{"id":12319,"date":"2025-04-13T11:56:45","date_gmt":"2025-04-13T15:56:45","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=12319"},"modified":"2025-04-13T11:56:45","modified_gmt":"2025-04-13T15:56:45","slug":"china-e-eua-vao-acabar-negociando-e-agro-do-brasil-pode-sair-perdendo-diz-especialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=12319","title":{"rendered":"China e EUA v\u00e3o acabar negociando e agro do Brasil pode sair perdendo, diz especialista"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/China-e-EUA-vao-acabar-negociando-e-agro-do-Brasil.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Quanto mais se intensificar a guerra tarif\u00e1ria entre <strong><a href=\"http:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/estados-unidos\/\">Estados Unidos<\/a><\/strong> e China, mais pr\u00f3ximos esses pa\u00edses estar\u00e3o de um acordo, o que pode afetar diretamente o agroneg\u00f3cio brasileiro. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 da diretora-executiva da Vallya Agro, Larissa Wachholz, <\/p>\n<p>A especialista j\u00e1 foi assessora especial do Minist\u00e9rio da Agricultura para assuntos relacionados \u00e0 China, durante a gest\u00e3o da ent\u00e3o ministra Tereza Cristina, e tem larga viv\u00eancia no pa\u00eds asi\u00e1tico, onde morou de 2008 a 2013 e para onde volta com frequ\u00eancia. Deve participar, inclusive, de um evento em 23 de abril em Xangai.<\/p>\n<p>A guerra comercial entre as gigantes economias se intensificou nesta semana. Neste momento, as tarifas de importa\u00e7\u00e3o impostas \u00e0 China pelo presidente dos EUA, Donald Trump, est\u00e3o em 125%. J\u00e1 os chineses elevaram as taxas contra os EUA a 84%. Como tal situa\u00e7\u00e3o \u00e9 insustent\u00e1vel, j\u00e1 que ambos os pa\u00edses t\u00eam uma economia extremamente interconectada, Wachholz avalia que em algum momento Washington e Pequim ter\u00e3o de conversar e firmar acordos. E o Brasil, como maior exportador de produtos agropecu\u00e1rios para a China, pode ser diretamente afetado.<\/p>\n<p>Para ela, gr\u00e3os e carnes s\u00e3o os principais produtos que os Estados Unidos poderiam fornecer \u00e0 China \u2013 exatamente os mesmos que o Brasil exporta para l\u00e1. Por isso, recomenda \u201ccautela\u201d ao agroneg\u00f3cio brasileiro neste momento t\u00e3o vol\u00e1til. Embora ela n\u00e3o arrisque dizer quando as negocia\u00e7\u00f5es ocorrer\u00e3o, acredita que a inten\u00e7\u00e3o da China \u00e9 sempre manter um ambiente saud\u00e1vel no com\u00e9rcio global, do qual depende enormemente, tanto para vender quanto para comprar. Por isso a tend\u00eancia seria negociar. <\/p>\n<p>Confira, a seguir, os principais pontos da entrevista.<\/p>\n<p><strong><em>China e Estados Unidos est\u00e3o se sobretaxando pesadamente na guerra tarif\u00e1ria imposta pelo pa\u00eds norte-americano. Na sua vis\u00e3o, at\u00e9 onde isso pode ir e como o agroneg\u00f3cio brasileiro deve ser afetado?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Larissa Wachholz \u2013<\/strong> Isso me preocupa muito. Acho que, quanto mais essa guerra tarif\u00e1ria se intensificar, mais perto Estados Unidos e China ficam de um acordo comercial. Acho ser pouco prov\u00e1vel que a escalada tarif\u00e1ria dure muito tempo. Uma hora esses pa\u00edses ter\u00e3o de se sentar \u00e0 mesa e conversar, j\u00e1 que a economia de ambos \u00e9 extremamente interligada. Sob esta perspectiva, h\u00e1 um potencial de essa negocia\u00e7\u00e3o, caso ocorra, ser prejudicial ao agroneg\u00f3cio brasileiro, na linha do que j\u00e1 vimos em janeiro de 2020, no acordo comercial Fase 1, assinado no primeiro mandato de Donald Trump. O acordo determinava que a China se comprometeria com compras agropecu\u00e1rias dos Estados Unidos, o que n\u00e3o foi cumprido porque logo em seguida entramos na pandemia de covid-19, que desestruturou o com\u00e9rcio global. Agora, em uma \u201creedi\u00e7\u00e3o\u201d da Fase 1, eu diria que o agroneg\u00f3cio estar na mesa de negocia\u00e7\u00f5es \u00e9 algo fundamental. Porque n\u00e3o tem muito para onde correr, em termos do que a China poderia se comprometer a comprar dos Estados Unidos. N\u00e3o \u00e9 que a China n\u00e3o v\u00e1 mais comprar do Brasil, mas ela ter\u00e1 que direcionar determinadas compras para os Estados Unidos. Sob este aspecto, n\u00e3o est\u00e3o mais em jogo a compet\u00eancia, a competitividade e a produtividade brasileiras.