{"id":2055,"date":"2024-09-22T14:48:23","date_gmt":"2024-09-22T18:48:23","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=2055"},"modified":"2024-09-22T14:48:23","modified_gmt":"2024-09-22T18:48:23","slug":"pesquisadores-criam-filme-biodegradavel-que-economiza-fertilizante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=2055","title":{"rendered":"Pesquisadores criam filme biodegrad\u00e1vel que economiza fertilizante"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Pesquisadores-criam-filme-biodegradavel-que-economiza-fertilizante.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Pesquisadores da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) desenvolveram, em parceria com um produtor de ant\u00farios (planta de vaso ou flor de corte) de Holambra, no interior de S\u00e3o Paulo, um filme \u00e0 base de algas e nanocelulose que substitui, com vantagens, o material importado usado pelo <strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/\">agricultor<\/a><\/strong> como recipiente para reproduzir a planta. <\/p>\n<p>Isso porque o filme criado pelos brasileiros \u00e9 capaz de liberar fertilizante lentamente no substrato. Com adapta\u00e7\u00f5es, poder\u00e1 ser utilizado na reprodu\u00e7\u00e3o de diversas culturas, al\u00e9m do ornamental ant\u00fario.<\/p>\n<p>\u201cNo caso do ant\u00fario, nosso parceiro usa um recipiente fabricado por uma empresa estrangeira para reproduzir o tecido vegetal em laborat\u00f3rio. Essa empresa produz um papel e uma m\u00e1quina. Outros empreendedores compram o papel e a m\u00e1quina e fornecem esses vasinhos que, segundo ele, s\u00e3o muito caros\u201d, explica Claudinei Fonseca Souza, do Grupo de Pesquisa em Engenharia de \u00c1gua, Solo e Meio Ambiente da UFSCar, \u00e0 Ag\u00eancia Fapesp.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-diferencial-em-relacao-ao-importado\">Diferencial em rela\u00e7\u00e3o ao importado<\/h2>\n<p>Em busca de um diferencial em rela\u00e7\u00e3o ao produto importado, a equipe da UFSCar teve a ideia de usar a carragena (subst\u00e2ncia extra\u00edda de algas vermelhas) e o alginato (obtido de algas marinhas marrons) como meio para armazenar um fertilizante, o MAP (fosfato monoam\u00f4nico, composto qu\u00edmico de f\u00f3rmula NH\u2084H\u2082PO\u2084), amplamente empregado em diversas culturas.<\/p>\n<p>\u201cO desafio na utiliza\u00e7\u00e3o de pol\u00edmeros como a carragena e o alginato est\u00e1 na obten\u00e7\u00e3o de materiais com resist\u00eancia, j\u00e1 que eles tendem a se dissolver rapidamente em contato com a \u00e1gua. Por isso, adicionamos nanofibras de celulose ao material, em diferentes concentra\u00e7\u00f5es, na expectativa de melhorar suas propriedades mec\u00e2nicas, f\u00edsicas, qu\u00edmicas e t\u00e9rmicas\u201d, conta o pesquisador.<\/p>\n<p>Assim, a equipe obteve um filme com o qual moldou vasinhos (de 4 cent\u00edmetros de altura por 3,5 cm de di\u00e2metro) que podem substituir aqueles tradicionalmente usados na reprodu\u00e7\u00e3o da planta.<\/p>\n<p>\u201cEsse filme tem de manter a estrutura da planta, mas n\u00e3o pode oferecer resist\u00eancia ao sistema radicular. Ou seja, tem de ser resistente, mas n\u00e3o muito. Por isso, fizemos o teste agregando de 1% at\u00e9 5% de nanocelulose ao material. Obtivemos o melhor resultado com 4%. Nossa inten\u00e7\u00e3o agora \u00e9 patentear o material e partir para testes com outras culturas\u201d, adianta Souza.<\/p>\n<p>Ele ressalta que a raiz tem dupla import\u00e2ncia para a planta: primeiro, de suporte, e segundo na absor\u00e7\u00e3o de \u00e1gua e nutrientes. <\/p>\n<p>\u201cAo conceber o material, n\u00e3o podemos esquecer de nenhuma delas. A partir desse filme com 4% de nanocelulose, passamos para o teste em campo, que ainda n\u00e3o foi publicado. Usamos uma t\u00e9cnica que consegue dar uma ideia do material liberado a partir da condutividade el\u00e9trica do solo. Fizemos tamb\u00e9m um teste de degrada\u00e7\u00e3o. A cada 30 dias \u00edamos at\u00e9 Holambra, colet\u00e1vamos as plantas e faz\u00edamos uma avalia\u00e7\u00e3o. E observamos que o material desaparece ap\u00f3s 90 dias.