{"id":19791,"date":"2025-09-06T11:34:33","date_gmt":"2025-09-06T15:34:33","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=19791"},"modified":"2025-09-06T11:34:33","modified_gmt":"2025-09-06T15:34:33","slug":"chuvas-caem-74-e-temperatura-sobe-16-com-avanco-do-desmatamento-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=19791","title":{"rendered":"Chuvas caem 74% e temperatura sobe 16% com avan\u00e7o do desmatamento na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>O desmatamento da Amaz\u00f4nia brasileira \u00e9 respons\u00e1vel por cerca de 74,5% da redu\u00e7\u00e3o de chuvas e por 16,5% do aumento da temperatura do bioma nos meses de seca. Pela primeira vez, pesquisadores conseguiram quantificar os impactos da perda de vegeta\u00e7\u00e3o e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais sobre a floresta.<\/p>\n<p>Liderado por cientistas da Universidade de S\u00e3o Paulo (<a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/usp\/\">USP<\/a>), o estudo traz resultados fundamentais para orientar estrat\u00e9gias eficazes de mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o, temas-alvo da Confer\u00eancia do Clima das Na\u00e7\u00f5es Unidas (<a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/cop-30\/\">COP30<\/a>), marcada para novembro em Bel\u00e9m, Par\u00e1.<\/p>\n<p>Os cientistas analisaram dados ambientais, de mudan\u00e7as atmosf\u00e9ricas e de cobertura da terra de aproximadamente 2,6 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados (km<sup>2<\/sup>) na Amaz\u00f4nia Legal brasileira em um per\u00edodo de 35 anos (1985 a 2020). <\/p>\n<p>Os pesquisadores analisaram os efeitos da perda florestal e das altera\u00e7\u00f5es na temperatura, na precipita\u00e7\u00e3o e nas taxas de mistura de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>As chuvas apresentaram uma redu\u00e7\u00e3o de cerca de 21 mm na esta\u00e7\u00e3o seca por ano, com o desmatamento contribuindo para uma diminui\u00e7\u00e3o de 15,8 mm. J\u00e1 a temperatura m\u00e1xima aumentou cerca de 2 \u00b0C, sendo 16,5% atribu\u00eddos ao efeito da perda florestal e o restante \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais.<\/p>\n<p>\u201cV\u00e1rios artigos cient\u00edficos sobre a Amaz\u00f4nia j\u00e1 v\u00eam mostrando que a temperatura est\u00e1 mais alta, que a chuva tem diminu\u00eddo e a esta\u00e7\u00e3o seca aumentou, mas ainda n\u00e3o havia a separa\u00e7\u00e3o do efeito das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, causadas principalmente pela polui\u00e7\u00e3o de pa\u00edses do hemisf\u00e9rio Norte, e do desmatamento provocado pelo pr\u00f3prio Brasil\u201d, resume o professor, Luiz Augusto Toledo Machado.<\/p>\n<p>Isso porque a pesquisa mostrou que o impacto do desmatamento \u00e9 mais intenso nos est\u00e1gios iniciais. As maiores mudan\u00e7as no clima local ocorrem j\u00e1 nos primeiros 10% a 40% de perda da cobertura florestal.<\/p>\n<p>\u201cTemos que preservar a floresta, isso fica muito claro. N\u00e3o podemos transform\u00e1-la em outra coisa. Se houver algum tipo de explora\u00e7\u00e3o, precisa ser de forma sustent\u00e1vel\u201d, afirma o professor do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas (IAG) da USP, Marco Aur\u00e9lio Franco.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-sensivel-equilibrio-do-ecossistema\"><strong>Sens\u00edvel equil\u00edbrio do ecossistema<\/strong><\/h2>\n<p>A Amaz\u00f4nia, como a maior e mais biodiversa floresta tropical do mundo, tem um importante papel na regula\u00e7\u00e3o do clima global. \u00c9 respons\u00e1vel, por exemplo, pelos chamados \u201crios voadores\u201d. As \u00e1rvores retiram \u00e1gua do solo por meio das ra\u00edzes, transportam at\u00e9 as folhas e a liberam para a atmosfera em forma de vapor.