{"id":12949,"date":"2025-04-27T17:31:40","date_gmt":"2025-04-27T21:31:40","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=12949"},"modified":"2025-04-27T17:31:40","modified_gmt":"2025-04-27T21:31:40","slug":"cientistas-coletam-insetos-em-10-mil-ha-e-esperam-descobrir-novas-especies","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=12949","title":{"rendered":"cientistas coletam insetos em 10 mil ha e esperam descobrir novas esp\u00e9cies"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Uma equipe de 34 pesquisadores passou seis dias na Amaz\u00f4nia, mais precisamente na Esta\u00e7\u00e3o Experimental de Silvicultura Tropical, tamb\u00e9m conhecida como Reserva ZF2 do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa), para coletar esp\u00e9cies de insetos que vivem em uma \u00e1rea de 10 mil hectares da maior floresta tropical do mundo.<\/p>\n<p>A expedi\u00e7\u00e3o, realizada em novembro de 2024, \u00e9 parte de dois projetos: o <strong><a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/113041\/biodiversidade-de-insetos-em-uma-floresta-tropical-amazonica-riqueza-de-especies-estrutura-vertical-\/%5d\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">BioInsecta<\/a><\/strong>, e o \u201c<strong><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/inpa\/pt-br\/sites\/incts\/biodossel\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">BioDossel \u2013 Insetos na copa das \u00e1rvores<\/a><\/strong>\u201c. Ambos buscam revelar e monitorar a diversidade de insetos que ocupam os diferentes estratos acima do solo, at\u00e9 cerca de 30 metros de altura, para a sua conserva\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, a copa das \u00e1rvores (dossel) das florestas tropicais \u00e9 um dos ambientes terrestres ainda menos estudados pela ci\u00eancia. O grupo, composto exclusivamente de entom\u00f3logos (especialistas em insetos), coletou mais de 1.400 amostras, cada uma formada por dezenas a milhares de insetos dos diferentes grupos (ordens).<\/p>\n<p>A empreitada teve como objetivo a coleta da diversidade de insetos que vivem em ambientes espec\u00edficos da floresta, como corpos d\u00b4\u00e1gua e proximidades, no solo, em troncos, perto de plantas espec\u00edficas e at\u00e9 acima da copa das \u00e1rvores. O material foi todo preservado para an\u00e1lises moleculares posteriores em laborat\u00f3rio, o que permitir\u00e1 aumentar a precis\u00e3o e acelerar o trabalho de identifica\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" alt=\"\" class=\"wp-image-4098070\"  data-lazy- src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/cientistas-coletam-insetos-em-10-mil-ha-e-esperam-descobrir.jpg\"\/><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/cientistas-coletam-insetos-em-10-mil-ha-e-esperam-descobrir.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4098070\"  \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Miniest\u00fadio fotogr\u00e1fico improvisado no alojamento da Reserva ZF-2 (<em>foto: Larissa Queiroz<\/em>)<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cEsse material vai demorar um pouco para ser analisado, mas conforme os resultados forem sendo divulgados certamente haver\u00e1 um incremento absurdo de conhecimento sobre a biodiversidade que existe na \u00e1rea\u201d, explica Jos\u00e9 Albertino Rafael, pesquisador do Inpa e coordenador do projeto BioDossel.<\/p>\n<p>Os projetos BioInsecta\/BioDossel dever\u00e3o se tornar um marco de refer\u00eancia em projetos de grande escala de biodiversidade na literatura cient\u00edfica mundial, tanto em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de esp\u00e9cies coletadas\u00a0quanto identificadas e com DNA sequenciado, bem como de novas esp\u00e9cies reveladas. \u00c9 previsto o estudo do material gen\u00e9tico de aproximadamente 500 mil exemplares.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 provavelmente a maior expedi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em termos do n\u00famero de entom\u00f3logos especialistas em diferentes grupos de insetos na Floresta Amaz\u00f4nica, cobrindo cerca de 20 dentre as 28 ordens reconhecidas para o Brasil. Os pesquisadores estimam que metade dos exemplares coletados durante os seis dias de trabalho de campo seja de esp\u00e9cies novas, isto \u00e9, ainda desconhecidas pela ci\u00eancia.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" class=\"wp-image-4098076\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/1745789500_160_cientistas-coletam-insetos-em-10-mil-ha-e-esperam-descobrir.jpg\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/1745789500_160_cientistas-coletam-insetos-em-10-mil-ha-e-esperam-descobrir.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4098076\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">M\u00e9todo de coleta utilizando luz artificial e len\u00e7ol (<em>foto: Larissa Queiroz<\/em>)<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cAlgumas t\u00e9cnicas de coleta recolheram exemplares um a um; e algumas das armadilhas capturaram milhares de exemplares. O n\u00famero de esp\u00e9cimes coletados ainda \u00e9 dif\u00edcil de estimar\u201d, declara Dalton de Souza Amorim, pesquisador da Universidade de S\u00e3o Paulo (<a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/usp\/\">USP<\/a>) em Ribeir\u00e3o Preto, que coordena o projeto BioInsecta.