{"id":21050,"date":"2025-09-29T11:00:59","date_gmt":"2025-09-29T15:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=21050"},"modified":"2025-09-29T11:00:59","modified_gmt":"2025-09-29T15:00:59","slug":"produtores-abandonam-areas-arrendadas-no-rs-isso-nao-e-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=21050","title":{"rendered":"Produtores abandonam \u00e1reas arrendadas no RS: \u201cisso n\u00e3o \u00e9 vida\u201d"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Capacidade-de-processamento-de-oleaginosas-atinge-723-milhoes-de-t.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Os impactos da enchente que assolou o Rio Grande do Sul entre abril e maio do ano passado persistem at\u00e9 hoje. A trag\u00e9dia foi a pior da hist\u00f3ria do estado e deixou mais de 180 mortos. Mais de um ano depois, produtores rurais enfrentam um cen\u00e1rio de d\u00edvidas praticamente impag\u00e1veis.<\/p>\n<p>Para quem vive e produz no estado, no entanto, as enchentes foram somente o estopim de um ac\u00famulo de eventos clim\u00e1ticos que afetaram seriamente a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os. Na soja, com exce\u00e7\u00e3o da safra 2020\/21, todas as outras seis registraram quebra por causa do excesso de chuva ou de seca severa, conforme apontam dados da <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/emater\/\">Emater<\/a>.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, muitos acabam deixando a atividade para tr\u00e1s. Movimento que se reflete tamb\u00e9m no arrendamento rural, com agricultores abandonando essas \u00e1reas por causa da descapitaliza\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a procura por esse tipo de contrato tem diminu\u00eddo, principalmente nas regi\u00f5es mais afetadas pelas enchentes e estiagens dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-produtores-pedem-socorro\">Produtores pedem socorro<\/h3>\n<p>O produtor rural Lucas Scheffer, de Cacequi, confirma a redu\u00e7\u00e3o das \u00e1reas cultivadas com soja no Rio Grande do Sul. O agr\u00f4nomo que presta assist\u00eancia \u00e0 fam\u00edlia dele, por exemplo, atendia 12 mil hectares no ano passado. Neste ciclo, a \u00e1rea caiu para 5 mil hectares; n\u00e3o por perda de clientes, mas porque os produtores deixaram de plantar.<\/p>\n<p>Ao arrendar uma terra, o produtor fecha um contrato com o propriet\u00e1rio, que cede a posse e o uso da \u00e1rea para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Scheffer conta que ele e o irm\u00e3o, inclusive, plantam em uma \u00e1rea 100% arrendada, mas tiveram de abandonar parte da produ\u00e7\u00e3o. \u201cEu e meu irm\u00e3o reduzimos 50% da nossa \u00e1rea de milho: de 1.400 hectares para 700. As \u00e1reas destinadas apenas \u00e0 soja foram todas largadas\u201d, diz.<\/p>\n<p>Scheffer tamb\u00e9m ressalta que o endividamento dos produtores ocorre devido \u00e0 uma sequ\u00eancia de quebras de safra. \u201cSomando os juros de cada linha e os custos, a conta n\u00e3o fecha. Al\u00e9m disso, estamos falando de uma das safras mais caras dos \u00faltimos cinco ou seis anos no Brasil\u201d, afirma.\u00a0<\/p>\n<p>O relato de Fernando Camargo, produtor no munic\u00edpio de J\u00falio de Castilhos, na regi\u00e3o central do estado, \u00e9 ainda mais incisivo. Ele afirma que deve desistir do plantio nos pr\u00f3ximos anos porque a atividade est\u00e1 se tornando invi\u00e1vel. O agricultor planta em uma \u00e1rea de cerca de 400 hectares, sendo 70 ou 80 hectares pr\u00f3prios, e o restante de terras arrendadas.<\/p>\n<p>\u201cVou plantar esta safra porque estou com as coisas meio alinhadas, e se eu conseguir amortizar no ano seguinte e vender um im\u00f3vel para pagar minhas contas, eu vou sair fora da agricultura. Isso n\u00e3o \u00e9 vida\u201d, desabafa.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-rescisao-unilateral-possivel-alternativa\">Rescis\u00e3o unilateral: poss\u00edvel alternativa<\/h3>\n<p>O arrendamento rural, apesar de ser uma solu\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel por funcionar como um \u201caluguel de terra\u201d, tamb\u00e9m traz riscos. O advogado Albenir Querubini, professor do Instituto Brasileiro de Direito do Agroneg\u00f3cio (<a href=\"http:\/\/canalrural.com.br\/tag\/ibda\/\">IBDA<\/a>), explica que, nesse modelo, os riscos da atividade ficam sob responsabilidade do produtor que arrenda a terra, que deve pagar o valor acordado mesmo diante de quebras de safra.