{"id":10995,"date":"2025-03-15T17:33:12","date_gmt":"2025-03-15T21:33:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=10995"},"modified":"2025-03-15T17:33:12","modified_gmt":"2025-03-15T21:33:12","slug":"apos-enchentes-serra-gaucha-pode-levar-40-anos-para-recuperar-o-solo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=10995","title":{"rendered":"Ap\u00f3s enchentes, Serra Ga\u00facha pode levar 40 anos para recuperar o solo"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Por causa das enchentes de abril e maio do ano passado, a <strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/nacional\/rio-grande-do-sul\/\">Serra Ga\u00facha<\/a><\/strong> perdeu mais de <strong>85%<\/strong> do estoque de carbono no solo de pomares da regi\u00e3o. A reposi\u00e7\u00e3o desse importante nutriente pode demorar de 14 a 40 anos.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o resultados de um estudo divulgado pelo professor de agronomia Gustavo Brunetto, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no semin\u00e1rio RS Resili\u00eancia e Sustentabilidade, realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) na \u00faltima sexta-feira (14). <\/p>\n<p>O evento discutiu temas relativos aos impactos da enchente do ano passado, aspectos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e alternativas de solu\u00e7\u00f5es para encarar o cen\u00e1rio preocupante.<\/p>\n<p>No caso do solo, o professor explicou que as inunda\u00e7\u00f5es devem comprometer o trabalho do produtor rural para que busque fertilidade nas planta\u00e7\u00f5es. Ele contextualizou que as cidades da Serra Ga\u00facha ficaram entre as regi\u00f5es mais afetadas pela chuva em curto espa\u00e7o de tempo.<\/p>\n<p>\u201cIsso estimulou o escoamento da \u00e1gua na superf\u00edcie, a transfer\u00eancia de solo de partes mais altas para partes mais baixas e, com isso, n\u00f3s tivemos importantes consequ\u00eancias e danos\u201d.<\/p>\n<p>Ele explicou que o primeiro dano foi a perda de solo, especialmente da camada superficial, j\u00e1 que nem toda a \u00e1gua conseguiu infiltrar.<\/p>\n<p>\u201cPor isso, n\u00f3s tivemos perda de nutrientes que normalmente est\u00e3o no solo e que s\u00e3o fontes para as plantas, para que elas consigam crescer, produzir e ter um produto de qualidade\u201d, contextualizou.<\/p>\n<p>Parte da mat\u00e9ria org\u00e2nica e dos nutrientes foram para partes baixas do relevo e tamb\u00e9m, em alguns casos, em \u00e1guas superficiais.<\/p>\n<p>\u201cNo futuro, isso poder\u00e1 gerar contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua. Esse dano ocorreu em virtude do excesso de precipita\u00e7\u00e3o. Tivemos perda de solo em \u00e1reas n\u00e3o cultivadas e tamb\u00e9m em \u00e1reas cultivadas\u201d.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-aumento-de-custos\">Aumento de custos<\/h2>\n<p>Ele avaliou, pelo estudo feito na cidade de Bento Gon\u00e7alves, por exemplo, que houve tamb\u00e9m a diminui\u00e7\u00e3o dos teores de f\u00f3sforo nas \u00e1reas de deslizamento.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>\u201cSe as \u00e1reas que foram degradadas pelo excesso de chuva forem incorporadas novamente \u00e0 agricultura, o produtor vai ter que comprar mais fertilizante. Com isso ele vai ter um aumento, provavelmente, do seu custo na propriedade\u201d.<\/p>\n<p>A perda de f\u00f3sforo, como observou Brunetto, pode gerar a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua. \u201cN\u00f3s tivemos uma perda da mat\u00e9ria org\u00e2nica do solo. Com isso n\u00f3s perdemos uma fonte importante que vai disponibilizar nutrientes para as plantas.\u201d<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-solucoes-para-o-retorno-do-cultivo\">Solu\u00e7\u00f5es para o retorno do cultivo<\/h2>\n<p>O professor da UFSM identifica que, para repor nutrientes, \u00e9 necess\u00e1rio conhecimento e investimento. Ele disse que s\u00e3o necess\u00e1rias estrat\u00e9gias para que, no futuro, quando isso acontecer novamente, haja possibilidade de minimizar esse problema. Inclusive, ele aponta ser necess\u00e1rio haver o nivelamento do solo para que o produtor consiga novamente cultivar a sua \u00e1rea.