{"id":18716,"date":"2025-08-17T14:04:02","date_gmt":"2025-08-17T18:04:02","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=18716"},"modified":"2025-08-17T14:04:02","modified_gmt":"2025-08-17T18:04:02","slug":"mortes-por-picadas-de-abelhas-africanizadas-aumentam-123-em-quatro-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=18716","title":{"rendered":"Mortes por picadas de abelhas africanizadas aumentam 123% em quatro anos"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Entre 2021 e 2024, o n\u00famero de ataques envolvendo abelhas africanizadas aumentou em <strong>83%<\/strong>, passando de 18.668 para 34.252 ocorr\u00eancias. <\/p>\n<p>J\u00e1 a quantidade de \u00f3bitos cresceu <strong>123%<\/strong>, alcan\u00e7ando 125 casos em 2023, n\u00famero que se repetiu em 2024. Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, em 2023, o total ataques de abelhas ultrapassou o n\u00famero registrado de ataques de serpentes, e a situa\u00e7\u00e3o se mant\u00e9m at\u00e9 hoje.\u00a0<\/p>\n<p>O crescimento expressivo na quantidade de ocorr\u00eancias e mortes nos \u00faltimos anos levou pesquisadores da Universidade Estadual de S\u00e3o Paulo (<a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/unesp\/\">Unesp)<\/a> a publicarem um artigo em que apontam o envenenamento por picadas das esp\u00e9cies <em>Apis mellifera<\/em> como um problema de sa\u00fade p\u00fablica negligenciado.\u00a0<\/p>\n<p>O trabalho da equipe foi publicado na revista cient\u00edfica <a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/journals\/immunology\/articles\/10.3389\/fimmu.2024.1437413\/full\"><em>Frontiers in Immunology<\/em><\/a>. A publica\u00e7\u00e3o aponta ainda que, at\u00e9 julho deste ano, foram registrados mais de 18 mil acidentes com abelhas no pa\u00eds.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-falta-de-antidoto\">Falta de ant\u00eddoto<\/h2>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"698\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Mortes-por-picadas-de-abelhas-africanizadas-aumentam-123-em-quatro.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4117120\"  \/><\/figure>\n<p>Os autores apontam que a aus\u00eancia de um tratamento ou rem\u00e9dio espec\u00edfico para atender a essas v\u00edtimas \u00e9 outro argumento para enquadrar as intoxica\u00e7\u00f5es por abelhas como uma quest\u00e3o negligenciada. <\/p>\n<p>\u201cAinda hoje n\u00e3o existe um ant\u00eddoto contra o veneno de abelhas, como os que temos para as picadas de serpentes, aranhas e escorpi\u00f5es\u201d, diz Rui Seabra Ferreira J\u00fanior, coordenador do estudo.\u00a0<\/p>\n<p>O bi\u00f3logo Osmar Malaspina diz que ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel determinar com exatid\u00e3o os motivos que levaram ao crescimento deste tipo de ocorr\u00eancia. <\/p>\n<p>Ele especula sobre a possibilidade de uma combina\u00e7\u00e3o entre o desmatamento, com perdas de locais que serviriam de habitat nas matas; a procura de novos locais para instala\u00e7\u00e3o de ninhos pr\u00f3ximos a \u00e1reas urbanas; e a procura por alimentos gerados a partir das atividades humanas em determinadas \u00e9pocas do ano.<\/p>\n<p>\u201cMuitas coisas devem ser levadas em considera\u00e7\u00e3o, como o clima da regi\u00e3o, o aumento do n\u00famero de apicultores e de colmeias, a atua\u00e7\u00e3o da Defesa Civil e dos bombeiros, a inexist\u00eancia de empresas especializadas em remo\u00e7\u00e3o de colmeias, os \u00edndices de desmatamento, a proximidade com animais e humanos. \u00c9 muito dif\u00edcil determinar as causas exatas\u201d, diz Malaspina.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-quando-a-ferroada-da-abelha-e-um-risco\">Quando a ferroada da abelha \u00e9 um risco<\/h2>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel determinar quantas ferroadas podem colocar a pessoa em situa\u00e7\u00e3o de risco. Isso vai depender muito do sistema imunol\u00f3gico de cada um.\u201d afirma Benedito Barraviera, docente da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB).<\/p>\n<p>Segundo Barraviera, existem dois tipos principais de acidentes. O primeiro ocorre quando a pessoa \u00e9 al\u00e9rgica. Nesses casos, apenas um ferr\u00e3o pode ser suficiente para desencadear um choque anafil\u00e1tico, que consiste em uma rea\u00e7\u00e3o al\u00e9rgica grave e fatal. \u201cNesses casos, a pessoa deve receber uma inje\u00e7\u00e3o de adrenalina e atendimento m\u00e9dico imediato\u201d, diz.<\/p>\n<p>Outro tipo de acidente ocorre quando uma pessoa n\u00e3o al\u00e9rgica \u00e9 picada por muitas abelhas simultaneamente. Nesses casos, o excesso de veneno pode causar intoxica\u00e7\u00e3o, com complica\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas e renais. Por fim, o m\u00e9dico tamb\u00e9m chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que o veneno pode gerar um torpor neurol\u00f3gico com potencial de desencadear parada cardiorrespirat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Barraviera destaca que a falta de um soro espec\u00edfico contra ferroadas de abelhas africanizadas aumenta as chances de complica\u00e7\u00f5es em casos de intoxica\u00e7\u00e3o e torna o tratamento mais caro e de dif\u00edcil previsibilidade dos resultados. <\/p>\n<p>Em janeiro de 2024, a Unesp registrou a patente do primeiro soro antiap\u00edlico do mundo, produzido em parceria com profissionais do Instituto Vital Brazil e do Instituto Butantan. O novo produto, que vem sendo desenvolvido h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, j\u00e1 passou com sucesso pelas duas primeiras etapas de testes cl\u00ednicos. <\/p>\n<p>Atualmente, os pesquisadores envolvidos aguardam financiamento para a realiza\u00e7\u00e3o da terceira etapa de testes, necess\u00e1ria para o registro na Anvisa.<\/p>\n<p>Na aus\u00eancia de tratamentos espec\u00edficos, o melhor \u00e9 redobrar a aten\u00e7\u00e3o para evitar acidentes graves. A recomenda\u00e7\u00e3o dos especialistas \u00e9 nunca manusear a colmeia, n\u00e3o fazer uso de inseticidas e venenos, evitar movimentos bruscos, isolar o local e chamar a Defesa Civil, os bombeiros ou uma empresa especializada em remo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Malaspina alerta que, caso ocorra uma picada pr\u00f3xima ao ninho, \u00e9 de extrema import\u00e2ncia que a pessoa n\u00e3o se debata e tente manter a calma. O pesquisador explica que, quando se sentem amea\u00e7adas, as abelhas liberam um ferom\u00f4nio que \u201cmarca\u201d a amea\u00e7a para as outras abelhas. <\/p>\n<p>Quando algu\u00e9m \u00e9 ferroado, o ferom\u00f4nio fica preso na pessoa por conta do ferr\u00e3o, o que faz com que todas as demais iniciem uma persegui\u00e7\u00e3o em conjunto.<\/p>\n<p>*<em>Sob supervis\u00e3o de Victor Faverin<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/mortes-por-picadas-de-abelhas-africanizadas-aumentam-123-em-quatro-anos\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre 2021 e 2024, o n\u00famero de ataques envolvendo abelhas africanizadas aumentou em 83%, passando de 18.668 para 34.252 ocorr\u00eancias.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13883,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-18716","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18716"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18716"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18716\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/13883"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18716"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18716"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18716"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}