{"id":13633,"date":"2025-05-13T06:14:59","date_gmt":"2025-05-13T10:14:59","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=13633"},"modified":"2025-05-13T06:14:59","modified_gmt":"2025-05-13T10:14:59","slug":"brasil-ganha-zoneamento-climatico-do-abacaxi-para-todos-os-municipios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=13633","title":{"rendered":"Brasil ganha zoneamento clim\u00e1tico do abacaxi para todos os munic\u00edpios"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>O cultivo de abacaxi em territ\u00f3rio brasileiro acaba de ganhar um refor\u00e7o importante: o primeiro Zoneamento Agr\u00edcola de Risco Clim\u00e1tico (Zarc) da cultura com abrang\u00eancia nacional. <\/p>\n<p>A nova ferramenta, publicada pelo Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria <strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/mapa\">(Mapa)<\/a><\/strong> em 13 de fevereiro, orienta produtores de todos os munic\u00edpios do pa\u00eds sobre as melhores condi\u00e7\u00f5es de plantio, com base em dados cient\u00edficos e hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Desenvolvido pela Embrapa, o novo Zarc atualiza e amplia a vers\u00e3o anterior, de 2012, e traz melhorias que prometem aumentar a produtividade e diminuir riscos, especialmente em regi\u00f5es vulner\u00e1veis, como o Semi\u00e1rido.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-classificacao-em-niveis-de-risco\">Classifica\u00e7\u00e3o em n\u00edveis de risco<\/h2>\n<p>A nova vers\u00e3o traz tr\u00eas atualiza\u00e7\u00f5es importantes. Uma delas \u00e9 a classifica\u00e7\u00e3o em tr\u00eas n\u00edveis de risco <strong>(20%, 30% e 40%)<\/strong> associados \u00e0s fases de desenvolvimento de frutos, desde a flora\u00e7\u00e3o, passando pela frutifica\u00e7\u00e3o, at\u00e9 a colheita, sendo 40% o risco m\u00e1ximo aceit\u00e1vel para o cultivo.<\/p>\n<p>Com isso, s\u00e3o gerados calend\u00e1rios de plantio que indicam quando e onde a cultura pode ser mais produtiva e ter mais sucesso.<\/p>\n<p>O engenheiro-agr\u00f4nomo Mauricio Coelho, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA), respons\u00e1vel t\u00e9cnico e coordenador do Zarc Abacaxi, ressalta que os riscos s\u00e3o importantes em diferentes per\u00edodos de desenvolvimento da cultura. Por isso, resolve-se utilizar crit\u00e9rios para quatro fases de crescimento: <\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Fase 1:<\/strong> implanta\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento inicial da planta; <\/li>\n<li><strong>Fase 2:<\/strong> crescimento vegetativo; <\/li>\n<li><strong>Fase 3:<\/strong> indu\u00e7\u00e3o floral e in\u00edcio de frutifica\u00e7\u00e3o; e <\/li>\n<li><strong>Fase 4:<\/strong> desenvolvimento do fruto at\u00e9 a colheita<\/li>\n<\/ul>\n<p>Outra novidade \u00e9 a categoriza\u00e7\u00e3o das classes de \u00e1gua dispon\u00edvel do solo, variando de 1 a 6, e n\u00e3o mais de 1 a 3. <\/p>\n<p>\u201cA varia\u00e7\u00e3o de 34 a 184 mil\u00edmetros por metro de profundidade, dependendo da textura do solo, representa melhor os tipos de solos existentes no Brasil. Essas classes de solo t\u00eam a ver com o armazenamento de \u00e1gua, essa capacidade afeta muito o risco clim\u00e1tico\u201d, ressalta o cientista. <\/p>\n<p>Segundo ele, quanto menor for essa \u2018caixa d\u2019\u00e1gua\u2019, mais acentuado vai ser o risco, a depender do solo. \u201cSe houver tend\u00eancia de ac\u00famulo prolongado de \u00e1gua no solo, tamb\u00e9m ser\u00e1 um dos problemas da cultura justamente o excesso de \u00e1gua. \u00c1reas com encharcamento n\u00e3o s\u00e3o recomendadas para o cultivo do abacaxi\u201d, esclarece Coelho. <\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 temperatura do ar, locais com probabilidades de geadas frequentes e plantios localizados em altitude superior a mil metros tamb\u00e9m foram considerados de risco clim\u00e1tico elevado.<\/p>\n<p>Outro avan\u00e7o importante da nova vers\u00e3o \u00e9 que, pela primeira vez, o sistema considera as exig\u00eancias das principais variedades plantadas no Brasil, que foram divididas em dois grupos:<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\u2018P\u00e9rola\u2019, \u2018Turia\u00e7u\u2019 e \u2018Smooth Cayenne\u2019 (grupo 1, mais r\u00fastico) <\/li>\n<\/ul>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>\u2018BRS Imperial\u2019 (grupo 2, mais sens\u00edvel aos estresses ambientais e que requer um cuidado maior no cultivo).