<\/p>\n<p>O pesquisador reitera que o caminho \u00e9 utilizar t\u00e9cnicas reconhecidas e aceitas na \u00e1rea da agronomia, como a <strong>calagem<\/strong> (pr\u00e1tica para corrigir a acidez, neutralizar o alum\u00ednio e fornecer c\u00e1lcio e magn\u00e9sio) e aduba\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso executarmos o uso de plantas de cobertura que podem ser utilizadas\u201d<\/p>\n<p>Ele defendeu pr\u00e1ticas de manejo chamadas de conservacionistas para recupera\u00e7\u00e3o dos estragos das enchentes. Al\u00e9m do uso de plantas de cobertura, uso de terra\u00e7os em \u00e1reas, por exemplo, de culturas frut\u00edferas perenes. \u201c\u00c9 uma forma de reter a \u00e1gua, estimular a infiltra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, diminuir a perda de \u00e1gua e de solo.\u201d<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-impacto-social-das-enchentes\">Impacto social das enchentes<\/h2>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"772\" alt=\"enchentes Rio Grande do Sul\" class=\"wp-image-4091252\"  data-lazy- src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Apos-enchentes-Serra-Gaucha-pode-levar-40-anos-para-recuperar.png\"\/><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"772\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Apos-enchentes-Serra-Gaucha-pode-levar-40-anos-para-recuperar.png\" alt=\"enchentes Rio Grande do Sul\" class=\"wp-image-4091252\"  \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Rafa Neddermeyer\/ Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p>Al\u00e9m do diagn\u00f3stico sobre o solo, o evento apontou outros impactos, como o social. O professor de economia Gibran Teixeira, da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), explicou que as enchentes no estado deixaram um desastre que requer pol\u00edticas p\u00fablicas diante das perdas de postos de trabalho e queda de arrecada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia, ele exemplificou que, nos munic\u00edpios com apenas <strong>10%<\/strong> da popula\u00e7\u00e3o afetada, houve uma perda de quatro empregos a cada mil habitantes, al\u00e9m de queda salarial e de assist\u00eancia de sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u201cQuanto maior for a exposi\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio \u00e0 \u00e1rea de inunda\u00e7\u00e3o, mais h\u00e1 perdas de emprego formal, queda na arrecada\u00e7\u00e3o municipal, aumento de casos de leptospirose, redu\u00e7\u00e3o de visitas e toda assist\u00eancia b\u00e1sica em sa\u00fade\u201d, diz o professor.<\/p>\n<p>Nas cidades com maior n\u00edvel de exposi\u00e7\u00e3o (com mais de <strong>50%<\/strong> da popula\u00e7\u00e3o afetada), houve o maior volume de queda de empregos formal, de admiss\u00f5es, e, por consequ\u00eancia, maior diminui\u00e7\u00e3o de ICMS.<\/p>\n<p>\u201cParalisou praticamente a economia do estado e principalmente esses munic\u00edpios que tiveram um maior n\u00edvel de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 inunda\u00e7\u00e3o\u201d, ressaltou.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/nacional\/apos-enchentes-serra-gaucha-pode-levar-40-anos-para-recuperar-o-solo\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por causa das enchentes de abril e maio do ano passado, a Serra Ga\u00facha perdeu mais de 85% do estoque<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10996,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-10995","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10995"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10995"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10995\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10996"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10995"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10995"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10995"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}