{"id":18914,"date":"2025-08-20T18:38:11","date_gmt":"2025-08-20T22:38:11","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=18914"},"modified":"2025-08-20T18:38:11","modified_gmt":"2025-08-20T22:38:11","slug":"produtor-de-soja-dos-eua-pede-que-trump-garanta-compras-da-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=18914","title":{"rendered":"Produtor de soja dos EUA pede que Trump garanta compras da China"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Soja-em-Chicago-tem-manha-estavel-leia-a-analise-completa.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Americana de Soja (ASA, na sigla em ingl\u00eas) pediu na ter\u00e7a-feira (19), que o presidente dos Estados Unidos, <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/donald-trump\/\">Donald Trump<\/a>, priorize a oleaginosa nas negocia\u00e7\u00f5es comerciais com a China.<\/p>\n<p>Em carta enviada \u00e0 Casa Branca, a entidade afirmou que os agricultores dos Estados Unidos est\u00e3o em um \u201cprecip\u00edcio comercial e financeiro\u201d diante da aus\u00eancia de compras chinesas para a safra 2025\/26. A ASA exige remo\u00e7\u00e3o imediata das tarifas retaliat\u00f3rias impostas por Pequim e compromissos formais de aquisi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cOs produtores de soja est\u00e3o sob extrema press\u00e3o financeira. Os pre\u00e7os continuam caindo e, ao mesmo tempo, nossos agricultores est\u00e3o pagando significativamente mais por insumos e equipamentos\u201d, disse o presidente da ASA, Caleb Ragland, na correspond\u00eancia. \u201cOs produtores de soja dos EUA n\u00e3o podem sobreviver a uma disputa comercial prolongada com nosso maior cliente\u201d, complementou.<\/p>\n<h2>Maior compradora de soja<\/h2>\n<p>A China responde por 61% de toda a soja importada mundialmente. Historicamente, os EUA eram o fornecedor preferencial de Pequim. Essa posi\u00e7\u00e3o mudou ap\u00f3s a guerra comercial de 2018, quando o pa\u00eds asi\u00e1tico retaliou tarifas norte-americanas e deslocou a maior parte da demanda para a Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>\u201cDevido \u00e0 retalia\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria em curso, nossos clientes de longa data na China se voltaram e continuar\u00e3o a se voltar para nossos competidores na Am\u00e9rica do Sul para atender sua demanda\u201d, afirma a carta. O documento destaca que \u201co Brasil pode atender a essa demanda devido ao aumento significativo da produ\u00e7\u00e3o desde a guerra comercial anterior com a China\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO pa\u00eds sul-americano ampliou a capacidade produtiva nos \u00faltimos anos e hoje consegue suprir sozinho o volume que Pequim necessita\u201d, diz trecho. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta que o Brasil produziu 42% mais soja que os EUA em 2024\/25, totalizando 112 milh\u00f5es de toneladas export\u00e1veis, volume equivalente \u00e0 demanda chinesa total.<\/p>\n<h2>Tarifas pagas \u00e0 China<\/h2>\n<p>A desvantagem competitiva dos americanos est\u00e1 na tarifa. Atualmente, a soja dos EUA paga uma tarifa retaliat\u00f3ria de 20%, al\u00e9m da tarifa de Na\u00e7\u00e3o Mais Favorecida (MFN) de 3% e do imposto sobre valor agregado (VAT), que juntos elevam a al\u00edquota total a 34% em 2025.<\/p>\n<p>Embora a nova tarifa seja 5 pontos porcentuais menor que a aplicada durante a guerra comercial de 2018, o diferencial mant\u00e9m a soja norte-americana mais cara que a sul-americana, limitando novos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>Um estudo da ASA refor\u00e7a a preocupa\u00e7\u00e3o. Segundo o documento, Pequim j\u00e1 contratou volumes recordes do Brasil para os pr\u00f3ximos meses e ainda firmou neg\u00f3cios in\u00e9ditos com a Argentina para fornecimento de farelo. Os EUA, em contrapartida, t\u00eam zero embarques vendidos da nova safra, situa\u00e7\u00e3o in\u00e9dita \u00e0s v\u00e9speras da colheita.