<\/li>\n<\/ul>\n<p>A portaria do Zarc Abacaxi obriga que, no estabelecimento de novas \u00e1reas com novas variedades devem ser utilizadas mudas produzidas em viveiros credenciados em conformidade com a Legisla\u00e7\u00e3o Brasileira sobre Sementes e Mudas (Lei n\u00ba 10.711, de 5 de agosto de 2003, e Decreto n\u00ba5.153, de 23 de agosto de 2004).<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-reducao-de-riscos-na-cultura-do-abacaxi\">Redu\u00e7\u00e3o de riscos na cultura do abacaxi<\/h2>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Brasil-ganha-zoneamento-climatico-do-abacaxi-para-todos-os-municipios.jpg\" alt=\"Abacaxizal novo, Itaberaba, BA\" class=\"wp-image-4100229\"  \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Alessandra Vale<\/figcaption><\/figure>\n<p>O engenheiro-agr\u00f4nomo Hugo Borges Rodrigues, coordenador-geral de risco agropecu\u00e1rio do Departamento de Gest\u00e3o de Riscos da Secretaria de Pol\u00edtica Agr\u00edcola do Minist\u00e9rio da Agrisultura (Mapa), destaca que a atualiza\u00e7\u00e3o do Zarc Abacaxi \u00e9 de grande relev\u00e2ncia para a pasta, visto que integra o esfor\u00e7o cont\u00ednuo de moderniza\u00e7\u00e3o das ferramentas de gest\u00e3o de riscos agropecu\u00e1rios. <\/p>\n<p>\u201cSua atualiza\u00e7\u00e3o refor\u00e7a o compromisso do Mapa e da Embrapa com a sustentabilidade e a resili\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola nacional\u201d, afirma. <\/p>\n<p>\u201cO principal benef\u00edcio para o produtor que segue as orienta\u00e7\u00f5es do Zarc \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o do risco clim\u00e1tico no cultivo, j\u00e1 que a ferramenta indica os per\u00edodos mais favor\u00e1veis ao plantio com base em crit\u00e9rios t\u00e9cnicos e cient\u00edficos\u201d, ressalta. <\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, conforme Rodrigues, o cumprimento das recomenda\u00e7\u00f5es do Zarc \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para o acesso a importantes pol\u00edticas p\u00fablicas de gest\u00e3o de riscos, como o Programa de Garantia da Atividade Agropecu\u00e1ria (Proagro) e o Programa de Subven\u00e7\u00e3o ao Pr\u00eamio do Seguro Rural (PSR).<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-atualizacao-dos-dados-meteorologicos\">Atualiza\u00e7\u00e3o dos dados meteorol\u00f3gicos<\/h2>\n<p>O pesquisador da Embrapa Agricultura Digital (SP) e coordenador da Rede Zarc Embrapa, Eduardo Monteiro, destaca as mudan\u00e7as no novo zoneamento, em especial as ligadas \u00e0 base de dados meteorol\u00f3gicos. \u201cAgora s\u00e3o considerados os dados meteorol\u00f3gicos atualizados at\u00e9 2022, incluindo, portanto, dados bem mais recentes em rela\u00e7\u00e3o ao zoneamento antigo\u201d, salienta. <\/p>\n<p>A base de dados meteorol\u00f3gicos \u00e9 composta por s\u00e9ries hist\u00f3ricas obtidas a partir das redes de esta\u00e7\u00f5es terrestres, meteorol\u00f3gicas e pluviom\u00e9tricas convencionais e autom\u00e1ticas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).<\/p>\n<p>O pesquisador Domingo Haroldo Reinhardt, que coordena as pesquisas com abacaxi na regi\u00e3o de Itaberaba \u2013 principal produtor de abacaxi do estado da Bahia \u2013 e faz parte da equipe t\u00e9cnica do Zarc, ratifica as melhorias da ferramenta: \u201cA metodologia foi bastante aprimorada, principalmente quanto aos n\u00edveis de capacidade de armazenamento de \u00e1gua, ainda mais para a regi\u00e3o semi\u00e1rida, como \u00e9 o caso de Itaberaba, onde existem varia\u00e7\u00f5es grandes dentro do mesmo munic\u00edpio. Sem d\u00favida, o produtor novo deve recorrer ao Zarc, assim como aquele produtor que quer investir em novas \u00e1reas de plantio\u201d.