{"id":17910,"date":"2025-08-02T12:19:37","date_gmt":"2025-08-02T16:19:37","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=17910"},"modified":"2025-08-02T12:19:37","modified_gmt":"2025-08-02T16:19:37","slug":"uso-misto-de-bacterias-e-nitrogenio-reduziria-custo-do-milho-em-r-28-bilhoes-ao-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=17910","title":{"rendered":"Uso misto de bact\u00e9rias e nitrog\u00eanio reduziria custo do milho em R$ 2,8 bilh\u00f5es ao ano"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Uso-misto-de-bacterias-e-nitrogenio-reduziria-custo-do-milho.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n<p>O nitrog\u00eanio, ao lado do pot\u00e1ssio e do f\u00f3sforo, forma a trinca de macronutrientes prim\u00e1rios que atuam no desenvolvimento vegetal conhecido como <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/npk\/\">NPK<\/a>. <\/p>\n<p>Entre esses tr\u00eas elementos essenciais, contudo, o nitrog\u00eanio costuma ser o mais caro e o que demanda o maior investimento por parte do produtor rural. Ao mesmo tempo, tamb\u00e9m \u00e9 o mais exigido pelas plantas, sendo fundamental para o crescimento, desenvolvimento das ra\u00edzes, colaborando para a fotoss\u00edntese.<\/p>\n<p>Se a fertiliza\u00e7\u00e3o nitrogenada \u00e9 essencial para a maior parte da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, ela n\u00e3o vem sem um custo. Sua efici\u00eancia raramente supera os 50% em virtude de perdas ocorridas nos processos de lixivia\u00e7\u00e3o, volatiliza\u00e7\u00e3o e desnitrifica\u00e7\u00e3o. Ainda mais, o uso do adubo por per\u00edodos prolongados ou em doses excessivas pode acarretar em s\u00e9rios impactos ambientais.<\/p>\n<p>Assim, os bioinsumos t\u00eam se mostrado uma alternativa eficiente, sustent\u00e1vel e que coloca o Brasil na vanguarda. Um estudo da Universidade Estadual de S\u00e3o Paulo (Unesp) conseguiu demonstrar que o produtor de milho pode ter significativa economia com o uso de duas bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>\u201cImagine voc\u00ea produzir uma cultura t\u00e3o importante para o Brasil e para o mundo como a soja e, ao inv\u00e9s de aplicar 400 ou 500 quilos de fertilizante nitrogenado por hectare, voc\u00ea aplica uma bact\u00e9ria capaz de tirar o nitrog\u00eanio da atmosfera e entregar para a planta em troca de alimento e prote\u00e7\u00e3o. Isso j\u00e1 acontece no Brasil h\u00e1 muitos anos, n\u00e3o \u00e9 algo novo\u201d, conta o professor do Departamento de Produ\u00e7\u00e3o Vegetal da Faculdade de Ci\u00eancias Agr\u00e1rias e Tecnol\u00f3gicas (FCAT) da Unesp no c\u00e2mpus de Dracena Fernando Shintate Galindo.<\/p>\n<p>Segundo ele, nos \u00faltimos dez ou 15 anos houve uma evolu\u00e7\u00e3o em metodologias e t\u00e9cnicas que t\u00eam permitido aos pesquisadores entender que existe uma infinidade de microrganismos que podem beneficiar outros cultivos al\u00e9m da oleaginosa. <\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-inoculacao-de-bacterias-no-milho\">Inocula\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias no milho<\/h2>\n<p>Em um de seus trabalhos, publicado na revista<em> Plant Biology<\/em>, da BioMed Central (BMC), Galindo, ao lado de uma equipe de pesquisadores, buscou avaliar os benef\u00edcios da inocula\u00e7\u00e3o de duas bact\u00e9rias ao mesmo tempo na cultura do milho: a <em>Azospirillum brasilense<\/em>, conhecida pela sua capacidade de fixar nitrog\u00eanio no solo e no est\u00edmulo ao crescimento da planta, e a <em>Bacillus subtilis<\/em>, promotora do crescimento radicular e capaz de atuar na resist\u00eancia a pragas e doen\u00e7as.<\/p>\n<p>O trabalho durou cerca de dois anos e fez parte de um est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado com apoio da Fapesp. O ensaio de campo, realizado em tr\u00eas localidades diferentes, envolveu quatro configura\u00e7\u00f5es para o plantio do milho: um grupo controle, um grupo que recebeu apenas a aplica\u00e7\u00e3o da <em>Azospirillum brasilense<\/em>, um que recebeu apenas a aplica\u00e7\u00e3o de<em> Bacillus subtilis<\/em>, e por fim, um quarto grupo que recebeu ambos os microrganismos. Al\u00e9m disso, testaram-se diferentes taxas de aplica\u00e7\u00e3o de fertilizantes nitrogenados em cada grupo.