{"id":20869,"date":"2025-09-25T19:08:45","date_gmt":"2025-09-25T23:08:45","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=20869"},"modified":"2025-09-25T19:08:45","modified_gmt":"2025-09-25T23:08:45","slug":"as-vesperas-da-cop30-bloqueio-de-recursos-ameaca-o-seguro-rural-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=20869","title":{"rendered":"\u00c0s v\u00e9speras da COP30, bloqueio de recursos amea\u00e7a o seguro rural no Brasil"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>\u00c0s v\u00e9speras da <strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/cop30\/\">COP30<\/a><\/strong>, o governo federal d\u00e1 sinais de que n\u00e3o compreende os efeitos do clima extremo sobre a agricultura. O Programa de Subven\u00e7\u00e3o ao Pr\u00eamio do Seguro Rural (PSR), criado em 2004, atravessa o pior momento de sua hist\u00f3ria. Se o ano terminasse hoje, <strong>menos de<\/strong> <strong>4%<\/strong> das \u00e1reas agr\u00edcolas estariam protegidas com seguro rural. \u00c9 o pior resultado dos \u00faltimos 10 anos.<\/p>\n<p>Em 2021, o programa possibilitou a cobertura de cerca de 14 milh\u00f5es de hectares no Brasil. Em 2024, o n\u00famero caiu para 7 milh\u00f5es de hectares, uma <strong>redu\u00e7\u00e3o de 50%<\/strong>. Agora, em 2025, com or\u00e7amento efetivamente dispon\u00edvel de R$ 567 milh\u00f5es, a estimativa \u00e9 de apenas 2,5 milh\u00f5es de hectares segurados \u2014 um novo tombo, justamente no momento em que os produtores mais precisam.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-desmonte-do-orcamento\">Desmonte do or\u00e7amento<\/h2>\n<p>O PSR come\u00e7ou o ano com R$ 1,060 bilh\u00e3o previsto. No entanto:<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>R$ 67 milh\u00f5es foram destinados a pend\u00eancias de 2024;<\/li>\n<li>R$ 72 milh\u00f5es foram cancelados;<\/li>\n<li>R$ 354 milh\u00f5es foram bloqueados \u00e0s v\u00e9speras do Plano Safra e seguem sem explica\u00e7\u00e3o at\u00e9 o momento.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Com isso, o or\u00e7amento dispon\u00edvel foi reduzido a R$ 567 milh\u00f5es, j\u00e1 praticamente todo comprometido com a safra de inverno e opera\u00e7\u00f5es do primeiro semestre. Restam hoje apenas R$ 8 milh\u00f5es, destinados a um projeto-piloto do Zoneamento Agr\u00edcola de Risco Clim\u00e1tico em N\u00edveis de Manejo.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-comparacoes-que-revelam-prioridades\">Compara\u00e7\u00f5es que revelam prioridades<\/h2>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"556\" alt=\"Recursos da pol\u00edtica agr\u00edcola\" class=\"wp-image-4125199\"  data-lazy- src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/As-vesperas-da-COP30-bloqueio-de-recursos-ameaca-o-seguro.jpg\"\/><img decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"556\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/As-vesperas-da-COP30-bloqueio-de-recursos-ameaca-o-seguro.jpg\" alt=\"Recursos da pol\u00edtica agr\u00edcola\" class=\"wp-image-4125199\"  \/><\/figure>\n<p>Em 2024, os recursos executados pelo governo federal foram:<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Pronaf: <\/strong>R$ 9,68 bilh\u00f5es<\/li>\n<li><strong>Investimento (m\u00e1quinas, equipamentos e tecnologias): <\/strong>R$ 6,74 bilh\u00f5es<\/li>\n<li><strong>Custeio agr\u00edcola:<\/strong> R$ 1,93 bilh\u00e3o<\/li>\n<li><strong>Proagro: <\/strong>R$ 6,61 bilh\u00f5es<\/li>\n<li><strong>Seguro rural (PSR):<\/strong> R$ 947 milh\u00f5es<\/li>\n<li><strong>Total:<\/strong> R$ 25,9 bilh\u00f5es<\/li>\n<\/ul>\n<p>O contraste \u00e9 evidente: enquanto os demais programas recebem bilh\u00f5es e nunca sofrem cortes \u2014 pois contam com execu\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria e previs\u00edvel \u2014 o PSR tem o menor or\u00e7amento da pol\u00edtica agr\u00edcola, representa somente <strong>3,7%<\/strong> em 2024, e segue sendo o \u00fanico totalmente vulner\u00e1vel a bloqueios, atrasos e contingenciamentos.<\/p>\n<p>Paradoxalmente, \u00e9 tamb\u00e9m o programa mais eficiente: cada real aplicado no PSR gera resultados seis a sete vezes superiores ao cr\u00e9dito rural, ao Proagro e \u00e0s renegocia\u00e7\u00f5es de d\u00edvidas. Ou seja, custa muito mais caro sustentar as outras pol\u00edticas do que investir em seguro rural.<\/p>\n<p>De 2006 a 2025, o PSR custou ao Brasil, em valores atualizados, R$ 11,1 bilh\u00f5es. No mesmo per\u00edodo, apenas nos \u00faltimos cinco anos, as seguradoras pagaram aos produtores mais de R$ 20 bilh\u00f5es em indeniza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o governo edita uma MP prevendo R$ 12 bilh\u00f5es em renegocia\u00e7\u00f5es de d\u00edvidas, e o Proagro sozinho consumiu quase R$ 10 bilh\u00f5es em apenas um ano (2023).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso muito c\u00e1lculo para perceber a urg\u00eancia de readequar os gastos fiscais da pol\u00edtica agr\u00edcola. Al\u00f4, TCU?