<\/p>\n<p>Em meio ao endividamento do agro ga\u00facho, Querubini lembra que a lei prev\u00ea a possibilidade de resili\u00e7\u00e3o unilateral. Nessa modalidade, prevista no artigo 473 do C\u00f3digo Civil, o arrendat\u00e1rio pode encerrar o contrato sem aplica\u00e7\u00e3o de multas ou penalidades, e sem que o propriet\u00e1rio possa impedir a decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o advogado ressalta a import\u00e2ncia da negocia\u00e7\u00e3o entre as partes. \u201cSempre \u00e9 recomend\u00e1vel buscar acordo, seja para reduzir a \u00e1rea, ajustar o pre\u00e7o ou at\u00e9 encerrar o contrato. Mas os arrendat\u00e1rios tamb\u00e9m precisam conhecer a possibilidade da rescis\u00e3o unilateral em situa\u00e7\u00f5es como as do Rio Grande do Sul, desde que motivada e comprovada por fatores clim\u00e1ticos\u201d, orienta Querubini.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-futuro-incerto\">Futuro incerto<\/h3>\n<p>Com a proximidade do plantio da safra de ver\u00e3o, os produtores ga\u00fachos se veem em um beco sem sa\u00edda. O presidente da <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/aprosoja-rs\/\">Aprosoja-RS<\/a>, Ireneu Orth, confirma que a tend\u00eancia \u00e9 de queda nos arrendamentos e que dificilmente o Rio Grande do Sul colher\u00e1 uma boa safra. Segundo ele, h\u00e1 dois pontos distintos: o clima, e as condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cSe chover dentro da normalidade, esse \u00e9 um aspecto. Mas mesmo assim dificilmente o estado ter\u00e1 uma grande safra, porque muitos produtores deixar\u00e3o de plantar, especialmente em \u00e1reas arrendadas, e outros ir\u00e3o para o campo sem insumos ou com menos do que o necess\u00e1rio\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Para Querubini, os problemas se acumulam. \u201cO endividamento do produtor rural ga\u00facho, os custos de produ\u00e7\u00e3o, a queda do pre\u00e7o da cota\u00e7\u00e3o dos gr\u00e3os e a baixa oferta de cr\u00e9dito para custeio t\u00eam sido verdadeiros obst\u00e1culos para a agricultura. Por isso, \u00e9 preciso ter pol\u00edticas p\u00fablicas para renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas agr\u00edcolas e, ao mesmo tempo, programas para enfrentamento de novas estiagens, com incentivo \u00e0 armazenagem de \u00e1gua, irriga\u00e7\u00e3o e melhoramento de solos\u201d, avalia.<\/p>\n<p>J\u00e1 para Scheffer, o cen\u00e1rio \u00e9 claro: o Plano Safra est\u00e1 travado pela inadimpl\u00eancia e pela falta de recursos. Essa \u00e9 tamb\u00e9m a realidade da produtora rural Ana Debortoli. H\u00e1 cinco anos, ela e o marido, Marcelo, lutam para manter a atividade no campo. Para honrar as d\u00edvidas, venderam as poucas m\u00e1quinas que tinham e at\u00e9 o carro da fam\u00edlia foi tomado pelo banco.\u00a0<\/p>\n<p>A rotina se soma a problemas de sa\u00fade e \u00e0 falta de cr\u00e9dito para continuar produzindo. \u201cJ\u00e1 passamos um m\u00eas inteiro comendo apenas arroz e feij\u00e3o. Ainda assim, n\u00e3o desanimo. Tenho que ter for\u00e7a para ajudar minha fam\u00edlia\u201d, conta.<\/p>\n<p>No campo ga\u00facho, muitos n\u00e3o sabem como plantar a pr\u00f3xima safra, mas seguem tentando resistir, \u00e0 espera de dias melhores. \u201cO que resta para n\u00f3s \u00e9 reduzir \u00e1reas, tentar diminuir custos de arrendamento e se manter na atividade por tr\u00eas ou quatro anos, na esperan\u00e7a de dias melhores para quitar d\u00edvidas e honrar compromissos\u201d, resume Scheffer.\u00a0<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/produtores-abandonam-areas-arrendadas-no-rs-isso-nao-e-vida\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os impactos da enchente que assolou o Rio Grande do Sul entre abril e maio do ano passado persistem at\u00e9<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21051,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-21050","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21050"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=21050"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/21050\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/21051"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=21050"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=21050"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=21050"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}