{"id":18918,"date":"2025-08-20T19:20:57","date_gmt":"2025-08-20T23:20:57","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=18918"},"modified":"2025-08-20T19:20:57","modified_gmt":"2025-08-20T23:20:57","slug":"arroz-brasileiro-perde-espaco-no-proprio-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=18918","title":{"rendered":"arroz brasileiro perde espa\u00e7o no pr\u00f3prio mercado"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Conab-vai-doar-sementes-de-arroz-para-agricultores-familiares-do.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Enquanto as exporta\u00e7\u00f5es, de forma fr\u00e1gil, sustentam os pre\u00e7os e mant\u00eam o mercado do arroz respirando, o consumo interno enfraquecido, a amea\u00e7a das importa\u00e7\u00f5es e a iminente colheita nos Estados Unidos criam um paradoxo, gerando incertezas para o futuro do setor. <\/p>\n<p>Nas \u00faltimas semanas, a comercializa\u00e7\u00e3o interna permaneceu quase est\u00e1tica, com liquidez m\u00ednima e negocia\u00e7\u00f5es da m\u00e3o para boca. Orizicultores seguram estoques, principalmente de arroz nobre, esperando condi\u00e7\u00f5es mais atrativas; ind\u00fastrias, por sua vez, compram apenas o necess\u00e1rio para reposi\u00e7\u00e3o imediata. <\/p>\n<p>No <strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/nacional\/rio-grande-do-sul\/\">Rio Grande do Sul<\/a><\/strong>, principal estado produtor, cota\u00e7\u00f5es seguem entre R$ 60 e R$ 62\/saca para o parboilizado, R$ 65 a R$ 67\/saca para o padr\u00e3o ind\u00fastria (acima de 58% de inteiros) e at\u00e9 R$ 75\/saca para o gr\u00e3o nobre. Sem uma virada de chave no panorama atual, o mercado tende a enfrentar nova press\u00e3o de baixa no m\u00e9dio prazo, tornando pouco prov\u00e1vel a sustenta\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os acima de R$ 70\/saca ainda nesta temporada. <\/p>\n<p>O protagonismo absoluto das exporta\u00e7\u00f5es \u00e9, ao mesmo tempo, salva\u00e7\u00e3o e risco. Salva\u00e7\u00e3o porque tem impedido uma queda mais acentuada das cota\u00e7\u00f5es. Risco porque essa sustenta\u00e7\u00e3o est\u00e1 ancorada em uma janela curta, que pode se fechar em setembro com a entrada da safra norte-americana e o consequente redirecionamento da demanda dos principais compradores das Am\u00e9ricas. <\/p>\n<p>O super\u00e1vit comercial do arroz registrado neste ciclo \u00e9 positivo, mas simb\u00f3lico (pouco mais de 11 mil toneladas) \u2014 e insuficiente para reverter um hist\u00f3rico de vulnerabilidade estrutural. Com uma meta inicial de exportar 2 milh\u00f5es de toneladas (base casca), o setor agora v\u00ea, com sorte, o arroz atingir 1,5 milh\u00e3o de toneladas nesta temporada. <\/p>\n<p>Nos bastidores, entidades e lideran\u00e7as se movimentam. Federarroz, Irga e ApexBrasil realizam encontros para desenhar projetos conjuntos voltados \u00e0 abertura e consolida\u00e7\u00e3o de novos mercados, com foco em intelig\u00eancia comercial e promo\u00e7\u00e3o do arroz brasileiro. A Federarroz tamb\u00e9m solicitou ao governo ga\u00facho que os recursos da Taxa de Coopera\u00e7\u00e3o e Defesa da Orizicultura (CDO) sejam direcionados ao escoamento da produ\u00e7\u00e3o, visando aliviar a press\u00e3o de oferta e sustentar pre\u00e7os. <\/p>\n<p>Outro ponto de destaque foi o decreto n\u00ba 58.296, em vigor de 1\u00ba\/08\/2025 a 28\/02\/2026, que concede cr\u00e9dito presumido de ICMS para ind\u00fastrias que comercializam arroz beneficiado produzido no pr\u00f3prio estabelecimento em embalagens de at\u00e9 5 kg (exceto arroz polido). As al\u00edquotas aplic\u00e1veis s\u00e3o 2% para S\u00e3o Paulo, 3% para Minas Gerais e 3% para os demais estados, de forma opcional, substituindo a base reduzida anterior. <\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Para al\u00e9m dessas quest\u00f5es, o Brasil precisa atacar os gargalos que corroem a competitividade: custos de