{"id":16882,"date":"2025-07-16T16:10:17","date_gmt":"2025-07-16T20:10:17","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=16882"},"modified":"2025-07-16T16:10:17","modified_gmt":"2025-07-16T20:10:17","slug":"desencorajado-produtor-brasileiro-reduz-area-plantada-com-trigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=16882","title":{"rendered":"Desencorajado, produtor brasileiro reduz \u00e1rea plantada com trigo"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>A safra de trigo plantada em 2025 no Brasil ser\u00e1 marcada por uma retra\u00e7\u00e3o expressiva na \u00e1rea plantada, reflexo direto da perda de confian\u00e7a do produtor diante de um cen\u00e1rio comercial e clim\u00e1tico adverso. A estimativa mais recente aponta uma redu\u00e7\u00e3o de 23,3%, com 2,259 milh\u00f5es de hectares cultivados \u2014 688 mil a menos que no ciclo anterior (2,947 milh\u00f5es). <\/p>\n<p>O movimento de retra\u00e7\u00e3o \u00e9 generalizado e atinge os principais polos produtivos. No <strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/nacional\/parana\/\">Paran\u00e1<\/a><\/strong>, a queda na \u00e1rea chega a 25,7%; no Rio Grande do Sul, 22,7%; em Santa Catarina, 20%; Minas Gerais e S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m apontam quedas superiores a 22%. Apenas a Bahia, onde predomina o cultivo irrigado, apresentou avan\u00e7o, embora modesto (+4,2%) e sobre uma base ainda pequena.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea brasileira de trigo decorre de um conjunto de fatores. No campo, os impactos clim\u00e1ticos da temporada passada \u2014 com perdas severas em diversas regi\u00f5es \u2014 e o excesso de chuvas no momento do plantio geraram atrasos e, em alguns casos, inviabilizaram o cultivo. A ocorr\u00eancia de geadas no Paran\u00e1 no ano passado, al\u00e9m de comprometer lavouras, acentuou o receio do produtor quanto \u00e0 viabilidade da cultura. <\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>Culturas de inverno concorrentes, como milho safrinha e sorgo, t\u00eam oferecido maior liquidez, menor risco e melhor retorno na composi\u00e7\u00e3o da rentabilidade da propriedade \u2014 especialmente considerando os efeitos sobre a produtividade da soja em sucess\u00e3o. <\/p>\n<p>Em regi\u00f5es onde n\u00e3o h\u00e1 concorr\u00eancia com culturas de segunda safra, muitos produtores optaram por culturas de cobertura, visando aproveitar a melhor janela para o plantio da soja. Outros devem entrar com milho de ver\u00e3o, pensando em uma segunda safra de soja.<\/p>\n<p>No plano econ\u00f4mico, o desest\u00edmulo \u00e9 evidente. Os pre\u00e7os internos recuaram, os custos seguem elevados e as margens est\u00e3o comprimidas. Mesmo com a baixa oferta no mercado interno, os moinhos encontram no trigo importado uma alternativa competitiva, favorecida por pre\u00e7os internacionais em queda e pela valoriza\u00e7\u00e3o recente do real. Muitos produtores, reticentes quanto \u00e0 viabilidade do plantio, adiaram a decis\u00e3o e, diante do achatamento das cota\u00e7\u00f5es, acabaram optando por n\u00e3o investir no cereal de inverno.<\/p>\n<p>A falta de seguro rural acess\u00edvel e efetivo agrava o problema. Em uma cultura marcada por riscos clim\u00e1ticos elevados \u2014 como geadas, excesso de chuvas e estiagens \u2014, a aus\u00eancia de mecanismos de prote\u00e7\u00e3o contra perdas limita o interesse tanto do produtor quanto do financiador. Sem cobertura adequada, o risco da opera\u00e7\u00e3o recai integralmente sobre o produtor, o que refor\u00e7a o comportamento defensivo diante das incertezas.<\/p>\n<p>Soma-se a isso a dificuldade de acesso ao cr\u00e9dito e o impacto dos juros elevados. A restri\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito rural foi um dos principais limitadores da triticultura, especialmente para o cultivo de sequeiro (Sul e Sudeste), onde o financiamento \u00e9 essencial para viabilizar uma cultura de risco clim\u00e1tico elevado e retorno incerto. <\/p>\n<p>Com margens cada vez mais pressionadas, o trigo exige planejamento t\u00e9cnico e financeiro rigoroso. O problema \u00e9 que, ap\u00f3s sucessivos choques clim\u00e1ticos e pre\u00e7os baixos, muitos produtores \u2014 especialmente os de pequeno e m\u00e9dio porte \u2014 encontram-se descapitalizados. <\/p>\n<p>Sem caixa e com dificuldade de apresentar garantias, ficaram fora das linhas oficiais de cr\u00e9dito. