{"id":19185,"date":"2025-08-26T09:52:19","date_gmt":"2025-08-26T13:52:19","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=19185"},"modified":"2025-08-26T09:52:19","modified_gmt":"2025-08-26T13:52:19","slug":"e-hora-de-transformar-a-politica-agricola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=19185","title":{"rendered":"\u00e9 hora de transformar a pol\u00edtica agr\u00edcola"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Todo ano, instabilidades de mercado e eventos clim\u00e1ticos \u2014 geadas, secas, enchentes, chuva na colheita, granizo, inc\u00eandios \u2014 geram preju\u00edzos e pressionam o setor agropecu\u00e1rio. A resposta recorrente do governo \u00e9 a prorroga\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas.<\/p>\n<p>Esse al\u00edvio imediato cria passivos que se arrastam por anos, trava cr\u00e9dito novo e reduz capacidade de investimento. O \u201csinal trocado\u201d do governo \u2014 apostar em renegocia\u00e7\u00f5es emergenciais em vez de preven\u00e7\u00e3o estruturada \u2014 envia a mensagem errada ao setor e mant\u00e9m produtores ref\u00e9ns de solu\u00e7\u00f5es de curto prazo.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-paliativos-que-custam-caro\">Paliativos que custam caro<\/h2>\n<p>As solu\u00e7\u00f5es emergenciais apenas \u201cresolvem\u201d problemas moment\u00e2neos. Cada renegocia\u00e7\u00e3o carrega consigo a perda de competitividade e a perpetua\u00e7\u00e3o do ciclo de vulnerabilidade e pobreza.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, existe o custo indireto das renegocia\u00e7\u00f5es: ao carregar um passivo de dois a cinco anos, o produtor tem seu acesso a cr\u00e9dito e investimentos em tecnologia reduzido, sofre queda de produtividade e v\u00ea sua renda diminuir.<\/p>\n<p>Sem a prote\u00e7\u00e3o do seguro rural, novas instabilidades exigem renegocia\u00e7\u00f5es adicionais, empurrando com a barriga a situa\u00e7\u00e3o, mascarando a inadimpl\u00eancia.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-historico-de-improvisos\">Hist\u00f3rico de improvisos<\/h2>\n<p>Desde os instrumentos financeiros criados na d\u00e9cada de 1970, passando pela securitiza\u00e7\u00e3o e pelo Pesa nos anos 1990, a pol\u00edtica agr\u00edcola brasileira tem privilegiado solu\u00e7\u00f5es paliativas. Grandes renegocia\u00e7\u00f5es, como a Lei 11.775 de 2008, os ajustes frente \u00e0s secas e geadas subsequentes e os problemas recentes no <strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/nacional\/rio-grande-do-sul\/\">Rio Grande do Sul<\/a><\/strong> poderiam ter sido significativamente minimizados com a prioriza\u00e7\u00e3o do seguro rural.<\/p>\n<p>D\u00e9cadas de medidas pontuais custaram caro aos cofres p\u00fablicos e geraram efeitos negativos em toda a cadeia \u2014 do sistema financeiro a cooperativas, revendas, agroind\u00fastrias e produtores \u2014 mantendo vulnerabilidades estruturais e repetindo ciclos de fragilidade.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-falta-decifrar-a-eficiencia-da-politica-agricola\">Falta decifrar a efici\u00eancia da Pol\u00edtica Agr\u00edcola<\/h2>\n<p>\u00c9 fundamental divulgar de forma transparente quanto cada instrumento \u2014 cr\u00e9dito rural, Proagro e seguro rural \u2014 realmente custa e qual \u00e9 seu retorno efetivo. No caso do cr\u00e9dito rural, n\u00e3o basta considerar apenas os valores desembolsados, como se n\u00fameros recordes fossem sin\u00f4nimo de sucesso.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso avaliar tamb\u00e9m os benef\u00edcios e os custos indiretos associados ao cr\u00e9dito concedido sem garantias, que frequentemente resultam em prorroga\u00e7\u00f5es de d\u00edvidas, perdas de produtividade e renda e, em situa\u00e7\u00f5es extremas, preju\u00edzos ao patrim\u00f4nio, recupera\u00e7\u00f5es judiciais ou at\u00e9 mesmo a sa\u00edda do produtor da atividade rural.