{"id":17549,"date":"2025-07-28T12:12:12","date_gmt":"2025-07-28T16:12:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=17549"},"modified":"2025-07-28T12:12:12","modified_gmt":"2025-07-28T16:12:12","slug":"procuram-se-influenciadores-fora-da-bolha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=17549","title":{"rendered":"procuram-se influenciadores fora da bolha"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o Brasil viu crescer uma divis\u00e3o preocupante entre o campo e a cidade. A palavra\u00a0<strong>agroneg\u00f3cio<\/strong>, que por tanto tempo simbolizou desenvolvimento, seguran\u00e7a alimentar e orgulho nacional, passou a ser interpretada por muitos brasileiros como algo distante, ganancioso e impessoal. Em certos c\u00edrculos urbanos, tornou-se sin\u00f4nimo de exclus\u00e3o social, desigualdade e at\u00e9 destrui\u00e7\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p>Mas o problema n\u00e3o est\u00e1 na ess\u00eancia do setor. O\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/\">agro brasileiro<\/a><\/strong>\u00a0\u00e9 produtivo, tecnol\u00f3gico e resiliente. Enfrenta adversidades clim\u00e1ticas, log\u00edsticas e econ\u00f4micas. E, mesmo assim, garante diariamente comida no prato de mais de 200 milh\u00f5es de brasileiros. Em meio a crises, infla\u00e7\u00e3o e instabilidade global, \u00e9 o\u00a0<strong>produtor rural brasileiro<\/strong>\u00a0que sustenta a base da nossa alimenta\u00e7\u00e3o e da nossa economia.<\/p>\n<p>O verdadeiro desafio est\u00e1 na\u00a0<strong>forma como o agro se comunica<\/strong>. Quem falou por n\u00f3s contribuiu para a polariza\u00e7\u00e3o. Durante muito tempo, o setor falou apenas para dentro,\u00a0criou o n\u00f3s e eles. As campanhas, os discursos e at\u00e9 os influenciadores voltaram-se quase exclusivamente ao p\u00fablico do campo. A cidade ficou de fora da conversa \u2014 e quando ouve, muitas vezes ouve mal. Falta contexto, falta conex\u00e3o, falta tradu\u00e7\u00e3o. Resultado: o que poderia gerar orgulho, muitas vezes gera ressentimento.<\/p>\n<p>Essa dist\u00e2ncia aumentou com o comportamento de alguns dos chamados \u201cinfluenciadores do agro\u201d. Em vez de abrir di\u00e1logo com o p\u00fablico urbano, adotaram um tom confrontador, por vezes arrogante. Passaram a tratar o consumidor brasileiro como inimigo, como algu\u00e9m mal informado ou contr\u00e1rio ao progresso. Mas n\u00e3o \u00e9 atacando quem est\u00e1 na cidade que vamos melhorar a\u00a0<strong>imagem do agro brasileiro<\/strong>. \u00c9 explicando, com empatia e paci\u00eancia.<\/p>\n<p>O brasileiro urbano m\u00e9dio, que talvez nunca tenha pisado numa lavoura, muitas vezes n\u00e3o tem ideia do impacto direto que as\u00a0<strong>exporta\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas<\/strong>\u00a0t\u00eam em sua pr\u00f3pria vida. Ao ver que o Brasil lidera a exporta\u00e7\u00e3o global de\u00a0<strong>soja<\/strong>,\u00a0<strong>caf\u00e9<\/strong>\u00a0ou\u00a0<strong>suco de laranja<\/strong>, sua rea\u00e7\u00e3o imediata \u00e9 pensar que o agro est\u00e1 apenas ganhando dinheiro enquanto ele paga mais caro no supermercado. Falta a compreens\u00e3o de que, ao exportar, o agro traz d\u00f3lares para o pa\u00eds, fortalece o real, garante super\u00e1vit comercial, equilibra a economia e evita infla\u00e7\u00e3o.\u00a0<strong>Exportar tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de alimentar o Brasil.<\/strong><\/p>\n<p>Por isso, proponho algo simples e simb\u00f3lico: substituir a palavra agroneg\u00f3cio por\u00a0<strong>agroalimento<\/strong>. Porque \u00e9 isso que o agro produz:\u00a0<strong>alimento de verdade<\/strong>. \u00c9 arroz com feij\u00e3o, \u00e9 caf\u00e9 com leite, \u00e9 p\u00e3o com manteiga, \u00e9 salada na feira, \u00e9 comida na merenda escolar. \u00c9 o prato do trabalhador, da crian\u00e7a, da dona de casa. \u00c9 o que nos une.