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com Souza, a libera\u00e7\u00e3o dos nutrientes acontece por diferen\u00e7a de potencial entre o material enriquecido com fertilizante e o substrato da planta, que n\u00e3o cont\u00e9m a subst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u201cEstamos testando numa condi\u00e7\u00e3o real, no campo, fazendo igualzinho o agricultor. Com amparo, portanto, da agronomia. H\u00e1 t\u00e9cnicas pelas quais se consegue monitorar a libera\u00e7\u00e3o do material quase em tempo real.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>O trabalho, publicado na revista Cellulose, teve apoio da Fapesp por meio de Aux\u00edlio \u00e0 Pesquisa Regular concedido \u00e0 professora Roselena Faez, segunda autora do artigo.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-vantagens-do-filme\"><strong>Vantagens<\/strong> do filme<\/h2>\n<p>Em laborat\u00f3rio, os cientistas fizeram placas de 10\u00d720 cent\u00edmetros do material em uma impressora 3D de filamentos ABS (resina termopl\u00e1stica derivada do petr\u00f3leo, obtida a partir da combina\u00e7\u00e3o de tr\u00eas mon\u00f4meros: acrilonitrila, butadieno e estireno). Depois, enrolaram o filme em um gabarito de a\u00e7o redondo e colaram para formar os vasinhos.<\/p>\n<p>\u201cNessas placas, conseguimos fazer umas ranhuras que facilitam a sa\u00edda das ra\u00edzes. E a pr\u00f3pria raiz, depois que vai crescendo, faz uma esp\u00e9cie de refor\u00e7o do material\u201d, diz Souza.<\/p>\n<p>Para ele, \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel produzir o filme em grande escala, pois o Brasil tem facilidade de acesso a algas e \u00e9 o maior produtor de celulose do mundo. <\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 que, para chegar em escala, precisamos desenvolver essa parte final, analisar os resultados do trabalho de campo e patentear o material. Estamos procurando mat\u00e9rias-primas que existam em abund\u00e2ncia e tenham pre\u00e7o bom, porque n\u00e3o adianta nada desenvolver um filme excelente e muito caro, que n\u00e3o chega ao agricultor.\u201d<\/p>\n<p>Souza ressalta que o filme \u00e0 base de algas e nanocelulose tem diversas vantagens: <\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Promove a economia de fertilizante, pois h\u00e1 menos perda por lixivia\u00e7\u00e3o (a alga segura os compostos, que n\u00e3o s\u00e3o levados pela chuva ou irriga\u00e7\u00e3o);<\/li>\n<\/ul>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Pode evitar a utiliza\u00e7\u00e3o de pl\u00e1stico, pois o filme tamb\u00e9m se presta a substituir as esferas de micropl\u00e1stico usadas pela agricultura em larga escala para libera\u00e7\u00e3o de fertilizantes.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cUtiliza-se a mesma t\u00e9cnica de inser\u00e7\u00e3o de fertilizante nas esferinhas de pl\u00e1stico, s\u00f3 que nosso material \u00e9 biodegrad\u00e1vel. Depois de 90 dias, ele praticamente desaparece.\u201d<\/p>\n<p>O artigo <em>\u201cEnhancing marine algae composites with cellulose nanofibrils for sustainable nutrient management\u201d<\/em> pode ser acessado <strong><a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s10570-024-05947-0#Ack1\">aqui<\/a><\/strong>.\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/pesquisadores-criam-filme-biodegradavel-que-economiza-fertilizante\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) desenvolveram, em parceria com um produtor de ant\u00farios (planta de vaso ou<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2056,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2055","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2055"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2055"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2055\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2056"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2055"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2055"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2055"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}