{"id":15361,"date":"2025-06-20T19:13:34","date_gmt":"2025-06-20T23:13:34","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=15361"},"modified":"2025-06-20T19:13:34","modified_gmt":"2025-06-20T23:13:34","slug":"o-novo-egito-e-aqui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=15361","title":{"rendered":"o novo Egito \u00e9 aqui"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Na B\u00edblia, as sete pragas do Egito foram um castigo divino. No Brasil de hoje, as sete pragas do agro s\u00e3o resultado de decis\u00f5es pol\u00edticas desastrosas \u2014 mas com impacto quase t\u00e3o tr\u00e1gico quanto. <\/p>\n<p>Troque o fara\u00f3 por Bras\u00edlia, e as consequ\u00eancias continuam sendo sentidas por milh\u00f5es de produtores. Abaixo, a compara\u00e7\u00e3o \u2014 n\u00e3o t\u00e3o fict\u00edcia assim \u2014 entre o que o Egito sofreu e o que o campo brasileiro enfrenta.<\/p>\n<p><strong>1. A \u00e1gua virou sangue \u2014 aqui, virou juro<\/strong><br \/>No Egito, o Nilo ficou inserv\u00edvel. No Brasil, o cr\u00e9dito secou. A \u00e1gua vital para o agroneg\u00f3cio chama-se financiamento \u2014 e essa virou um veneno com os juros nas alturas. Enquanto o produtor precisa plantar hoje para colher amanh\u00e3, o governo faz de tudo para tornar esse amanh\u00e3 invi\u00e1vel com taxas que drenam qualquer lucro poss\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>2. As r\u00e3s invadiram tudo \u2014 aqui, \u00e9 a burocracia que salta de todo canto<\/strong><br \/>No Egito, r\u00e3s pulavam at\u00e9 na cama do fara\u00f3. No Brasil, o produtor \u00e9 soterrado por uma papelada que s\u00f3 cresce. CAF, CAR, SIF, DAP, QR Code na nota fiscal, cadastro ambiental e uma sopa de letrinhas que parece feita para engolir o tempo de quem deveria estar no campo, n\u00e3o no cart\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>3. Piolhos \u2014 hoje, s\u00e3o os impostos que grudam e n\u00e3o largam<\/strong><br \/>N\u00e3o adianta lavar, reclamar ou raspar. No Egito, era infesta\u00e7\u00e3o. No Brasil, \u00e9 carga tribut\u00e1ria. O agro paga, paga e paga \u2014 mas quando precisa de infraestrutura, seguro ou apoio, ouve que \u201co pa\u00eds tem outras prioridades\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><strong>4. Moscas \u2014 aqui, s\u00e3o os cortes no seguro rural e no Proagro<\/strong><br \/>As moscas no Egito incomodavam, sujaram, tiravam a paz. Aqui, a praga vem em forma de caneta\u00e7o. O produtor planta com risco clim\u00e1tico alt\u00edssimo, mas v\u00ea o seguro rural e o Proagro levarem tesourada todo ano. \u201cEstamos contingenciando\u201d, dizem em Bras\u00edlia, enquanto o produtor reza por falta de chuva ou por excesso,\u00a0veja o Rio Grande do Sul .<\/p>\n<p><strong>5. Peste nos animais \u2014 no Brasil, \u00e9 falta de log\u00edstica para escoar produ\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>No Egito, o rebanho morreu. Aqui, o boi engorda, mas n\u00e3o tem estrada. A soja fica no silo esperando um caminh\u00e3o que atola. A cana apodrece sem escoamento. A peste moderna se chama\u00a0<strong>infraestrutura prec\u00e1ria<\/strong>, e ela mata a competitividade do agro brasileiro com a mesma efici\u00eancia de um v\u00edrus.<\/p>\n<p><strong>6. \u00dalceras \u2014 aqui, s\u00e3o as feridas abertas por promessas n\u00e3o cumpridas<\/strong><br \/>No Egito, eram feridas f\u00edsicas. No Brasil, s\u00e3o pol\u00edticas. Todo Plano Safra vem com manchetes grandiosas, mas ao abrir o pacote, o produtor descobre que o cr\u00e9dito n\u00e3o chega, o juro n\u00e3o cabe, o seguro foi cortado e o apoio \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o ficou no PowerPoint. S\u00f3 resta a cicatriz da frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>7. Trevas \u2014 por aqui, \u00e9 a cegueira ideol\u00f3gica de quem governa<\/strong><br \/>A \u00faltima praga mergulhou o Egito em escurid\u00e3o. O Brasil est\u00e1 na penumbra de uma ideologia que trata o agroneg\u00f3cio como vil\u00e3o, mesmo sendo o setor que salva a balan\u00e7a comercial, segura o PIB e bota comida no prato do brasileiro. O agro \u00e9 gigante, mas o governo enxerga como se fosse um problema.<\/p>\n<p>As sete pragas do agro brasileiro n\u00e3o vieram do c\u00e9u \u2014 vieram do Estado. E, diferentemente do Egito antigo, n\u00e3o h\u00e1 Mois\u00e9s pedindo liberdade ao fara\u00f3. S\u00f3 produtores clamando por respeito, cr\u00e9dito acess\u00edvel, infraestrutura e previsibilidade. Se o Brasil quiser continuar sendo o celeiro do mundo, \u00e9 hora de parar de amaldi\u00e7oar quem planta, cuida e colhe.<\/p>\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\">\n<figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" alt=\"Miguel Daoud\" class=\"wp-image-4095706 size-full\"  data-lazy- src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Como-guerras-e-crises-moldaram-o-preco-das-commodities-nos.jpg\"\/><img decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Como-guerras-e-crises-moldaram-o-preco-das-commodities-nos.jpg\" alt=\"Miguel Daoud\" class=\"wp-image-4095706 size-full\"  \/><\/figure>\n<div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"has-text-align-center\">*<em><strong>Miguel Daoud<\/strong>\u00a0\u00e9 comentarista de Economia e Pol\u00edtica\u00a0do Canal Rural<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n<p><em>O\u00a0<strong>Canal Rural<\/strong>\u00a0n\u00e3o se responsabiliza pelas opini\u00f5es e conceitos emitidos nos textos desta sess\u00e3o, sendo os conte\u00fados de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s normas de publica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/as-7-pragas-do-agro-no-brasil-o-novo-egito-e-aqui\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na B\u00edblia, as sete pragas do Egito foram um castigo divino. 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