago se traduziam em press\u00e3o imediata sobre os pre\u00e7os internos. Esse quadro come\u00e7a a mudar com o avan\u00e7o dos biocombust\u00edveis: o biodiesel, puxado pelo \u00f3leo de soja, e o <strong><a href=\"http:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/etanol\/\">etanol de milho<\/a><\/strong>, que se consolidou como pe\u00e7a central no Centro-Oeste.<\/p>\n<p>Desde 1\u00ba de agosto de 2025, o pa\u00eds opera com B15 no diesel e E30 na gasolina. Na pr\u00e1tica, trata-se de um volume adicional de consumo que n\u00e3o depende da exporta\u00e7\u00e3o nem da taxa de c\u00e2mbio, um piso estrutural de demanda para os gr\u00e3os.<\/p>\n<p>O etanol de milho j\u00e1 responde por cerca de 23% do etanol nacional, com produ\u00e7\u00e3o de 8,2 bilh\u00f5es de litros em 2024\/25 e proje\u00e7\u00e3o de 10 bilh\u00f5es em 2025\/26. Isso significa a transforma\u00e7\u00e3o de mais de 17 milh\u00f5es de toneladas de milho em combust\u00edvel. E o movimento n\u00e3o para: os investimentos privados, FS, Inpasa, Amaggi, Cargill, ampliam capacidade, enquanto a BP comprou a fatia da Bunge em bioenergia, refor\u00e7ando o apetite internacional pelo setor.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do combust\u00edvel, o coproduto DDG (farelo proteico) ganhou ainda mais valor com a abertura da exporta\u00e7\u00e3o para a China, agregando receita \u00e0s usinas e refor\u00e7ando a resili\u00eancia econ\u00f4mica do modelo.<\/p>\n<p>No caso da soja, o \u00f3leo virou protagonista. A Abiove projeta que o biodiesel consumir\u00e1 6,87 milh\u00f5es de toneladas de \u00f3leo de soja em 2025, alta de 10% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. Esse movimento j\u00e1 pressiona o mercado dom\u00e9stico e reduz a depend\u00eancia das exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia dos Estados Unidos \u00e9 ilustrativa: o avan\u00e7o do diesel renov\u00e1vel fez com que mais da metade do \u00f3leo de soja americano fosse absorvido por biocombust\u00edveis, deslocando exporta\u00e7\u00f5es e sustentando pre\u00e7os internos mesmo em ciclos de safra cheia. O Brasil come\u00e7a a replicar esse padr\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o cen\u00e1rio internacional projetando d\u00f3lar desvalorizado e commodities em baixa, a tend\u00eancia seria de press\u00e3o sobre os pre\u00e7os recebidos pelo produtor. Mas os mandatos internos (B15 e E30) e a capacidade instalada em biocombust\u00edveis funcionam como hedge natural:<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Demanda inel\u00e1stica garante compradores locais.<\/li>\n<li>Redu\u00e7\u00e3o do basis negativo nos estados produtores.<\/li>\n<li>Estabilidade maior na receita em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 depend\u00eancia exclusiva da exporta\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Em outras palavras: mesmo que Chicago caia e o c\u00e2mbio perca for\u00e7a, h\u00e1 demanda dom\u00e9stica assegurada, com pr\u00eamios regionais mais firmes.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O amortecedor n\u00e3o \u00e9 perfeito. Em fevereiro de 2025, por exemplo, o governo segurou a mistura em B14 para conter press\u00f5es inflacion\u00e1rias \u2014 prova de que a pol\u00edtica pode oscilar. Al\u00e9m disso, o aumento do esmagamento de soja para atender o biodiesel tende a baratear o farelo, afetando margens da prote\u00edna animal. E, claro, custos log\u00edsticos e de energia ainda pesam sobre a competitividade de algumas regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Os investimentos privados em etanol de milho e biodiesel, somados ao aumento dos mandatos de mistura, est\u00e3o mudando a din\u00e2mica de precifica\u00e7\u00e3o da soja e do milho no Brasil. A bioenergia passa a funcionar como um seguro de mercado: cria demanda cativa, gera novos produtos de valor e reduz a depend\u00eancia das flutua\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>Para o produtor, isso significa que o pr\u00f3ximo ciclo pode ser menos doloroso mesmo em um cen\u00e1rio de d\u00f3lar fraco e pre\u00e7os internacionais em queda. O agro brasileiro passa a ter no combust\u00edvel verde um aliado estrat\u00e9gico, capaz de segurar parte da volatilidade global.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/biodiesel-e-etanol-o-hedge-natural-da-soja-e-do-milho\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tradicionalmente, soja e milho no Brasil seguiam quase \u00e0 risca os movimentos das bolsas internacionais e do c\u00e2mbio. 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