<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-area-protegida-minima\">\u00c1rea protegida m\u00ednima<\/h2>\n<p>Com apenas 2,5 milh\u00f5es de hectares previstos em 2025, o seguro rural cobre menos de 4% da \u00e1rea agr\u00edcola nacional. O Brasil n\u00e3o precisa segurar 100% da produ\u00e7\u00e3o, mas carece de uma pol\u00edtica robusta e est\u00e1vel, capaz de proteger parcela significativa da \u00e1rea cultivada, oferecendo previsibilidade aos produtores e seguran\u00e7a ao sistema financeiro do agro.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria, os atrasos nos repasses desorganizam o setor. Historicamente, os subs\u00eddios eram pagos em at\u00e9 90 dias. Em 2024, o pagamento foi adiado para o exerc\u00edcio seguinte. <\/p>\n<p>Agora, em 2025, a situa\u00e7\u00e3o se repete: mais de R$ 500 milh\u00f5es comprometidos ainda n\u00e3o foram quitados. Muitos contratos j\u00e1 ultrapassaram os 90 dias e se aproximam do limite legal de 180 dias.<\/p>\n<p>O impacto \u00e9 devastador:<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Seguradoras ficam descapitalizadas e reduzem opera\u00e7\u00f5es;<\/li>\n<li>Resseguradoras internacionais perdem confian\u00e7a no mercado brasileiro;<\/li>\n<li>Corretores enfrentam dificuldade para pagar sal\u00e1rios;<\/li>\n<li>Peritos e reguladores perdem volume de trabalho em campo;<\/li>\n<li>Empresas de tecnologia que fornecem sistemas de gest\u00e3o e monitoramento satelital sofrem retra\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-efeitos-perversos\">Efeitos perversos<\/h2>\n<p>Sem apoio, a \u00e1rea segurada diminui, aumentando a exposi\u00e7\u00e3o dos produtores e concentrando o risco. Isso gera sele\u00e7\u00e3o adversa, encarece o seguro e reduz a efici\u00eancia do gasto p\u00fablico. Agricultores atingidos por secas, enchentes ou geadas ficam desamparados e acabam for\u00e7ados a renegociar d\u00edvidas \u2014 solu\u00e7\u00f5es paliativas que apenas empurram o problema para o futuro.<\/p>\n<p>O paradoxo \u00e9 inevit\u00e1vel: foi no governo Lula 1 que o PSR nasceu, pela Lei 10.823\/2004. Agora, no Lula 3, o programa corre o risco de viver seu pior momento, justamente quando as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas se intensificam.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-o-desafio-politico\">O desafio pol\u00edtico<\/h2>\n<p>A decis\u00e3o est\u00e1 nas m\u00e3os do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, respons\u00e1vel pela \u00e1rea or\u00e7ament\u00e1ria. A continuidade do seguro rural depende de recomposi\u00e7\u00e3o de recursos e da previsibilidade nos repasses. Caso contr\u00e1rio, o Brasil chegar\u00e1 \u00e0 COP30 com um modelo de prote\u00e7\u00e3o fragilizado, em contradi\u00e7\u00e3o com o discurso de <strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/sustentabilidade\/\">sustentabilidade<\/a><\/strong> e resili\u00eancia clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que continuaremos sendo um pa\u00eds que insiste em respostas apenas emergenciais? Se assim for, o governo arcar\u00e1 com custos sociais e fiscais cada vez maiores, ampliar\u00e1 a vulnerabilidade de um setor vital e colocar\u00e1 em risco a pr\u00f3pria seguran\u00e7a alimentar. Paradoxos n\u00e3o faltam sobre a mesa.<\/p>\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\">\n<figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" width=\"443\" height=\"660\" alt=\"\" class=\"wp-image-4121585 size-full\"  data-lazy- src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Credito-Rural-completa-60-anos-e-a-industria-das-renegociacoes.jpg\"\/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"443\" height=\"660\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Credito-Rural-completa-60-anos-e-a-industria-das-renegociacoes.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4121585 size-full\"  \/><\/figure>\n<div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p>*<em><strong>Pedro Loyola<\/strong> \u00e9 consultor em gest\u00e3o de riscos agropecu\u00e1rios e financiamento sustent\u00e1vel e coordenador executivo do Observat\u00f3rio do Seguro Rural da FGV Agro.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n<p><em>O\u00a0<strong>Canal Rural<\/strong>\u00a0e a FGV Agro n\u00e3o se responsabilizam pelas opini\u00f5es e conceitos emitidos nos textos desta sess\u00e3o, sendo os conte\u00fados de inteira responsabilidade de seu autor. O <strong>Canal Rural <\/strong>se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s normas de publica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/as-vesperas-da-cop30-bloqueio-de-recursos-ameaca-o-seguro-rural-no-brasil\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0s v\u00e9speras da COP30, o governo federal d\u00e1 sinais de que n\u00e3o compreende os efeitos do clima extremo sobre a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20870,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-20869","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20869"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20869"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20869\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/20870"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20869"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20869"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20869"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}