{"id":19094,"date":"2025-08-24T12:58:20","date_gmt":"2025-08-24T16:58:20","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=19094"},"modified":"2025-08-24T12:58:20","modified_gmt":"2025-08-24T16:58:20","slug":"pesquisadores-usam-inteligencia-artificial-para-medir-nivel-de-estresse-de-peixe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=19094","title":{"rendered":"Pesquisadores usam intelig\u00eancia artificial para medir n\u00edvel de estresse de peixe"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Pesquisadores-usam-inteligencia-artificial-para-medir-nivel-de-estresse-de.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Um grupo liderado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista ( Unesp), em Jaboticabal (SP), em colabora\u00e7\u00e3o com a <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/embrapa\/\">Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa)<\/a>, desenvolveu uma ferramenta de intelig\u00eancia artificial para avaliar o estresse do tambaqui , peixe nativo mais produzido no Brasil. O estudo foi publicado na revista <strong><em>Aquaculture<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>Os resultados podem ter impacto tanto para o aumento do bem-estar dos animais quanto para a sele\u00e7\u00e3o de exemplares mais tolerantes ao ambiente de cultivo. O tambaqui \u00e9 uma esp\u00e9cie amaz\u00f4nica cultivada sobretudo nos estados da regi\u00e3o Norte. O Brasil \u00e9 o maior produtor mundial da esp\u00e9cie, fornecendo 110 mil toneladas em 2022.<\/p>\n<p>\u201cPrimeiro verificamos que, em uma condi\u00e7\u00e3o estressante, ou seja, em um ambiente mais confinado do que o normal, os peixes ficavam mais escuros. Depois, que a adi\u00e7\u00e3o de um horm\u00f4nio ligado ao estresse tamb\u00e9m alterava a colora\u00e7\u00e3o nas escamas. Ent\u00e3o treinamos um software com mais de 3 mil imagens para chegarmos num limiar de estresse que pudesse orientar piscicultores e programas de sele\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, pois vimos que essa \u00e9 uma caracter\u00edstica herd\u00e1vel\u201d, explica Diogo Hashimoto, professor da Unesp que coordenou o estudo.<\/p>\n<p>O trabalho tem como primeira autora Celma Lemos, que realiza doutorado na institui\u00e7\u00e3o, e integra projeto apoiado pela Fapesp no \u00e2mbito de um acordo com a Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).<\/p>\n<p>Para desenvolver a ferramenta, os pesquisadores fotografaram 3780 tambaquis de duas popula\u00e7\u00f5es, uma da Unesp (1280 indiv\u00edduos) e outra da Embrapa Pesca e Aquicultura, em Palmas, no Tocantins (2500 indiv\u00edduos), com a colabora\u00e7\u00e3o da equipe coordenada pela pesquisadora Luciana Shiotsuki.<\/p>\n<p>Em seguida, cada imagem teve marcada a regi\u00e3o que deveria ser avaliada pelo software, a metade inferior do corpo. O contraste com a colora\u00e7\u00e3o da parte superior \u00e9 bastante comum em peixes, provavelmente um atributo da sele\u00e7\u00e3o natural, que resultou numa esp\u00e9cie de camuflagem. O \u201c<em>countershading<\/em>\u201d, como \u00e9 chamado em ingl\u00eas, pode ser observado, por exemplo, em tubar\u00f5es, que t\u00eam o ventre mais claro do que as costas.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Os pesquisadores treinaram ent\u00e3o um modelo de aprendizado profundo (<em>deep learning<\/em>) para chegar a um limiar que indica, pelo n\u00famero de pixels pretos em rela\u00e7\u00e3o aos brancos da imagem, o grau de estresse dos tambaquis.<\/p>\n<p>Uma vez que os exemplares do Tocantins tinham sido marcados quanto \u00e0 sua ascend\u00eancia, foi poss\u00edvel saber quanto a caracter\u00edstica pode ser passada adiante. \u201cCalculamos que a toler\u00e2ncia ao estresse \u00e9 uma caracter\u00edstica moderada a altamente herd\u00e1vel. Isso se reflete em ganho de peso e toler\u00e2ncia a doen\u00e7as, abrindo caminho para termos gera\u00e7\u00f5es com cada vez mais bem-estar em ambiente de cultivo\u201d, avalia Hashimoto.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-mecanismos-fisiologicos\">Mecanismos fisiol\u00f3gicos<\/h2>\n<p>A mudan\u00e7a na colora\u00e7\u00e3o sob estresse \u00e9 uma caracter\u00edstica encontrada em diversas esp\u00e9cies de peixe, mas ainda n\u00e3o havia sido comprovada no tambaqui. No caso das que se tornam mais escuras \u00e0 medida que est\u00e3o mais estressadas, como a til\u00e1pia , um horm\u00f4nio envolvido no estresse promove a expans\u00e3o dos melan\u00f3foros, c\u00e9lulas que, a olho nu, s\u00e3o pequenas pintas pretas.<\/p>\n<p>Para comprovar o efeito no tambaqui, os pesquisadores coletaram escamas de seis indiv\u00edduos, da popula\u00e7\u00e3o de Jaboticabal, e as mergulharam em duas solu\u00e7\u00f5es. Em uma delas, havia uma solu\u00e7\u00e3o neutra e o \u03b1-MSH, uma vers\u00e3o do horm\u00f4nio estimulante de melan\u00f3foros. Na outra, apenas a solu\u00e7\u00e3o neutra. Depois de 30 minutos, os autores observaram que as banhadas no horm\u00f4nio estavam mais escuras, com os melan\u00f3foros expandidos.<\/p>\n<p>Em outro experimento, seis tambaquis foram retirados dos tanques normais de cria\u00e7\u00e3o, de 200 metros quadrados, fotografados e divididos em tr\u00eas reservat\u00f3rios redondos muito menores, de 2 mil litros (85 cent\u00edmetros de altura e 1,66 metro de di\u00e2metro). Depois de dez dias, foram novamente fotografados e a diferen\u00e7a de colora\u00e7\u00e3o era evidente, confirmando que a esp\u00e9cie tamb\u00e9m fica mais escura \u00e0 medida que se estressa.<\/p>\n<p>\u201cA ferramenta de IA pode ser usada para monitorar o estresse dos peixes cultivados, num momento em que se cobra cada vez mais bem-estar animal. Apenas avaliando as fotos dos animais, seria poss\u00edvel obter essa medida e melhorar as pr\u00e1ticas quando necess\u00e1rio, como reduzir o n\u00famero de indiv\u00edduos por tanque, por exemplo\u201d, diz o pesquisador.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/pesquisadores-usam-inteligencia-artificial-para-medir-nivel-de-estresse-de-peixe\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um grupo liderado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista ( Unesp), em Jaboticabal (SP), em colabora\u00e7\u00e3o com a Empresa Brasileira<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19095,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-19094","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19094"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19094"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19094\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/19095"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19094"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19094"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19094"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}