{"id":16229,"date":"2025-07-05T12:58:59","date_gmt":"2025-07-05T16:58:59","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=16229"},"modified":"2025-07-05T12:58:59","modified_gmt":"2025-07-05T16:58:59","slug":"centro-sul-ganha-duas-variedades-de-mandioca-altamente-produtivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=16229","title":{"rendered":"Centro-Sul ganha duas variedades de mandioca altamente produtivas"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/Centro-Sul-ganha-duas-variedades-de-mandioca-altamente-produtivas.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Duas novas variedades de mandioca desenvolvidas pela Embrapa combinam alta produtividade no campo com elevado teor de amido. Assim, atendem aos interesses de produtores e da ind\u00fastria. <\/p>\n<p>Batizadas de\u00a0<strong>BRS Ocau\u00e7u<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>BRS Boitat\u00e1<\/strong>, as cultivares se destacaram na regi\u00e3o Centro-Sul. A regi\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel por 80% da produ\u00e7\u00e3o nacional de f\u00e9cula, o amido extra\u00eddo da raiz da mandioca. <\/p>\n<p>Avaliados desde 2011 em uma rede de experimentos, os materiais apresentam alta produtividade tanto no primeiro ciclo (colheita aos 12 meses), quanto no segundo (de 18 a 24 meses).<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/embrapa\/\">Embrapa Mandioca e Fruticultura<\/a>\u00a0(BA)\u00a0Marco Antonio Rangel, que hoje atua no Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (<a href=\"http:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/mapa\/\">Mapa<\/a>), \u00e9 fundamental trabalhar na interface entre esses dois setores. <\/p>\n<p>\u201cO pre\u00e7o unit\u00e1rio da mandioca \u00e9 referenciado pela quantidade de amido, ou seja, quanto mais amido tiver a raiz, maior o pre\u00e7o. Existem variedades que apresentam excelente teor de amido, por\u00e9m a produtividade por unidade de \u00e1rea \u00e9 baixa. O alto teor de amido \u00e9 bom para a ind\u00fastria, mas se n\u00e3o tiver alta produtividade, n\u00e3o \u00e9 bom para o produtor\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p>Em Navira\u00ed (MS), por exemplo, no primeiro ciclo, a BRS Boitat\u00e1 e a BRS Ocau\u00e7u produziram acima de 33 toneladas por hectare de ra\u00edzes. Assim, superaram em 150% a variedade padr\u00e3o local (13,22 t\/ha) e mostrando aptid\u00e3o para colheita mais cedo. No segundo ciclo, observou-se a mesma tend\u00eancia: as cultivares produziram mais de 41 t\/ha, enquanto a variedade utilizada como testemunha, 25,27 t\/ha.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produtividade de amido, ambas as BRSs registraram no primeiro ciclo, respectivamente, 11,64 e 13,46 t\/ha, contra 4,17 t\/ha da variedade local. No segundo ciclo, o desempenho foi de 19,32 e 16,88 t\/ha contra 7,97 t\/ha da testemunha.\u00a0<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-caracteristicas-diferenciadas\">Caracter\u00edsticas diferenciadas<\/h2>\n<p>Um diferencial da BRS Boitat\u00e1 s\u00e3o as ra\u00edzes com a cor externa branca, caracter\u00edstica desejada tanto pela ind\u00fastria de amido quanto pelas farinheiras. Ringenberg informa que, quanto mais branca for a casca, maior a garantia de dar uma farinha de alta qualidade. <\/p>\n<p>\u201cA BRS Boitat\u00e1 est\u00e1 entrando bem para suprir esse nicho de mercado. Como tem a casca branca, se em algum momento a casca agarrar um pouco, a farinha n\u00e3o escurece. Ou seja, n\u00e3o vai dar pigmenta\u00e7\u00e3o nessa farinha. Apesar de as ra\u00edzes da BRS Ocau\u00e7u terem cor externa marrom clara, a variedade tamb\u00e9m tem tido grande aceita\u00e7\u00e3o por parte das farinheiras\u201d, afirma.\u00a0<\/p>\n<p>A BRS Ocau\u00e7u se destaca por produzir bem em solos de fertilidade mais baixa. Essa \u00e9 outra grande vantagem, de acordo com o pesquisador\u00a0Vanderlei Santos, respons\u00e1vel pelo programa de melhoramento gen\u00e9tico de mandioca da Embrapa Mandioca e Fruticultura \u00e0 \u00e9poca da sele\u00e7\u00e3o das variedades. <\/p>\n<p>Essa caracter\u00edstica \u00e9 impostante, tendo em vista que os solos da regi\u00e3o onde se concentra a produ\u00e7\u00e3o de mandioca nos estados onde os materiais est\u00e3o sendo recomendados s\u00e3o de arenito, mais empobrecidos.<\/p>\n<p>Aliado a esse atributo, Santos ressalta ainda o porte reto das hastes dos materiais, o que torna a arquitetura da BRS Ocau\u00e7u e da BRS Boitat\u00e1 favor\u00e1vel ao plantio mecanizado. \u201cAmbas as cultivares produzem muitas folhas, que cobrem rapidamente o solo, dificultando o desenvolvimento do mato, trazendo assim economia no que diz respeito \u00e0s capinas\u201d, explica.