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-prevenir-e-melhor-que-renegociar\">Prevenir \u00e9 melhor que renegociar<\/h2>\n<p>O contraste entre cr\u00e9dito e seguro rural \u00e9 claro. Em 2021, cada R$ 1 investido em subven\u00e7\u00e3o para o seguro gerou R$ 57 em import\u00e2ncia segurada, enquanto o cr\u00e9dito rural gerou apenas R$ 7 em valor financiado. <\/p>\n<p>Em 2024, R$ 600 milh\u00f5es foram efetivamente liberados para o seguro rural, enquanto R$ 354 milh\u00f5es permaneceram bloqueados no auge da contrata\u00e7\u00e3o. Apesar de sua efetividade, o seguro rural ainda recebe recursos irris\u00f3rios diante dos bilh\u00f5es destinados ao combo cr\u00e9dito rural, renegocia\u00e7\u00f5es e Proagro, que somam mais de R$ 15 bilh\u00f5es em subs\u00eddios.<\/p>\n<p>O Zonamento Agr\u00edcola de Risco Clim\u00e1tico (Zarc), da Embrapa, precisa de or\u00e7amento robusto para servir como base cient\u00edfica do seguro rural. Apenas com informa\u00e7\u00f5es confi\u00e1veis, planejamento or\u00e7ament\u00e1rio previs\u00edvel e pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o estruturadas ser\u00e1 poss\u00edvel transformar a pol\u00edtica agr\u00edcola em um instrumento de resili\u00eancia, produtividade e competitividade, rompendo d\u00e9cadas de improvisa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste momento, enquanto o governo federal define o or\u00e7amento do pr\u00f3ximo ano, \u00e9 crucial que a Lei Or\u00e7ament\u00e1ria Anual (LOA 2026) permita que o seguro rural atue de forma estruturante. Para mudar o jogo e dar \u00e0 pol\u00edtica agr\u00edcola a import\u00e2ncia que merece, os valores bloqueados de R$ 354 milh\u00f5es neste ano precisam ser liberados ainda em setembro de 2025 e o or\u00e7amento do PSR para 2026 deve prever R$ 3 bilh\u00f5es est\u00e1veis e n\u00e3o contingenci\u00e1veis. Agora, a palavra est\u00e1 com o governo e com o Congresso Nacional.<\/p>\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\">\n<figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"818\" alt=\"\" class=\"wp-image-4117714 size-full\"  data-lazy- src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Inadimplencia-no-agro-e-a-fragilidade-orcamentaria-do-seguro-rural.jpg\"\/><img decoding=\"async\" width=\"720\" height=\"818\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Inadimplencia-no-agro-e-a-fragilidade-orcamentaria-do-seguro-rural.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4117714 size-full\"  \/><\/figure>\n<div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p>*<em><strong>Pedro Loyola<\/strong> \u00e9 consultor em gest\u00e3o de riscos agropecu\u00e1rios e financiamento sustent\u00e1vel e coordenador executivo do Observat\u00f3rio do Seguro Rural da FGV Agro.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n<p><em>O\u00a0<strong>Canal Rural<\/strong>\u00a0e a FGV Agro n\u00e3o se responsabilizam pelas opini\u00f5es e conceitos emitidos nos textos desta sess\u00e3o, sendo os conte\u00fados de inteira responsabilidade de seu autor. O <strong>Canal Rural <\/strong>se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s normas de publica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/chega-de-improvisos-e-hora-de-transformar-a-politica-agricola\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo ano, instabilidades de mercado e eventos clim\u00e1ticos \u2014 geadas, secas, enchentes, chuva na colheita, granizo, inc\u00eandios \u2014 geram preju\u00edzos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19186,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-19185","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19185"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19185"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19185\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/19186"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19185"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19185"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19185"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}