<\/p>\n<p><strong><em>Em que setores o agroneg\u00f3cio brasileiro poderia ser mais afetado?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Wachholz \u2013<\/strong> Brasil e Estados Unidos exportam exatamente os mesmos produtos alimentares, ou seja, gr\u00e3os e carnes. Isso nos torna competidores pelos mesmos mercados. E, no atual cen\u00e1rio de guerra tarif\u00e1ria, e com a China figurando como o principal comprador global dessas commodities, a concorr\u00eancia entre Brasil e EUA pode ser um ponto de preocupa\u00e7\u00e3o daqui para a frente.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p><strong><em>Nem o fato de o Brasil figurar, hoje, como principal fornecedor de gr\u00e3os e carnes para a China e ser qualificado como um \u201cparceiro confi\u00e1vel\u201d pelo gigante asi\u00e1tico poderia amenizar eventual impacto sobre exporta\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio daqui para l\u00e1?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Wachholz \u2013<\/strong> Bem, em um acordo comercial, que deve acontecer, n\u00e3o sei se nos pr\u00f3ximos dias ou em um ou dois anos, para que a China compre mais produtos dos Estados Unidos, o agroneg\u00f3cio deve entrar obrigatoriamente nesta negocia\u00e7\u00e3o, inclusive como protagonista. Afinal, o que os americanos poderiam vender para a China? Ou s\u00e3o os produtos com alta tecnologia, que os chineses at\u00e9 querem comprar, mas os EUA n\u00e3o parecem querer vender por temores quanto \u00e0 propriedade intelectual, defesa, etc., ou produtos agropecu\u00e1rios. Com commodities agr\u00edcolas \u00e9 que a China poderia pender a balan\u00e7a mais a favor dos Estados Unidos, em um eventual acordo comercial. \u00c9 o que ela j\u00e1 fez no acordo Fase 1, que n\u00e3o foi levado \u00e0 frente.<\/p>\n<p><strong><em>Por que, na sua vis\u00e3o, Estados Unidos e China em algum momento v\u00e3o sentar para conversar, mesmo no atual cen\u00e1rio de escalada tarif\u00e1ria?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Wachholz \u2013<\/strong> Primeiro, n\u00e3o \u00e9 do interesse dos chineses estarem permanentemente em uma guerra tarif\u00e1ria, j\u00e1 que eles s\u00e3o o principal parceiro comercial de 140 pa\u00edses. Especificamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 China e aos Estados Unidos, estamos falando das duas maiores economias do mundo, e que est\u00e3o muito interconectadas, interligadas. Esses dois pa\u00edses t\u00eam, inclusive, neg\u00f3cios conjuntos e triangulares \u2013 incluindo a\u00ed o Brasil, como as grandes multinacionais do agroneg\u00f3cio global, fornecedores de tecnologia, de sementes, de insumos. De forma geral, essas empresas s\u00e3o globais. Ent\u00e3o, acho muito pouco prov\u00e1vel que eles n\u00e3o cheguem a um acordo.<\/p>\n<p><strong><em>Em que horizonte de tempo voc\u00ea v\u00ea que esta conversa possa come\u00e7ar?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Wachholz \u2013<\/strong> Depende de como \u00e9 que isso vai ser feito, quanto tempo as empresas, sobretudo as norte-americanas, v\u00e3o aceitar essa situa\u00e7\u00e3o sem demonstrarem resist\u00eancia. Acho que isso vai determinar quanto tempo vai durar essa situa\u00e7\u00e3o. Vai depender da sociedade americana, como \u00e9 que ela vai reagir, como ficar\u00e1 a percep\u00e7\u00e3o das pessoas em rela\u00e7\u00e3o ao pre\u00e7o das coisas, a press\u00e3o inflacion\u00e1ria, se vai ou n\u00e3o ser muito forte, o tanto que as pessoas v\u00e3o perceber esses aumentos de custos no dia a dia delas. Em segundo lugar, como as empresas v\u00e3o se comportar, tendo em vista que elas s\u00e3o muito afetadas por toda essa situa\u00e7\u00e3o, o quanto v\u00e3o conseguir mostrar para a administra\u00e7\u00e3o Trump que est\u00e3o sendo prejudicadas, e talvez que indiquem caminhos no sentido de atender \u00e0 demanda de industrializa\u00e7\u00e3o, que os Estados Unidos apresentaram.