domingo, maio 24, 2026

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Exportações de soja dos EUA crescem



Esse movimento nas exportações ocorreu paralelamente à melhora no clima



Esse movimento nas exportações ocorreu paralelamente à melhora nas condições climáticas
Esse movimento nas exportações ocorreu paralelamente à melhora nas condições climáticas – Foto: Divulgação

Segundo dados do Departamento de Análise da TF Agroeconômica, com base no relatório semanal do USDA divulgado em 25 de abril, as vendas norte-americanas de soja para a safra 2024/25 somaram 428,2 mil toneladas na semana encerrada em 24 de abril, um aumento de 55% em relação à semana anterior. A China liderou as compras com 139,4 mil toneladas, mesmo em meio a tensões comerciais. Também foram reportadas vendas de 50 mil toneladas para a safra 2025/26, destinadas integralmente ao México.

Esse movimento nas exportações ocorreu paralelamente à melhora nas condições climáticas no cinturão agrícola dos EUA. A área com algum nível de seca foi reduzida de 21% para 15%, conforme dados atualizados pelo USDA, refletindo o impacto positivo das recentes chuvas. A expectativa é de que o cenário climático continue pressionando os preços para baixo, em razão da boa oferta prevista.

Enquanto isso, os preços pagos ao produtor brasileiro tiveram comportamentos variados. No Rio Grande do Sul, por exemplo, houve alta em Campo Novo (R$ 127,00/saca) e Chapada (R$ 127,00), mas quedas em Cruz Alta (R$ 124,00) e Santa Rosa (R$ 123,00). Em Mato Grosso do Sul, Ponta Porã apresentou alta de 3,42%, enquanto em Maracaju e Dourados os preços subiram 1,67%. A maior valorização ocorreu em Luís Eduardo Magalhães (BA), com alta de 6,47%.

No cenário internacional, crescem rumores de reaproximação entre EUA e China nas negociações comerciais. Após negativas chinesas às falas de Donald Trump, fontes próximas ao governo chinês afirmaram que a administração norte-americana teria buscado contatos para aliviar a tensão tarifária. Essa possível trégua pode influenciar positivamente os volumes exportados e os preços internacionais da soja nos próximos meses.

 





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Milho fecha de forma mista em Chicago



O cenário atual demonstra uma disputa entre fundamentos de alta e baixa



Milho segue sustentado pelo bom ritmo das exportações norte-americanas
Milho segue sustentado pelo bom ritmo das exportações norte-americanas – Foto: Agrolink

Segundo a TF Agroeconômica, o mercado futuro de milho na Bolsa de Chicago (CBOT) encerrou a quinta-feira com cotações mistas, influenciado pela combinação de uma demanda externa robusta e pelas condições climáticas favoráveis nos Estados Unidos, que reforçam a possibilidade de uma safra recorde no país. O contrato de maio, utilizado como referência para a safra de verão brasileira, recuou 0,64%, ou -3,00 cents/bushel, fechando a US\$ 464,25. Já o contrato de julho caiu 0,68%, ou -3,25 cents/bushel, encerrando o dia a US\$ 472,25.

Apesar da leve queda nos preços, segundo a consultoria, o milho segue sustentado pelo bom ritmo das exportações norte-americanas. Na comparação semanal, as vendas externas caíram 12%, mas continuam elevadas. O México se destacou como principal comprador, sendo responsável por uma parcela significativa das aquisições para as safras 2024/25 e 2025/26, evidenciando o avanço nas negociações comerciais com os EUA. Essa demanda consistente atua como fator de suporte para os preços em meio à expectativa de maior oferta.

O cenário atual demonstra uma disputa entre fundamentos de alta e baixa: de um lado, a força das exportações e os acordos comerciais; de outro, a previsão de uma colheita abundante, que pode pressionar o mercado nos próximos meses. Os investidores permanecem atentos à evolução do clima no cinturão do milho americano e aos desdobramentos das negociações com países compradores, especialmente o México, que deve continuar como peça-chave na demanda internacional por milho dos EUA. As informações foram divulgadas nesta manhã.

 





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Coreia do Sul zera tarifa para cota de 10 mil t do Brasil



O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou que a Coreia do Sul isentou a tarifa de importação sobre uma cota de 10 mil toneladas de carne suína congelada do Brasil — com exceção do corte “barriga”. Até então, o produto brasileiro era taxado em 25%.

Segundo o Mapa, a medida representa um avanço nas tratativas bilaterais e fortalece o acesso da carne suína nacional a um dos mercados mais relevantes da Ásia. A decisão coreana foi comemorada pelo setor produtivo brasileiro.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebrou o anúncio e destacou a importância do gesto sul-coreano para a ampliação das exportações brasileiras. “O estabelecimento de uma cota isenta é um sinal importante para os avanços das exportações brasileiras de carne suína para a Coreia do Sul, conquistada pelo Ministério da Agricultura”, afirmou o presidente da entidade, Ricardo Santin, em nota.

