{"id":14477,"date":"2025-06-01T13:16:06","date_gmt":"2025-06-01T17:16:06","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=14477"},"modified":"2025-06-01T13:16:06","modified_gmt":"2025-06-01T17:16:06","slug":"solos-do-rio-de-janeiro-armazenam-mais-de-300-milhoes-de-toneladas-de-carbono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=14477","title":{"rendered":"Solos do Rio de Janeiro armazenam mais de 300 milh\u00f5es de toneladas de carbono"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Estudo in\u00e9dito liderado pela <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/embrapa\/\">Embrapa <\/a>gerou mapas de estoque de carbono org\u00e2nico do solo englobando todo o estado do Rio de Janeiro. <\/p>\n<p>O mapeamento foi feito em duas profundidades: 0-20 cm e 30-50 cm, na resolu\u00e7\u00e3o espacial de 30 metros, o que equivale a aproximadamente uma escala de 1:100.000.\u00a0<\/p>\n<p>Na primeira profundidade (0-20 cm), foram quantificadas cerca de 189 milh\u00f5es de toneladas de carbono. J\u00e1 na segunda (30-50 cm), aproximadamente 119 milh\u00f5es de toneladas. Esses dados podem subsidiar pol\u00edticas p\u00fablicas e invent\u00e1rios em larga escala, al\u00e9m de fomentar o mercado de cr\u00e9ditos de carbono no estado.<\/p>\n<p>Os valores de entrada do estoque de carbono do solo foram obtidos do Invent\u00e1rio Florestal Nacional no Estado do Rio de Janeiro (IFN), desenvolvido pelo Servi\u00e7o Florestal Brasileiro (SFB) entre 2013 e 2016, a partir da an\u00e1lise de cerca de 200 pontos de amostragem de solos distribu\u00eddas por todo o estado, totalizando quase 400 amostras.<\/p>\n<p>Os mapas de estoque de carbono no solo s\u00e3o fruto de um acordo de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica entre a Embrapa Solos (RJ) e a Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro (Seas-RJ). Os dados est\u00e3o dispon\u00edveis para a sociedade na plataforma da Infraestrutura de Dados Espaciais da Embrapa <strong><a href=\"https:\/\/geoinfo.dados.embrapa.br\/#\/\">(Geoinfo)<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>A parceria tamb\u00e9m ir\u00e1 gerar uma publica\u00e7\u00e3o com um conjunto de cen\u00e1rios que favorecem o sequestro de carbono pelo solo no Rio de Janeiro. Esta trar\u00e1 com recomenda\u00e7\u00f5es de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis de manejo do solo, al\u00e9m de uma biblioteca espectral de solos e uma estrat\u00e9gia de modelo de neg\u00f3cio para o mercado de carbono no estado.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cPara gerar um mapeamento que cobre todo o estado, utilizamos dados de quase 400 amostras de solo coletadas no estado para treinar modelos de predi\u00e7\u00e3o do estoque de carbono do solo. Usando geoprocessamento e sensoriamento remoto, conseguimos informa\u00e7\u00f5es de sat\u00e9lites e de mapas j\u00e1 publicados\u201d, diz o pesquisador Gustavo Vasques, da Embrapa Solos.<\/p>\n<p>Segundo ele, posteriormente foi feita uma superposi\u00e7\u00e3o desses pontos amostrais com diferentes camadas de informa\u00e7\u00e3o, como altitude, declividade e concavidade do terreno, temperatura m\u00e9dia anual, precipita\u00e7\u00e3o anual, uso e cobertura da terra, geologia e tipos de solo. <\/p>\n<p>\u201cUsamos, ent\u00e3o, um modelo de estat\u00edstica multivariada para, a partir da correla\u00e7\u00e3o entre essas covari\u00e1veis com o estoque de carbono do solo medido no campo, gerar o mapa no estado todo.\u201d<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-locais-mais-favoraveis\">Locais mais favor\u00e1veis<\/h2>\n<p>Os mapas mostram quais ambientes s\u00e3o mais favor\u00e1veis para acumular ou perder carbono no estado. <\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>De acordo com Vasques, as serras possuem historicamente carbono acumulado no solo. Isso se d\u00e1 por conta do clima frio, que desfavorece a decomposi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica e tamb\u00e9m ajuda na alta produtividade. \u201cNo Rio de Janeiro s\u00e3o, principalmente, a Serra do Mar, onde ficam a Serra dos \u00d3rg\u00e3os e a Costa Verde, e a Serra da Mantiqueira, onde fica o Parque de Itatiaia\u201d, enumera.<\/p>\n<p>O pesquisador tamb\u00e9m aponta \u00e1reas encharcadas como outro local que acumula bastante carbono no estado. Especialmente nos manguezais pr\u00f3ximos \u00e0 costa, no delta do Rio Para\u00edba do Sul, na regi\u00e3o norte fluminense. Isso acontece porque o solo saturado com \u00e1gua n\u00e3o tem o oxig\u00eanio que muitos microrganismos precisam para decompor a mat\u00e9ria org\u00e2nica.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEsse cen\u00e1rio \u00e9 t\u00edpico de turfeira, solo lamoso, rico em mat\u00e9ria org\u00e2nica. S\u00e3o locais que j\u00e1 sabemos que devem ser preservados para n\u00e3o perder carbono. Drenar uma \u00e1rea de turfeira e transformar em uma \u00e1rea produtiva far\u00e1 com que o carbono acumulado seja liberado na forma de di\u00f3xido de carbono (CO2) para a atmosfera ap\u00f3s a entrada do oxig\u00eanio no ambiente, degradando a paisagem\u201d, detalha.