<\/p>\n<p><strong><em>Se h\u00e1 a perspectiva, no horizonte, de que essas duas pot\u00eancias v\u00e3o se sentar \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00f5es, por que a escalada tarif\u00e1ria est\u00e1 chegando a esses n\u00edveis de retalia\u00e7\u00e3o rec\u00edproca?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Wachholz \u2013<\/strong> Para que um acordo aconte\u00e7a voc\u00ea precisa que as duas partes estejam querendo fazer a mesma coisa. Ent\u00e3o, neste momento, se os EUA aplicam tarifas \u00e0 China, a China precisa responder a isso, porque sen\u00e3o, diante do seu p\u00fablico interno, ela demonstra fraqueza. Como poderia n\u00e3o responder? Mas refor\u00e7o que em algum momento eles v\u00e3o negociar. S\u00f3 acredito que talvez a China n\u00e3o tenha outra op\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque EUA e China t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica muito interligada. Ent\u00e3o, sim, eles teriam o potencial de se prejudicar economicamente, mutuamente. Agora a quest\u00e3o \u00e9, tem interesse de que isso aconte\u00e7a? N\u00e3o, pois a China est\u00e1 preocupada em seguir adiante, em continuar garantindo um crescimento m\u00ednimo para os seus objetivos de desenvolvimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p><strong><em>O que mudou na China desde a primeira guerra comercial com Trump para c\u00e1?<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Wachholz \u2013<\/strong> A situa\u00e7\u00e3o da China hoje \u00e9 muito diferente da que vimos nos primeiros anos do governo Trump. A partir da experi\u00eancia da primeira guerra tarif\u00e1ria com os EUA, os chineses perceberam o quanto eles dependem do com\u00e9rcio internacional para ter uma economia saud\u00e1vel, continuar crescendo, tanto com importa\u00e7\u00e3o quanto com exporta\u00e7\u00f5es. Tanto que ela diversificou compradores e fornecedores, o que reduziu sua depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos. Se na primeira guerra tarif\u00e1ria os EUA eram os principais fornecedores de produtos agropecu\u00e1rios para a China, hoje este lugar est\u00e1 ocupado pelo Brasil, que tem cerca de 20% do market share com os chineses. E as importa\u00e7\u00f5es de produtos norte-americanos pela China caiu para 7%. J\u00e1 15% de tudo o que os EUA importam vem da China. Mas mesmo que a import\u00e2ncia dos Estados Unidos na balan\u00e7a comercial chinesa tenha diminu\u00eddo, ainda h\u00e1 muita complexidade nesta rela\u00e7\u00e3o, as taxas rec\u00edprocas aumentaram e h\u00e1 um emaranhado de rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas que torna muito dif\u00edcil prever exatamente o quanto a China vai perder com tudo isso, quais ser\u00e3o os setores mais afetados.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/economia\/china-e-eua-vao-acabar-negociando-e-agro-do-brasil-pode-sair-perdendo-diz-especialista\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quanto mais se intensificar a guerra tarif\u00e1ria entre Estados Unidos e China, mais pr\u00f3ximos esses pa\u00edses estar\u00e3o de um acordo,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12320,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-12319","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12319"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=12319"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/12319\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/12320"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=12319"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=12319"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=12319"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}