Santin também ressaltou que a negociação está relacionada ao reconhecimento sanitário de estados brasileiros livres de febre aftosa sem vacinação. Até o momento, apenas Santa Catarina tem autorização para exportar carne suína à Coreia do Sul, por ser o único estado com esse status oficialmente reconhecido. Contudo, há expectativa de ampliação do acesso para outras regiões, como Paraná e Rio Grande do Sul.

A Coreia do Sul ocupa a 16ª posição entre os destinos das exportações brasileiras de carne suína. No primeiro trimestre de 2025, o país importou 3,7 mil toneladas do produto nacional. Com consumo per capita de aproximadamente 29 quilos por ano, os sul-coreanos são o quarto maior mercado global para carne suína. Em 2024, o volume total importado pelo país chegou a 785 mil toneladas, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).



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México impulsiona mercado do milho



Por outro lado, fatores baixistas também estiveram presentes



Por outro lado, fatores baixistas também estiveram presentes
Por outro lado, fatores baixistas também estiveram presentes – Foto: Divulgação

Segundo análise da TF Agroeconômica, o mercado do milho ganhou impulso nesta semana com destaque para o aumento das compras do México, que já adquiriu 20,3 milhões de toneladas do grão norte-americano no ciclo 2024/2025. Esse volume representa 35% das exportações totais de milho dos Estados Unidos e mostra um crescimento de 5% em relação ao mesmo período do ano passado, reforçando a importância estratégica da relação comercial entre os dois países para a sustentação dos preços.

O cenário altista foi reforçado por declarações da presidente mexicana Claudia Sheinbaum Pardo, que relatou uma “conversa muito positiva” com o ex-presidente Donald Trump sobre a melhoria da balança comercial bilateral. Sheinbaum afirmou que os secretários da Fazenda, Tesouro, Economia e Comércio de ambas as nações continuarão negociando para avançar em temas pendentes que beneficiem economicamente os dois lados, o que pode intensificar ainda mais as importações mexicanas.

Além disso, o relatório semanal do USDA revelou que as exportações americanas de milho seguem firmes, com vendas de 1.014.400 toneladas para a safra 2024/2025 — número dentro do esperado pelo mercado. O México liderou as compras com 451.400 toneladas. Também houve destaque para negociações da safra 2025/2026, que surpreenderam positivamente com 244,7 mil toneladas, das quais 184,7 mil foram destinadas ao México.

Por outro lado, fatores baixistas também estiveram presentes. O USDA informou uma melhora nas condições climáticas para as lavouras americanas, reduzindo de 26% para 20% a área com algum nível de seca. Além disso, na Argentina, a colheita de milho segue em ritmo lento, com os produtores priorizando a soja. Mesmo assim, os contratos futuros de milho em Chicago registraram leve alta: setembro fechou em US\$ 172,14 e dezembro em US\$ 176,07 por tonelada.

 





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Agrishow 2025 tem aumento de 7% nas intenções de negócios



A Agrishow 2025, que termina nesta sexta-feira (2), em Ribeirão Preto (SP), alcançou o maior volume em intenções de negócios no setor de máquinas e implementos agrícolas de suas 30 edições. De acordo com os organizadores, foram registrados R$ 14,6 bilhões, o que representa um aumento de 7% em relação a 2024, quando as intenções de negócios chegaram a R$ 13,6 bilhões.

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O presidente da feira, João Carlos Marchesan, afirma que o a concretização desse volume de vendas só ocorrerá se o novo Plano Safra for robusto e com juros compatíveis à necessidade do setor.

A Agrishow também alcançou número recorde de visitantes, de197 mil pessoas. A organização informou que os ingressos se esgotaram previamente na maioria dos dias do evento.

Os destaques da feira foram tecnologias com soluções de inteligência artificial e a presença de expositores e visitantes da agricultura familiar.

Em 2026, a Agrishow acontece entre 27 de abril e 1º de maio.



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Trigo fecha de forma mista em Chicago



A situação mais crítica ocorre no leste da Dakota do Norte



A situação mais crítica ocorre no leste da Dakota do Norte
A situação mais crítica ocorre no leste da Dakota do Norte – Foto: Divulgação

Segundo análise da TF Agroeconômica, o mercado de trigo nos Estados Unidos encerrou a quinta-feira (25) com comportamentos mistos, refletindo as condições climáticas variáveis e uma demanda ainda enfraquecida para a safra 2025/26. O contrato de maio do trigo brando (SRW) em Chicago, referência para exportadores brasileiros, teve leve alta de 0,44% (ou +2,25 cents/bushel), fechando a US\$ 515,25. Já o contrato de julho subiu 0,05% (ou +0,25 cents), encerrando a US\$ 531,00. Em Kansas, o trigo duro (HRW) subiu 0,34%, cotado a US\$ 516,00. Em Minneapolis, o trigo de primavera (HRS) fechou a US\$ 616,50, com alta de 0,41%.

A TF destaca que a melhora no balanço hídrico em regiões produtoras do trigo duro, especialmente em Kansas, ainda não é suficiente para inverter a pressão negativa. Por outro lado, Chicago teve leve recuperação puxada por compras de oportunidade, apesar do consumo internacional continuar abaixo do esperado. Minneapolis também registrou alguma melhora em áreas secas, mas ainda enfrenta preocupações com o déficit hídrico persistente.