<\/p>\n<p>As armadilhas em cascata s\u00e3o o principal m\u00e9todo de coleta utilizado nos projetos. Consistem em um sistema de cinco armadilhas integradas em uma cascata, que \u00e9 i\u00e7ada at\u00e9 a copa das \u00e1rvores e permanece montada durante 14 meses. <\/p>\n<p>Cada armadilha da cascata tem uma altura de 2 metros, permitindo a coleta dos insetos em cinco estratos ou \u201candares\u201d da floresta \u2013 pr\u00f3ximo ao n\u00edvel do solo (0-2 m); no sub-bosque (7-9 m); e em tr\u00eas estratos do dossel da floresta (14-16 m; 21-23 m; e entre 28-30 m). <\/p>\n<p>Al\u00e9m da composi\u00e7\u00e3o (identidade) e do n\u00famero de esp\u00e9cies, esse sistema de armadilhas tamb\u00e9m permitir\u00e1 revelar pela primeira vez como a diversidade de insetos est\u00e1 distribu\u00edda ou organizada verticalmente na floresta.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"849\" height=\"559\" alt=\"\" class=\"wp-image-4098072\"  data-lazy- src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/cientistas-coletam-insetos-em-10-mil-ha-e-esperam-descobrir.jpg\"\/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"849\" height=\"559\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/cientistas-coletam-insetos-em-10-mil-ha-e-esperam-descobrir.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4098072\"  \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Torre meteorol\u00f3gica na Reserva ZF-2 do Inpa, um dos locais de estudo dos projetos. BioInsecta e BioDossel na Amaz\u00f4nia Central (<em>foto: Craig Cutler, National Geographic<\/em>)<\/figcaption><\/figure>\n<p>As cascatas de armadilhas foram instaladas em julho de 2024 nas tr\u00eas \u00e1reas de estudo e permanecer\u00e3o montadas at\u00e9 setembro de 2025. A cada 14 dias, os locais de estudo s\u00e3o visitados por pesquisadores para a retirada dos esp\u00e9cimes coletados nos cinco estratos. Contagens preliminares apontam uma m\u00e9dia de 59 mil insetos capturados em cada local de estudo a cada 14 dias. Estima-se a coleta de mais de 5,5 milh\u00f5es de exemplares pelas cascatas, al\u00e9m dos esp\u00e9cimes coletados durante a expedi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os pesquisadores se dividiram em equipes que se alternavam em trabalho diurno e noturno, de acordo com o h\u00e1bito (per\u00edodo de atividade) dos insetos do grupo de sua especialidade e\/ou para o uso de armadilhas espec\u00edficas de coleta considerando os micro-habitats ocupados pelos insetos das ordens de interesse \u2013\u00a0por exemplo, besouros (cole\u00f3pteros), percevejos e cigarras (hem\u00edpteros), moscas e mosquitos (d\u00edpteros), abelhas e formigas (himen\u00f3pteros), borboletas e mariposas (lepid\u00f3pteros) etc.<\/p>\n<p>Foram usadas armadilhas de busca ativa diurna e noturna para procurar insetos no solo, na vegeta\u00e7\u00e3o, na \u00e1gua e em suas proximidades. Elas foram instaladas no ambiente e visitadas regularmente ap\u00f3s algumas horas para a coleta dos esp\u00e9cimes capturados.<\/p>\n<p>Os m\u00e9todos de coleta inclu\u00edram redes, armadilhas com iscas e luzes artificiais, al\u00e9m de coleta manual. As t\u00e9cnicas variaram conforme o habitat e o comportamento dos insetos, abrangendo desde esp\u00e9cies aqu\u00e1ticas at\u00e9 insetos noturnos, terrestres e voadores de baixa mobilidade.<\/p>\n<p>Os indiv\u00edduos coletados durante a expedi\u00e7\u00e3o eram levados at\u00e9 o alojamento, onde um imenso laborat\u00f3rio foi improvisado no campo, permitindo a an\u00e1lise preliminar dos esp\u00e9cimes em estereomicrosc\u00f3pio, o registro fotogr\u00e1fico de esp\u00e9cimes vivos e a conserva\u00e7\u00e3o dos exemplares para a an\u00e1lise posterior de DNA, que ser\u00e1 realizada nos laborat\u00f3rios das institui\u00e7\u00f5es-sede (USP e Inpa).<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/nacional\/amazonia-cientistas-coletam-insetos-em-10-mil-ha-e-esperam-descobrir-novas-especies\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipe de 34 pesquisadores passou seis dias na Amaz\u00f4nia, mais precisamente na Esta\u00e7\u00e3o Experimental de Silvicultura Tropical, tamb\u00e9m conhecida<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12950,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-12949","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12949"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=12949"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12949\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/12950"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=12949"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=12949"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=12949"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}