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>A partir de ent\u00e3o, os pesquisadores acompanharam cada etapa do crescimento dos lotes para poder comparar as respostas fisiol\u00f3gicas e bioqu\u00edmicas das plantas sob cada um dos cen\u00e1rios, incluindo par\u00e2metros relacionados \u00e0 fotoss\u00edntese, ao estresse oxidativo e ao uso do nutriente, como a sua capacidade de recuperar o nitrog\u00eanio do solo e aumentar a efici\u00eancia do seu uso.<\/p>\n<p>Entre os principais resultados encontrados pela equipe est\u00e1 a confirma\u00e7\u00e3o de que o cons\u00f3rcio de bact\u00e9rias, mesmo com algumas caracter\u00edsticas distintas, juntamente com uma dose ideal de nitrog\u00eanio, foi capaz de melhorar a efici\u00eancia no uso do macronutriente, bem como foi capaz de promover o crescimento a\u00e9reo e radicular das plantas. <\/p>\n<p>A inocula\u00e7\u00e3o combinada de <em>Azospirillum brasilense<\/em> e de <em>Bacillus subtilis<\/em> tamb\u00e9m teve efeito sobre par\u00e2metros relacionados \u00e0 fotoss\u00edntese, aumentando a capta\u00e7\u00e3o e assimila\u00e7\u00e3o de CO2, a transpira\u00e7\u00e3o e a efici\u00eancia do uso da \u00e1gua, enquanto diminuiu o estresse oxidativo.<\/p>\n<p>\u201cNesse estudo, n\u00f3s observamos que de fato a inocula\u00e7\u00e3o complementa a aduba\u00e7\u00e3o nitrogenada com excelentes resultados, mas n\u00e3o a substitui. E quando \u00e9 aplicado muito nitrog\u00eanio associado a esses microrganismos, a atua\u00e7\u00e3o deles \u00e9 prejudicada, como uma esp\u00e9cie de overdose\u201d, compara Galindo. \u201c\u00c9 um balan\u00e7o em que existe uma faixa ideal para a resposta da planta aos nutrientes e \u00e0 coinocula\u00e7\u00e3o das bact\u00e9rias\u201d. <\/p>\n<p>Os resultados indicaram que \u00e9 poss\u00edvel reduzir ainda mais a \u00f3tima taxa de aplica\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio dos convencionais 240 kg N\/ha para 175 kg N\/ha, reduzindo custos e ainda aumentando a produtividade do milho em <strong>5,2%<\/strong>. Al\u00e9m disso, a f\u00f3rmula reduziria a emiss\u00e3o de di\u00f3xido de carbono em <strong>682,5 kg CO2e\/ha.<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o pesquisador do c\u00e2mpus de Dracena, a redu\u00e7\u00e3o de aproximadamente <strong>25%<\/strong> na aduba\u00e7\u00e3o nitrogenada na cultura do milho traria uma economia para o produtor de aproximadamente <strong>R$ 130 por hectare<\/strong>. <\/p>\n<p>\u201cSe n\u00f3s extrapolarmos estes valores para um modelo hipot\u00e9tico considerando toda a \u00e1rea cultivada com milho no Brasil, que atualmente est\u00e1 em torno de 22 milh\u00f5es de hectares, n\u00f3s estamos falando de uma economia de cerca de <strong>R$ 2,86 bilh\u00f5es anuais<\/strong>\u201d, projeta o docente. <\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 o vis\u00edvel, aquilo que conseguimos mensurar. Existem ainda quest\u00f5es ambientais e clim\u00e1ticas que n\u00f3s ainda n\u00e3o conseguimos mensurar t\u00e3o bem, mas que precisam ser levadas em considera\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><em>*Sob supervis\u00e3o de Victor Faverin<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/uso-misto-de-bacterias-e-nitrogenio-reduziria-custo-do-milho-em-r-28-bilhoes-ao-ano\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O nitrog\u00eanio, ao lado do pot\u00e1ssio e do f\u00f3sforo, forma a trinca de macronutrientes prim\u00e1rios que atuam no desenvolvimento vegetal<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17911,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-17910","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17910"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17910"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17910\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/17911"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17910"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17910"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17910"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}