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>A palavra\u00a0<strong>agroalimento<\/strong>\u00a0aproxima. Tira o agro da esfera fria dos n\u00fameros e o devolve ao calor humano da cozinha.\u00a0<strong>Alimento tem cheiro, tem hist\u00f3ria, tem mem\u00f3ria, tem afeto.<\/strong>\u00a0Ao falarmos de agroalimento, lembramos que tudo come\u00e7a com o produtor, mas termina no garfo do cidad\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de maquiagem. Trata-se de reconex\u00e3o. O agro n\u00e3o precisa de aplauso. Precisa de compreens\u00e3o. E, para isso, precisa mudar o tom.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 urgente orientar quem inflencia em nome do setor. Chega de vozes que gritam para os convertidos e atacam quem deveria ser acolhido. Precisamos de comunicadores que saibam explicar com clareza e escutar com respeito. Que falem com quem consome e n\u00e3o apenas com quem produz. Que saibam que, do outro lado da tela, h\u00e1 uma fam\u00edlia que compra arroz, feij\u00e3o, carne e verdura \u2014 e quer apenas entender de onde vem o que est\u00e1 no seu prato.<\/p>\n<p>O agro alimenta. O agro sustenta. Mas o agro tamb\u00e9m precisa escutar.<\/p>\n<p>\u00c9 hora de criar uma\u00a0<strong>Frente Brasil pelo Agroalimento<\/strong>. Um movimento nacional por uma comunica\u00e7\u00e3o mais inclusiva, mais humana, mais eficaz. Um movimento que una produtores, entidades, empresas e jornalistas\u00a0 e todos os consumidores em numa nova narrativa. Uma narrativa onde o agro entra na mesa do consumidor n\u00e3o pela imposi\u00e7\u00e3o, mas pela verdade e pela empatia.<\/p>\n<p>Quanto mais o Brasil urbano entender o agro como\u00a0<strong>alimento e n\u00e3o como inimigo<\/strong>, mais respeito o setor conquistar\u00e1. O campo n\u00e3o \u00e9 distante. Est\u00e1 na nossa rotina mais \u00edntima. Est\u00e1 no prato de todo dia. E quando o consumidor enxergar isso, talvez, al\u00e9m de respeito, o agro conquiste de volta algo ainda mais importante: o\u00a0<strong>orgulho nacional<\/strong>.<\/p>\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\">\n<figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"346\" height=\"278\" alt=\"\" class=\"wp-image-4103453 size-full\"  data-lazy- src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Brasil-bate-recorde-nas-exportacoes-e-conquista-premio-por-sustentabilidade.jpeg\"\/><img decoding=\"async\" width=\"346\" height=\"278\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Brasil-bate-recorde-nas-exportacoes-e-conquista-premio-por-sustentabilidade.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4103453 size-full\"  \/><\/figure>\n<div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><em>*<strong>Marcelo L\u00fcders<\/strong> \u00e9 presidente do Instituto Brasileiro do Feij\u00e3o e Pulses (Ibrafe), e atua na promo\u00e7\u00e3o do feij\u00e3o brasileiro no mercado interno e internacional<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n<p><em>O\u00a0<strong>Canal Rural<\/strong>\u00a0n\u00e3o se responsabiliza pelas opini\u00f5es e conceitos emitidos nos textos desta sess\u00e3o, sendo os conte\u00fados de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s normas de publica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/agroalimento-procuram-se-influenciadores-fora-da-bolha\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos anos, o Brasil viu crescer uma divis\u00e3o preocupante entre o campo e a cidade. A palavra\u00a0agroneg\u00f3cio, que por<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17550,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-17549","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17549"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17549"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17549\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/17550"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17549"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17549"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17549"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}