produ\u00e7\u00e3o aviltantes, fretes internos cada vez mais caros, ped\u00e1gios, tributos, entre outros. A forte depend\u00eancia rodovi\u00e1ria \u2014 vulner\u00e1vel a m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es das estradas e eventos clim\u00e1ticos como as enchentes de 2024 \u2014 eleva custos log\u00edsticos, reduzindo margens e dificultando acesso ao porto, muitas vezes j\u00e1 sobrecarregado pela soja. <\/p>\n<p>O d\u00e9ficit de armazenagem no pa\u00eds for\u00e7a produtores a vender na colheita, com perdas na rentabilidade que podem superar os 30%, enquanto a baixa integra\u00e7\u00e3o multimodal (rodovi\u00e1rio, ferrovi\u00e1rio e hidrovi\u00e1rio) encarecem o frete e muitas vezes atrasam embarques. <\/p>\n<p>A concorr\u00eancia regional cresceu: Argentina, Uruguai e Paraguai hoje oferecem arroz mais competitivo, ampliando a perda de espa\u00e7o do produto ga\u00facho. O Paraguai, por exemplo, consolidou-se como principal fornecedor brasileiro, com custo de produ\u00e7\u00e3o quase 50% menor e acesso desonerado pelo Mercosul. <\/p>\n<p>Na temporada comercial 2025\/26, o pa\u00eds projeta exporta\u00e7\u00e3o de aproximadamente 1,35 milh\u00e3o de toneladas (base casca), sendo cerca de 80% deste volume destinado ao Brasil, funcionando como \u201csegundo estoque\u201d nacional. Hoje, a na\u00e7\u00e3o guarani produz tr\u00eas vezes mais que h\u00e1 uma d\u00e9cada, com as cota\u00e7\u00f5es mais atrativas do continente, log\u00edstica favor\u00e1vel e vendas \u00e1geis. Essa competitividade pressiona a cadeia produtiva brasileira, desloca parte da demanda interna e amplia a depend\u00eancia do cereal importado. Para o Brasil, a sa\u00edda \u00e9 fortalecer urgentemente as exporta\u00e7\u00f5es e reduzir custos, sob risco de perda estrutural de mercado. <\/p>\n<p>Do campo \u00e0 prateleira, a palavra-chave \u00e9 coordena\u00e7\u00e3o. Produtores, ind\u00fastrias e exportadores precisam alinhar volumes, tempos de oferta e estrat\u00e9gias comerciais para evitar vendas desordenadas e quedas abruptas nas cota\u00e7\u00f5es do cereal. O varejo, por sua vez, deve ser parceiro na comunica\u00e7\u00e3o do custo real de reposi\u00e7\u00e3o, diluindo aumentos de forma gradual para n\u00e3o travar o consumo. <\/p>\n<p>Se o objetivo \u00e9 pleno desenvolvimento e sustentabilidade de todos os elos, o arroz brasileiro precisa sair da l\u00f3gica reativa e abra\u00e7ar uma estrat\u00e9gia nacional integrada \u2014 que valorize qualidade, agregue valor e transforme oportunidades passageiras em pilares permanentes de competitividade. <\/p>\n<p>O tempo \u00e9 curto e a janela pode se fechar rapidamente. A diferen\u00e7a entre avan\u00e7ar e regredir estar\u00e1 na capacidade do setor de agir agora, de forma coordenada e inteligente.<\/p>\n<p><em>*<strong>Evandro Oliveira<\/strong> \u00e9 graduado em Economia pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e especialista de Safras &amp; Mercado para as culturas de arroz e feij\u00e3o<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/exportar-virou-sobrevivencia-arroz-brasileiro-perde-espaco-no-proprio-mercado\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto as exporta\u00e7\u00f5es, de forma fr\u00e1gil, sustentam os pre\u00e7os e mant\u00eam o mercado do arroz respirando, o consumo interno enfraquecido,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1080,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-18918","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18918"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18918"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18918\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1080"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18918"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18918"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18918"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}