{"id":1217,"date":"2024-09-08T14:37:13","date_gmt":"2024-09-08T18:37:13","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=1217"},"modified":"2024-09-08T14:37:13","modified_gmt":"2024-09-08T18:37:13","slug":"milho-parcialmente-domesticado-e-encontrado-em-cavernas-de-minas-gerais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=1217","title":{"rendered":"Milho parcialmente domesticado \u00e9 encontrado em cavernas de Minas Gerais"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Amostras de milho ainda n\u00e3o totalmente domesticado encontradas em cavernas no Vale do Perua\u00e7u, em <strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/minas-gerais\/\">Minas Gerais<\/a><\/strong>, foram determinadas como as mais distantes j\u00e1 encontradas do centro de origem da planta, o M\u00e9xico. <\/p>\n<p>Os resultados foram divulgados na quarta-feira (4) na revista Science Advances, em trabalho liderado por pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo <strong><a href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\">(USP)<\/a><\/strong> e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria <strong><a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/\">(Embrapa)<\/a><\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-descoberta-feita-longe-do-mexico\">Descoberta feita longe do M\u00e9xico<\/h2>\n<p>A descoberta refor\u00e7a achados do grupo publicados em 2018, na revista <em>Science<\/em>, que mostrava evid\u00eancias gen\u00e9ticas, em plantas atuais, de que o milho poderia ter finalizado sua domestica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Faltava encontrar amostras de indiv\u00edduos semidomesticados no continente, que se revelaram em espigas, palha e gr\u00e3os encontrados em escava\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas realizadas no Vale do Perua\u00e7u em 1994, por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).<\/p>\n<p>\u201cA princ\u00edpio, essas amostras foram consideradas apenas exemplares de milho domesticado que n\u00e3o cresceram o suficiente\u201d, explica a primeira autora do estudo realizado durante doutorado e p\u00f3s-doutorado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP, Flaviane Malaquias Costa.<\/p>\n<p>\u201cA partir da evid\u00eancia gen\u00e9tica de que o processo final de domestica\u00e7\u00e3o poderia ter ocorrido na Am\u00e9rica do Sul, reavaliamos o material e encontramos diversas caracter\u00edsticas em comum com a planta que originou o milho no M\u00e9xico, 9 mil anos atr\u00e1s, e a que chegou no sudoeste da Amaz\u00f4nia, 6 mil anos atr\u00e1s\u201d, completa. <\/p>\n<p>A dist\u00e2ncia do M\u00e9xico para o Vale do Perua\u00e7u \u00e9 de cerca de 7.150 km, enquanto do sudoeste da Amaz\u00f4nia, atuais Rond\u00f4nia e Acre, em torno de 2.300 km. Portanto, as amostras s\u00e3o as mais distantes do centro de origem da planta j\u00e1 encontradas com essas caracter\u00edsticas primitivas.<\/p>\n<p>Embora as evid\u00eancias arqueol\u00f3gicas registrem entre 10 mil e 9 mil anos atr\u00e1s a presen\u00e7a de popula\u00e7\u00f5es humanas no Vale do Perua\u00e7u, o milho parece ter chegado \u00e0 regi\u00e3o apenas cerca de 1.500 anos atr\u00e1s. As amostras da planta semidomesticada encontradas no local v\u00e3o de 1.010 at\u00e9 cerca de 500 anos atr\u00e1s, quando os europeus aportaram no continente.<\/p>\n<p>\u201cIsso mostra a import\u00e2ncia das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas do passado, que selecionaram, manejaram e fixaram caracter\u00edsticas que deram origem \u00e0s ra\u00e7as de milho atuais da Am\u00e9rica do Sul. Seus descendentes continuam realizando esse trabalho ainda hoje, contribuindo para mantermos nossos recursos gen\u00e9ticos\u201d, conta o pesquisador da Embrapa Recursos Gen\u00e9ticos e Biotecnologia e coautor do estudo, F\u00e1bio de Oliveira Freitas.