<\/p>\n<p>O desmatamento e os processos de degrada\u00e7\u00e3o da floresta contribuem com a altera\u00e7\u00e3o desse ciclo de chuvas, provocando a intensifica\u00e7\u00e3o da esta\u00e7\u00e3o seca em escala local e aumentando os per\u00edodos de inc\u00eandios florestais. <\/p>\n<p>A Amaz\u00f4nia brasileira perdeu 14% da vegeta\u00e7\u00e3o nativa entre 1985 e 2023, de acordo com dados do <strong>MapBiomas<\/strong>, atingindo uma \u00e1rea de 553 mil km<sup>2<\/sup>, o equivalente ao territ\u00f3rio da Fran\u00e7a. A pastagem foi a principal causa no per\u00edodo. Mesmo chegando ao segundo menor n\u00edvel de desmate entre agosto de 2024 e julho de 2025 (uma \u00e1rea de 4.495 km<sup>\u00b2<\/sup>), o desafio tem sido conter a degrada\u00e7\u00e3o, especialmente provocada pelo fogo.<\/p>\n<p>A esta\u00e7\u00e3o seca \u2013 entre junho e novembro \u2013 \u00e9 o per\u00edodo em que os impactos do desmatamento s\u00e3o mais pronunciados, principalmente sobre a chuva. Os efeitos cumulativos intensificam mais a sazonalidade.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-destrinchando-os-dados\"><strong>Destrinchando os dados<\/strong><\/h2>\n<p>Para chegar aos resultados, os cientistas usaram informa\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 chuva e \u00e0 temperatura, o grupo analisou dados de gases de efeito estufa. Concluiu que, ao longo do per\u00edodo de 35 anos, o aumento nas taxas de di\u00f3xido de carbono (CO<sub>\u2082<\/sub>) e de metano (CH<sub>\u2084<\/sub>) foi impulsionado praticamente pelas emiss\u00f5es globais (mais de 99%). <\/p>\n<p>Foi observada uma alta de cerca de 87 partes por milh\u00e3o (ppm) para CO<sub>\u2082<\/sub> e cerca de 167 partes por bilh\u00e3o (ppb) para CH<sub>\u2084<\/sub>.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" alt=\"Mudan\u00e7as atmosf\u00e9ricas e de cobertura da Terra\" class=\"wp-image-4121030\"  data-lazy- src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Chuvas-caem-74-e-temperatura-sobe-16-com-avanco-do.jpg\"\/><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Chuvas-caem-74-e-temperatura-sobe-16-com-avanco-do.jpg\" alt=\"Mudan\u00e7as atmosf\u00e9ricas e de cobertura da Terra\" class=\"wp-image-4121030\"  \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Gr\u00e1fico: Marco Aur\u00e9lio Franco et al.\/Nature Comm., vers\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Os pesquisadores alertam que, se o desmatamento continuar sem controle, a extrapola\u00e7\u00e3o dos resultados sugere um decl\u00ednio adicional na precipita\u00e7\u00e3o total durante a esta\u00e7\u00e3o seca e maior eleva\u00e7\u00e3o da temperatura.<\/p>\n<p>Estudos recentes indicam que o desmatamento na Amaz\u00f4nia j\u00e1 est\u00e1 alterando os padr\u00f5es da mon\u00e7\u00e3o sul-americana (fen\u00f4meno clim\u00e1tico que leva chuvas abundantes para o centro e Sudeste do Brasil durante o ver\u00e3o), resultando em condi\u00e7\u00f5es mais secas que podem comprometer a resili\u00eancia de longo prazo da floresta. Eventos extremos, como as secas de 2023 e 2024, s\u00f3 agravam a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/sustentabilidade\/chuvas-caem-74-e-temperatura-sobe-16-com-avanco-do-desmatamento-na-amazonia\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desmatamento da Amaz\u00f4nia brasileira \u00e9 respons\u00e1vel por cerca de 74,5% da redu\u00e7\u00e3o de chuvas e por 16,5% do aumento<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19792,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-19791","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19791"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19791"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19791\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/19792"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19791"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19791"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19791"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}