<\/p>\n<p>Na outra perspectiva, baixos estoques de carbono foram observados no Norte-Noroeste do estado. A regi\u00e3o possui muitas pastagens em est\u00e1gio moderado a severo de degrada\u00e7\u00e3o pela aus\u00eancia de um bom manejo e de aduba\u00e7\u00e3o, o que ocasiona a queda de carbono e diminui\u00e7\u00e3o da sa\u00fade do solo.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o \u00e1reas onde h\u00e1 um carbono relativamente baixo. Medidas de manejo, conserva\u00e7\u00e3o, corre\u00e7\u00e3o e aduba\u00e7\u00e3o do solo apropriadas podem incrementar o sequestro de carbono pelo solo. Quando o carbono aumenta, significa que todo o sistema produtivo e ambiental melhora a sua qualidade, com mais biodiversidade, maior sustenta\u00e7\u00e3o de plantas, animais, microrganismos. Isso acaba ajudando todo o ambiente\u201d, analisa Vasques.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-carbono-estocado-nos-solos\">Carbono estocado nos solos<\/h2>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"480\" alt=\"\" class=\"wp-image-2874508\"  data-lazy- src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Solos-do-Rio-de-Janeiro-armazenam-mais-de-300-milhoes.png\"\/><img decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"480\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Solos-do-Rio-de-Janeiro-armazenam-mais-de-300-milhoes.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-2874508\"  \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Jos\u00e9 Coelho de Ara\u00fajo Filho \/Embrapa<\/figcaption><\/figure>\n<p>De acordo com o pesquisador, entender a quantidade de carbono no solo \u00e9 importante, pois atualmente trata-se de uma commodity comercializada no mercado global. Isso porque uma das estrat\u00e9gias para mitigar os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e9 promover o sequestro de carbono no solo e manter o seu armazenamento a longo prazo.\u00a0<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica pode ser alcan\u00e7ada por meio da melhoria da mat\u00e9ria org\u00e2nica do solo a partir da ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas de manejo, restaura\u00e7\u00e3o de solos e paisagens degradadas ou intensifica\u00e7\u00e3o de sistemas agr\u00edcolas com o plantio de \u00e1rvores, por exemplo.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEssa estrat\u00e9gia pode ser combinada com programas e acordos de compensa\u00e7\u00e3o para monetizar o carbono sequestrado do solo por meio da venda de cr\u00e9ditos de carbono. E para que os programas de compensa\u00e7\u00e3o funcionem, \u00e9 preciso ter um valor inicial do estoque de carbono do solo como base para calcular a quantidade sequestrada ap\u00f3s um per\u00edodo de avalia\u00e7\u00e3o\u201d, pontua Vasques.<\/p>\n<p>Outro ponto a ser destacado \u00e9 que a medi\u00e7\u00e3o pode ser mais cara do que o pr\u00f3prio valor negociado pelo carbono estocado no solo. Portanto, nesse cen\u00e1rio, \u00e9 relevante estabelecer fun\u00e7\u00f5es preditivas para medi\u00e7\u00e3o do carbono em todo o territ\u00f3rio a partir de amostras de solos j\u00e1 existentes, como \u00e9 o caso do que foi feito para a gera\u00e7\u00e3o dos mapas do Rio de Janeiro. Isso reduz o custo da medi\u00e7\u00e3o e amplia a informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel sobre o carbono no solo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da import\u00e2ncia para o mercado de cr\u00e9ditos, os pesquisadores ressaltam que a informa\u00e7\u00e3o do estoque de carbono tamb\u00e9m indica a sa\u00fade do solo. Dessa maneira, os mapas poder\u00e3o contribuir para entender se os estoques de carbono nos solos no Rio de Janeiro t\u00eam aumentado ou diminu\u00eddo, indicador da melhora ou piora da sa\u00fade do solo com o passar dos anos.<\/p>\n<p><em>*Sob supervi\u00e3o de Victor Faverin<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/diversos\/solos-do-rio-de-janeiro-armazenam-mais-de-300-milhoes-de-toneladas-de-carbono\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo in\u00e9dito liderado pela Embrapa gerou mapas de estoque de carbono org\u00e2nico do solo englobando todo o estado do Rio<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14478,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-14477","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14477"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=14477"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/14477\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/14478"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=14477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=14477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=14477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}