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-validacao-dos-produtores\">Valida\u00e7\u00e3o dos produtores<\/h2>\n<p>Pela primeira vez, o Zarc Abacaxi ganhou uma importante fase: a valida\u00e7\u00e3o junto a produtores, t\u00e9cnicos e representantes da cadeia produtiva. Duas reuni\u00f5es foram realizadas via internet com participantes das regi\u00f5es Norte e Nordeste e da regi\u00e3o Centro-Sul, respectivamente. <\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s trabalhamos em um modelo que vai ser aplicado em todo o pa\u00eds, por isso, ele tem que representar bem as condi\u00e7\u00f5es do desenvolvimento e dos riscos clim\u00e1ticos em todas as regi\u00f5es. Precis\u00e1vamos do feedback dos polos de produ\u00e7\u00e3o para tentar corrigir alguma falha, se houvesse, antes da publica\u00e7\u00e3o das portarias\u201d, explica Coelho.<br \/>Para Fernando Barreto de Melo, engenheiro-agr\u00f4nomo e gerente-executivo da<br \/>Central de Suporte T\u00e9cnico do Banco do Nordeste, que esteve presente \u00e0<br \/>reuni\u00e3o de valida\u00e7\u00e3o, o Zarc possui papel muito significativo no<br \/>desenvolvimento da regi\u00e3o. \u201cSer produtor rural no Semi\u00e1rido nordestino requer,<br \/>al\u00e9m de paix\u00e3o, muita resili\u00eancia, conhecimento t\u00e9cnico e capacidade<br \/>administrativa, pois os desafios para produzir, principalmente na agricultura de<br \/>sequeiro, em uma regi\u00e3o com hist\u00f3rico de precipita\u00e7\u00e3o pluviom\u00e9trica bastante<br \/>irregular no espa\u00e7o e no tempo, s\u00e3o imensos. Para o produtor, o Zarc<br \/>possibilita menor risco e proporciona maiores possibilidades de sucesso no<br \/>empreendimento. Para as institui\u00e7\u00f5es financeiras, \u00e9 mais uma ferramenta que<br \/>se une ao processo de cr\u00e9dito para dar mais seguran\u00e7a\u201d, observa.<br \/>Silvia Abreu, engenheira-agr\u00f4noma da Ger\u00eancia de Apoio \u00e0 Produ\u00e7\u00e3o Vegetal<br \/>do Instituto de Desenvolvimento Agropecu\u00e1rio e Florestal Sustent\u00e1vel do<br \/>Estado do Amazonas (Idam) e coordenadora do Projeto Priorit\u00e1rio do Abacaxi<br \/>em \u00e2mbito estadual, participou da valida\u00e7\u00e3o do Zarc Abacaxi contribuindo com<br \/>informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnico-cient\u00edficas sobre a cultura, especialmente relacionadas ao<br \/>manejo e \u00e0s condi\u00e7\u00f5es edafoclim\u00e1ticas ideais para o cultivo no estado, bem<br \/>como das discuss\u00f5es e ajustes dos resultados, com base na realidade local<br \/>dos produtores e nas observa\u00e7\u00f5es de campo. \u201cConsidero o Zarc uma<br \/>ferramenta fundamental para o planejamento agr\u00edcola, que fortalece a<br \/>seguran\u00e7a alimentar e contribui para a sustentabilidade econ\u00f4mica da<br \/>atividade. Ele ser\u00e1 incorporado \u00e0s a\u00e7\u00f5es de planejamento da produ\u00e7\u00e3o,<br \/>elabora\u00e7\u00e3o de projetos de cr\u00e9dito rural e capacita\u00e7\u00e3o das equipes t\u00e9cnicas,<\/p>\n<p>garantindo que a assist\u00eancia prestada esteja alinhada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es mais<br \/>favor\u00e1veis ao sucesso das lavouras\u201d, informa.<br \/>De acordo com os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e<br \/>Estat\u00edstica (IBGE), o estado do Amazonas ocupa o oitavo lugar na produ\u00e7\u00e3o<br \/>nacional, com destaque para a variedade Turia\u00e7u Amazonas, produzida em<br \/>escala comercial.<br \/>O Zarc Abacaxi pode ser consultado de duas maneiras. Por meio da plataforma<br \/>Painel de Indica\u00e7\u00e3o de Riscos, no site do Mapa, ou pelo aplicativo Zarc Plantio<br \/>Certo, para acesso pelos sistemas operacionais Android e iOS, de forma<br \/>gratuita.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/pecuaria\/brasil-ganha-zoneamento-climatico-do-abacaxi-para-todos-os-municipios\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cultivo de abacaxi em territ\u00f3rio brasileiro acaba de ganhar um refor\u00e7o importante: o primeiro Zoneamento Agr\u00edcola de Risco Clim\u00e1tico<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13634,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-13633","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13633"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=13633"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/13633\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/13634"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=13633"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=13633"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=13633"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}