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"600\" alt=\"milho\" class=\"wp-image-4066190\"  data-lazy- src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Milho-parcialmente-domesticado-e-encontrado-em-cavernas-de-Minas-Gerais.jpg\"\/><img decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"600\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Milho-parcialmente-domesticado-e-encontrado-em-cavernas-de-Minas-Gerais.jpg\" alt=\"milho\" class=\"wp-image-4066190\"  \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Flaviane Malaquias Costa<\/figcaption><\/figure>\n<p>A partir da an\u00e1lise de diversas caracter\u00edsticas do milho encontrado nas cavernas no Perua\u00e7u, os pesquisadores determinaram um parentesco com a ra\u00e7a brasileira Entrela\u00e7ado, presente nos estados do Acre e de Rond\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cEsta foi uma das ra\u00e7as que se originaram na Am\u00e9rica do Sul\u00a0a partir da sele\u00e7\u00e3o de outras popula\u00e7\u00f5es, cujas variedades atuais encontramos durante nosso projeto de pesquisa. Nele, rastreamos milhos em v\u00e1rios locais do Brasil e Uruguai\u201d, lembra a professora da Esalq-USP, Elizabeth Ann Veasey, que orientou o doutorado de Costa e coordenou projeto apoiado pela Fapesp.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-fileiras-ancestrais\">Fileiras ancestrais<\/h2>\n<p>Para diferenciar milhos domesticados daqueles que n\u00e3o tiveram esse processo conclu\u00eddo, os pesquisadores examinaram uma s\u00e9rie de marcadores, caracter\u00edsticas morfol\u00f3gicas que ajudam a determinar a dist\u00e2ncia da planta de sua vers\u00e3o selvagem.<\/p>\n<p>Um desses tra\u00e7os \u00e9 o n\u00famero de fileiras de gr\u00e3os, sendo abaixo de oito considerado de uma planta primitiva. Essa \u00e9 a quantidade encontrada no teosinto, esp\u00e9cie forrageira (popularmente conhecida como dente-de-burro) que teria dado origem ao milho no M\u00e9xico cerca de 9 mil anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Enquanto ra\u00e7as de milho atuais de terras baixas na Am\u00e9rica do Sul podem ter de oito a 26 fileiras de gr\u00e3os, as amostras arqueol\u00f3gicas do Perua\u00e7u apresentam entre quatro e seis fileiras. As an\u00e1lises foram realizadas num total de 296 amostras, incluindo espigas, palha e gr\u00e3os.<\/p>\n<p>\u201cFizemos uma viagem no tempo que vai de um passado distante at\u00e9 os dias de hoje, dos vest\u00edgios arqueol\u00f3gicos \u00e0s ra\u00e7as e variedades mantidas e ainda sendo diversificadas pelos povos tradicionais, os protagonistas dessa hist\u00f3ria\u201d, refor\u00e7a Costa.<\/p>\n<p>As amostras agora passam por an\u00e1lises arqueogen\u00e9ticas com parceiros internacionais, realizadas por meio de um conjunto de t\u00e9cnicas de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o que, se bem-sucedidas, poder\u00e3o sequenciar o genoma completo do milho encontrado no Perua\u00e7u e determinar com precis\u00e3o seu parentesco.<\/p>\n<p>As cavernas do Vale do Perua\u00e7u s\u00e3o algumas das poucas no mundo com pinturas rupestres de esp\u00e9cies cultivadas. Al\u00e9m de ilustrado nas paredes, o milho foi encontrado em cestos enterrados, provavelmente como oferenda aos mortos sepultados naqueles s\u00edtios.<\/p>\n<p>A descoberta tamb\u00e9m tem um desdobramento geopol\u00edtico. Uma vez que se estabelece que ra\u00e7as de milho terminaram o processo de domestica\u00e7\u00e3o aqui no Brasil, esses recursos gen\u00e9ticos podem ser considerados n\u00e3o mais ex\u00f3ticos, o que implica a necessidade de esfor\u00e7os para sua conserva\u00e7\u00e3o e direitos em tratados internacionais sobre o tema.<\/p>\n<p>O artigo completo pode ser lido <strong><a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.adn1466\">aqui<\/a><\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/milho-parcialmente-domesticado-e-encontrado-em-cavernas-de-minas-gerais\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amostras de milho ainda n\u00e3o totalmente domesticado encontradas em cavernas no Vale do Perua\u00e7u, em Minas Gerais, foram determinadas como<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1218,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1217","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1217"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1217"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1217\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1218"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1217"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1217"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1217"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}