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>O pesquisador acrescenta que, assim como as variedades j\u00e1 lan\u00e7adas, a BRS Ocau\u00e7u e a BRS Boitat\u00e1 s\u00e3o adaptadas ao\u00a0plantio direto. O sistema confere estabilidade produtiva e conserva\u00e7\u00e3o ambiental, e esta em expans\u00e3o na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Considerando a bacteriose, o superalongamento e a antracnose, as principais doen\u00e7as da mandioca no Centro-Sul, os dois materiais mostraram-se moderadamente resistentes. Assim conferiram bom n\u00edvel de seguran\u00e7a para sua recomenda\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>O crit\u00e9rio relacionado \u00e0s doen\u00e7as \u00e9 o primeiro observado no processo de sele\u00e7\u00e3o, como ressalta Santos. \u201cA bacteriose, por exemplo, n\u00e3o \u00e9 um problema relevante no Nordeste, em fun\u00e7\u00e3o do clima, mas na regi\u00e3o Centro-Sul sim, \u00e9 uma doen\u00e7a muito importante, por isso a necessidade de se observar esse aspecto nos ensaios\u201d, afirma o cientista.\u00a0<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-opiniao-do-produtor\">Opini\u00e3o do produtor<\/h2>\n<p>O engenheiro-agr\u00f4nomo da Copasul Cleiton Zebalho conta que recebeu o primeiro lote das duas cultivares em 2022 para experimenta\u00e7\u00e3o. Com cerca de tr\u00eas anos de multiplica\u00e7\u00e3o das variedades em \u00e1rea de cooperado, ele destaca como principal aspecto o fato de serem cultivares para dois ciclos. \u201cHoje temos dificuldade de material com potencial produtivo para dois ciclos. Torna-se uma alternativa para os nossos produtores terem uma diversifica\u00e7\u00e3o de cultivares.\u201d<\/p>\n<p>Outra caracter\u00edstica ressaltada por Zebalho foi que, at\u00e9 o momento, n\u00e3o se identificou o desenvolvimento de doen\u00e7as. \u201cS\u00f3 o ataque de pragas, que \u00e9 normal, no caso o mandarov\u00e1 (lagarta), principal praga da cultura. Mas com rela\u00e7\u00e3o a doen\u00e7as, nada at\u00e9 o momento\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Ele ressalta tamb\u00e9m a adapta\u00e7\u00e3o ao plantio direto, uma necessidade da regi\u00e3o, que sofre com a eros\u00e3o. Nesse sistema conservacionista, mant\u00eam-se a palha e restos vegetais de outras culturas na superf\u00edcie, garantindo cobertura e prote\u00e7\u00e3o do solo, e o plantio \u00e9 realizado no solo n\u00e3o revolvido. \u201c\u00c9 um sistema mais sustent\u00e1vel. Procuramos incentivar nossos produtores a utilizar esse sistema, adotando plantas de cobertura.\u201d<\/p>\n<p>Zebalho diz que os dois materiais t\u00eam potencial para altas produtividades. \u201cCom a tecnifica\u00e7\u00e3o do produtor, fazendo corre\u00e7\u00e3o de solo, boa aduba\u00e7\u00e3o de base, plantando conforme orientamos, com espa\u00e7amento adequado, fazendo todo o manejo de plantas daninhas, certamente essas duas cultivares ter\u00e3o grande potencial produtivo, pensando em dois ciclos\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Por fim, o representante da Copasul destaca a import\u00e2ncia da qualidade gen\u00e9tica dos materiais. \u201cNa minha disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, desvendei quais s\u00e3o os fatores biof\u00edsicos de manejo que afetam a lacuna de produtividade de mandioca no Mato Grosso do Sul. E um dos pontos muito importantes foi a gen\u00e9tica. Produtores que estavam trabalhando com determinadas cultivares, entre elas a BRS CS 01, estavam alcan\u00e7ando melhores produtividades\u201d, complementa.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-garantia-genetica-e-fitossanitaria\">Garantia gen\u00e9tica e fitossanit\u00e1ria<\/h2>\n<p>O analista\u00a0Helton Fleck, do Setor de Gest\u00e3o de Transfer\u00eancia de Tecnologia da Embrapa Mandioca e Fruticultura, salienta que a Embrapa trabalha para que as variedades desenvolvidas cheguem ao produtor com a sanidade e identidade gen\u00e9tica preservada, al\u00e9m de alta qualidade e vigor. <\/p>\n<p>Para isso, licenciam-se parceiros multiplicadores. \u201cAdquirindo mudas e manivas de licenciados da Embrapa, o produtor pode iniciar sua multiplica\u00e7\u00e3o com confian\u00e7a em bons resultados. Seguindo os devidos cuidados nas lavouras, o material se manter\u00e1 por algumas gera\u00e7\u00f5es com a qualidade desejada\u201d, reitera.<\/p>\n<p>No caso das BRS Boitat\u00e1 e BRS Ocau\u00e7u, a Copasul \u00e9, por enquanto, a fornecedora de material de plantio. Ao longo do segundo semestre, novos parceiros ser\u00e3o incorporados ao rol de fornecedores.\u00a0<\/p>\n<p><em>*Sob supervis\u00e3o de Luis Roberto Toledo<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/centro-sul-ganha-mais-duas-variedades-de-mandioca-altamente-produtivas\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas novas variedades de mandioca desenvolvidas pela Embrapa combinam alta produtividade no campo com elevado teor de amido. 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