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais cr\u00edtica no Rio Grande do Sul, onde as perdas com a soja na safra de ver\u00e3o comprometeram a capacidade de pagamento, restringindo ainda mais o acesso a novos recursos. <\/p>\n<p>No mercado privado, as alternativas tamb\u00e9m encolheram. Com juros altos e aumento da inadimpl\u00eancia, bancos e tradings adotaram uma postura mais seletiva e conservadora. Para muitos produtores, isso significou a op\u00e7\u00e3o por reduzir a \u00e1rea plantada, abrir m\u00e3o de tecnologia ou at\u00e9 abandonar temporariamente a cultura.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o nacional, j\u00e1 ajustada aos danos causados pelas intemp\u00e9ries clim\u00e1ticas (at\u00e9 o momento), est\u00e1 projetada em 7,105 milh\u00f5es de toneladas, retra\u00e7\u00e3o de 8,6% frente \u00e0 safra anterior (7,77 milh\u00f5es). A queda foi parcialmente compensada pelo ganho de produtividade m\u00e9dia (+19,3%), estimada em 3.145 kg\/ha, com destaque para estados que haviam sofrido perdas no ciclo anterior, como Minas Gerais (+62,6%) e Paran\u00e1 (+52,6%). <\/p>\n<p>Apesar disso, a oferta interna continuar\u00e1 limitada. O Rio Grande do Sul dever\u00e1 colher 3 milh\u00f5es de toneladas (queda de 24,1%) e o Paran\u00e1, 2,7 milh\u00f5es (alta de 13,4%) \u2014 volume ainda insuficiente para abastecer os moinhos locais, cuja moagem gira em torno de 3,850 milh\u00f5es de toneladas, o que obrigar\u00e1 o estado a buscar trigo em outras regi\u00f5es ou no mercado externo.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, a retra\u00e7\u00e3o da \u00e1rea plantada com trigo em 2025\/26 reflete um ciclo de desconfian\u00e7a do produtor, desest\u00edmulo financeiro e riscos clim\u00e1ticos acumulados. Mesmo com ganhos de produtividade pontuais, a menor escala da safra compromete a seguran\u00e7a da oferta e mant\u00e9m o pa\u00eds estruturalmente dependente das importa\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>O mercado segue atento \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e \u00e0 resposta do produtor diante de uma conjuntura que exige cr\u00e9dito acess\u00edvel, prote\u00e7\u00e3o contra perdas e maior previsibilidade de receita para garantir o m\u00ednimo de estabilidade \u00e0 triticultura brasileira. <\/p>\n<p>Diante de tanta incerteza, o Cerrado brasileiro pode ser um bom exemplo, onde a ind\u00fastria e o campo est\u00e3o buscando uma aproxima\u00e7\u00e3o para a viabiliza\u00e7\u00e3o da cultura. Ao produtor, o trigo \u00e9 uma alternativa de renda. Aos moinhos, a garantia de produto de qualidade.<\/p>\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\">\n<figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"470\" height=\"470\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/destino-ao-alcance-ou-sonho-eterno.png\" alt=\"\u00c9lcio Bento, especialista em trigo da Safras &amp; Mercado\" class=\"wp-image-4103065 size-full\"  \/><\/figure>\n<div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><em>*<strong>\u00c9lcio Bento<\/strong> \u00e9 especialista em trigo graduado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Faz parte da divis\u00e3o de especialistas de Safras &amp; Mercado h\u00e1 mais de 20 anos<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n<p><em>O\u00a0<strong>Canal Rural<\/strong>\u00a0n\u00e3o se responsabiliza pelas opini\u00f5es e conceitos emitidos nos textos desta sess\u00e3o, sendo os conte\u00fados de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s normas de publica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/desencorajado-produtor-brasileiro-reduz-area-plantada-com-trigo\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A safra de trigo plantada em 2025 no Brasil ser\u00e1 marcada por uma retra\u00e7\u00e3o expressiva na \u00e1rea plantada, reflexo direto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16883,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-16882","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16882"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=16882"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16882\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/16883"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=16882"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=16882"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=16882"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}