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Em anos normais, pelo menos 14% das compras chinesas j\u00e1 estariam confirmadas at\u00e9 agosto, com picos de 27% em safras recentes. A sazonalidade tamb\u00e9m favorece o Brasil: enquanto o pa\u00eds domina as vendas entre abril e setembro, os norte-americanos tradicionalmente atendem Pequim de outubro a mar\u00e7o.<\/p>\n<p>A aus\u00eancia da demanda chinesa j\u00e1 pressiona as cota\u00e7\u00f5es em Chicago. Entre 18 de julho e 6 de agosto, o contrato novembro 2025 caiu US$ 0,51 por bushel (5%) para US$ 9,84\/bushel, bem abaixo do custo m\u00e9dio de produ\u00e7\u00e3o estimado em US$ 12,05\/bushel. No cintur\u00e3o do Norte, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 pior: perdas acima de US$ 1,20\/bushel em Dakota do Norte.<\/p>\n<h2>Cen\u00e1rio semelhante ao 1\u00ba mandato de Trump<\/h2>\n<p>O cen\u00e1rio atual remete ao epis\u00f3dio de 2018\/2019. Durante a primeira guerra comercial, os agricultores americanos perderam em m\u00e9dia US$ 9,4 bilh\u00f5es por ano em exporta\u00e7\u00f5es de soja, valor que correspondeu a 71% do preju\u00edzo agr\u00edcola total com tarifas.<\/p>\n<p>\u201cAgora, o quadro pode ser ainda pior\u201d, avalia a ASA, \u201cpois a China demonstra disposi\u00e7\u00e3o de manter a depend\u00eancia do fornecedor brasileiro\u201d.<\/p>\n<p>As perdas v\u00e3o al\u00e9m do campo. Menor renda agr\u00edcola reduz o reinvestimento em com\u00e9rcio, servi\u00e7os e infraestrutura nas comunidades rurais. A queda nos embarques do principal produto agr\u00edcola exportado pelos EUA tamb\u00e9m amplia o d\u00e9ficit comercial do setor e atinge diretamente a economia de 30 estados.<\/p>\n<p>O apelo de Ragland a Trump teve tom pessoal. \u201cSenhor Presidente, o senhor tem apoiado fortemente os agricultores e os agricultores t\u00eam apoiado fortemente o senhor. Precisamos da sua ajuda\u201d, escreveu. A mensagem foi enviada tamb\u00e9m a l\u00edderes do Congresso e membros do gabinete, incluindo os secret\u00e1rios do Tesouro, Com\u00e9rcio e Agricultura.<\/p>\n<h2>Cobran\u00e7a por reabertura de mercado<\/h2>\n<p>A ASA cobra que Washington obtenha um acordo que reabra o mercado chin\u00eas, seja pela elimina\u00e7\u00e3o das tarifas retaliat\u00f3rias, seja por cotas espec\u00edficas de importa\u00e7\u00e3o. \u201cQuanto mais avan\u00e7armos no outono sem chegar a um acordo com a China, piores ser\u00e3o os impactos para os produtores de soja dos EUA\u201d, alerta a carta.<\/p>\n<p>O tema ganhou ainda mais visibilidade ap\u00f3s postagem recente de Trump no Truth Social. No dia 11 de agosto, o presidente pediu publicamente que a China \u201cquadruplique rapidamente\u201d suas compras de soja dos EUA, ressaltando a robustez da safra americana. A mensagem foi bem recebida pelos produtores, mas a ASA refor\u00e7ou que, at\u00e9 o momento, n\u00e3o h\u00e1 contratos firmados com o pa\u00eds asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>Para a associa\u00e7\u00e3o, a consolida\u00e7\u00e3o brasileira como principal fornecedor representa risco estrat\u00e9gico duradouro. Com a colheita americana iniciando em setembro, cada semana sem progresso nas negocia\u00e7\u00f5es reduz ainda mais as chances de recupera\u00e7\u00e3o do mercado perdido para o Brasil.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/produtor-de-soja-dos-eua-pede-que-trump-garanta-compras-da-china\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Associa\u00e7\u00e3o Americana de Soja (ASA, na sigla em ingl\u00eas) pediu na ter\u00e7a-feira (19), que o presidente dos Estados Unidos,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5326,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-18914","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18914"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18914"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18914\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5326"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18914"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18914"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18914"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}