{"id":18051,"date":"2025-08-05T13:32:53","date_gmt":"2025-08-05T17:32:53","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=18051"},"modified":"2025-08-05T13:32:53","modified_gmt":"2025-08-05T17:32:53","slug":"por-que-o-mesmo-feijao-nunca-e-igual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=18051","title":{"rendered":"Por que o mesmo feij\u00e3o nunca \u00e9 igual?"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 reparou que, \u00e0s vezes, o feij\u00e3o que voc\u00ea compra sempre, da mesma marca, preparado do mesmo jeitinho, com o mesmo tempero, acaba ficando com um sabor diferente? E a\u00ed vem aquela d\u00favida: \u201cSer\u00e1 que errei a m\u00e3o no sal?\u201d, \u201cSer\u00e1 que deixei<br \/>tempo demais no fogo?\u201d ou at\u00e9 \u201cSer\u00e1 que a marca mudou alguma coisa?\u201d. Pois \u00e9, na<br \/>maioria das vezes, nada disso aconteceu. O que muda \u00e9 o pr\u00f3prio feij\u00e3o.<\/p>\n<p>Dentro de cada tipo, carioca, preto, jalo, rajado, existem v\u00e1rias \u201cfam\u00edlias\u201d, chamadas cultivares. \u00c9 como se fossem primos, todos parecidos na apar\u00eancia, mas cada um com um jeito e um sabor pr\u00f3prio. Alguns s\u00e3o mais adocicados, outros mais intensos. Tem cultivar que cozinha r\u00e1pido, outra que demora mais. Tem o feij\u00e3o que deixa o caldo clarinho e leve, e aquele que faz um caldo grosso e encorpado. E, quando a ind\u00fastria compra feij\u00e3o de diferentes produtores para atender a demanda, pode acabar misturando cultivares distintas. Assim, mesmo sendo todos \u201ccariocas\u201d ou todos \u201cpretos\u201d, cada lote conta uma hist\u00f3ria diferente no sabor.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a gen\u00e9tica que faz isso acontecer. O lugar onde o feij\u00e3o nasce tamb\u00e9m deixa sua marca. Quem planta, sabe: solo, clima, altitude, umidade e at\u00e9 as \u00e1rvores em volta podem mudar o sabor. \u00c9 como no caf\u00e9 e no vinho, onde o <em>terroir<\/em> \u00e9 parte da identidade. <\/p>\n<p>Um exemplo que adoro contar \u00e9 o do centro-sul do Paran\u00e1. Ali, as lavouras de feij\u00e3o crescem cercadas por florestas de pinheirais, num clima mais fresco e \u00famido. O resultado \u00e9 um feij\u00e3o com sabor mais encorpado, que se destaca no prato. \u00c9 algo que voc\u00ea sente na primeira colherada e que simplesmente n\u00e3o d\u00e1 para copiar em outro lugar.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Agora, imagine se o consumidor pudesse descobrir tudo isso na hora da compra. Bastaria um QR Code na embalagem para contar de onde veio o feij\u00e3o, qual cultivar \u00e9, como foi plantado e at\u00e9 mostrar fotos da lavoura. Mais que isso: j\u00e1 existem produtores que cultivam usando at\u00e9 95% de insumos biol\u00f3gicos, praticamente dispensando defensivos qu\u00edmicos, cuidando do solo e da natureza. \u00c9 o tipo de informa\u00e7\u00e3o que faria muita gente escolher aquele pacote na hora, e pagar um pouco mais por saber que est\u00e1 levando para casa um produto especial.<\/p>\n<p>E \u00e9 a\u00ed que est\u00e1 a oportunidade. Em tempos de pre\u00e7os que muitas vezes n\u00e3o cobrem o custo de produ\u00e7\u00e3o, diferenciar o feij\u00e3o pela sua origem, pela cultivar e pelas pr\u00e1ticas de cultivo pode criar um espa\u00e7o premium no mercado interno. Isso j\u00e1 funciona em outros alimentos. No vinho e no caf\u00e9, as pessoas escolhem n\u00e3o s\u00f3 pelo sabor, mas tamb\u00e9m pela hist\u00f3ria que vem junto. E por que n\u00e3o com o feij\u00e3o? Para o consumidor, \u00e9 a chance de levar para casa um alimento com identidade. Para o empacotador, \u00e9 a possibilidade de oferecer algo diferente. Para o produtor, \u00e9 reconhecimento e remunera\u00e7\u00e3o mais justa pelo seu trabalho.<\/p>\n<p>No fundo, o feij\u00e3o \u00e9 muito mais do que um gr\u00e3o que vai para a panela. Ele \u00e9 cultura, mem\u00f3ria e sabor. Cada cultivar, cada regi\u00e3o, cada safra tem algo a contar. Imagine entrar no mercado e ver na g\u00f4ndola: \u201cFeij\u00e3o-preto cultivar X, do Centro-Sul do Paran\u00e1, cultivado entre pinheirais, com 95% de insumos biol\u00f3gicos. Sabor encorpado, perfeito para feijoadas.\u201d Ou ent\u00e3o: \u201cFeij\u00e3o-carioca cultivar Y, do Alto Parana\u00edba, MG, cremoso e delicado, ideal para caldos e sopas.\u201d D\u00e1 at\u00e9 vontade de cozinhar s\u00f3 de pensar.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 um grande produtor e consumidor de feij\u00e3o do mundo. Temos uma diversidade de sabores e hist\u00f3rias que nenhum outro pa\u00eds tem. Mas, enquanto tratarmos o feij\u00e3o como tudo igual, vamos seguir desperdi\u00e7ando um potencial enorme. Valorizar as cultivares, reconhecer a influ\u00eancia da regi\u00e3o e contar como ele foi produzido \u00e9 um caminho para fortalecer o mercado, aumentar o consumo e, principalmente, fazer justi\u00e7a com quem planta. Porque, no fim das contas, cada gr\u00e3o carrega uma hist\u00f3ria. E est\u00e1 mais do que na hora de a gente ouvir, e saborear, todas elas.<\/p>\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\">\n<figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"346\" height=\"278\" alt=\"\" class=\"wp-image-4103453 size-full\"  data-lazy- src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Brasil-bate-recorde-nas-exportacoes-e-conquista-premio-por-sustentabilidade.jpeg\"\/><img decoding=\"async\" width=\"346\" height=\"278\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Brasil-bate-recorde-nas-exportacoes-e-conquista-premio-por-sustentabilidade.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4103453 size-full\"  \/><\/figure>\n<div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><em>*<strong>Marcelo L\u00fcders<\/strong> \u00e9 presidente do Instituto Brasileiro do Feij\u00e3o e Pulses (Ibrafe), e atua na promo\u00e7\u00e3o do feij\u00e3o brasileiro no mercado interno e internacional<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n<p><em>O\u00a0<strong>Canal Rural<\/strong>\u00a0n\u00e3o se responsabiliza pelas opini\u00f5es e conceitos emitidos nos textos desta sess\u00e3o, sendo os conte\u00fados de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s normas de publica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/por-que-o-mesmo-feijao-nunca-e-igual\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 reparou que, \u00e0s vezes, o feij\u00e3o que voc\u00ea compra sempre, da mesma marca, preparado do mesmo jeitinho, com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3833,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-18051","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18051"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18051"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18051\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3833"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18051"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18051"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18051"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}