A situação mais crítica ocorre no leste da Dakota do Norte, principal região produtora de trigo durum. Mesmo após chuvas nas Grandes Planícies, o USDA reduziu a área sob seca para o trigo de primavera de 49% para 37%. Porém, a área afetada por seca no trigo durum aumentou de 85% para 86%, número bastante superior aos 29% registrados no mesmo período de 2024.

Esse cenário reforça a volatilidade no mercado internacional do trigo, com oscilações diárias influenciadas diretamente pelas condições climáticas nas principais regiões produtoras dos EUA, ao mesmo tempo em que a demanda global permanece fragilizada.

 





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Um ano após a tragédia no RS, produtores rurais estão esquecidos



Passado um ano da maior catástrofe climática da história recente do Rio Grande do Sul, o Brasil parece ter virado a página — mas não os gaúchos. Para milhares de produtores rurais que resistiram heroicamente a três secas consecutivas e foram, logo depois, arrasados por enchentes devastadoras, a dor permanece crua, viva e — pior — ignorada.

As imagens de lavouras submersas, casas destruídas e famílias desalojadas comoveram o país. Mas a comoção não se transformou em ação. Promessas do governo federal inundaram os discursos, mas não chegaram à terra. O que chegou, para muitos, foi a falência. Estima-se que as dívidas dos produtores rurais gaúchos ultrapassem R$ 100 bilhões. E enquanto a conta cresce, o crédito some. Sem acesso a financiamento, sem garantias, sem estrutura, milhares estão abandonando o campo e migrando para a rede de proteção social — algo que, para quem sempre produziu com as próprias mãos e com o suor do rosto, é um golpe na alma.

Propriedades que tinham um valor alto por hectare não valem nem 10% e áreas ociosas, antes arrendadas, se multiplicam por regiões produtivas importantes. E talvez o mais preocupante: o psicológico abalado que tem elevado índices de suicidio no meio rural. O próprio estado depende do agronegócio para se manter economicamente saudável e viável. 

O setor primário acumula cerca de 40% da fatia do PIB gaúcho e nas pequenas cidades chega a ser 80% ou mais. Uma roda que gira quando o produtor faz compras em agropecuárias, supermercados, lojas de roupas. Uma roda que só gira se tiver recurso para investir na propriedade e esta lhe gerar lucro para gastar na cidade.

É cruel ver que o mesmo produtor gaúcho, que um dia subiu em caminhões e desbravou o Cerrado para transformar o Centro-Oeste na maior fronteira agrícola do mundo, agora mendiga atenção do Estado. Esse mesmo povo, que sempre respondeu com trabalho à adversidade, agora se vê às margens de um sistema que só o aplaude quando convém politicamente — mas que vira o rosto quando precisa agir com responsabilidade, reconhecimento e justiça.

O abandono do produtor rural do Rio Grande do Sul não é apenas uma falha de política pública. É uma traição moral. É esquecer quem alimenta o Brasil, quem gera riqueza, quem sustenta empregos. E, acima de tudo, é ignorar a história de um povo que sempre esteve à frente, nunca à margem.

É hora de o país acordar. O Rio Grande do Sul não precisa de discursos. Precisa de crédito, de infraestrutura, de apoio psicológico, de reconstrução. Precisa de ação. O Brasil deve isso aos gaúchos. Por moral. Por reconhecimento. Por justiça.


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Ministro do Desenvolvimento Agrário quer antecipar debate sobre o Plano Safra



O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, quer acelerar as conversas entre o governo federal e representantes do agronegócio em torno do Plano Safra 2025/26. A declaração foi feita nesta sexta-feira (2), durante o último dia da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).

Teixeira afirmou que o governo está preparando o debate sobre o próximo Plano Safra e defendeu que ele seja robusto, a fim de garantir ao agricultor acesso a recursos técnicos para a melhoria e modernização da produção agrícola nacional.

O ministro estava acompanhado de representantes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e de organizadores da feira. Ele disse que conversou com membros das duas instituições e que pretende dialogar com os ministros – incluindo os representantes do agronegócio – sobre a elaboração do Plano Safra 2025/26 o quanto antes.

“Conversei com a direção da Abimaq e também com a direção da Agrishow para que possamos ir a Brasília falar com os ministros, a fim de não deixar essa conversa para junho, mas iniciá-la já em maio, discutindo como viabilizar os recursos de financiamento para o agricultor”, declarou.

Para João Marchesan, presidente da Agrishow, a agricultura familiar merece destaque pela sua importância para o agronegócio brasileiro, pois “é uma prática cuja relevância tem sido cada vez maior para a alimentação e para a economia do nosso país”.

O vídeo completo com a fala do ministro Paulo Teixeira está disponível em nosso canal no YouTube.



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Adjuvantes agrícolas ganham selo de qualidade



O Selo de Funcionalidade é parte importante de um processo”



O Selo de Funcionalidade é parte importante de um processo"
O Selo de Funcionalidade é parte importante de um processo” – Foto: Pixabay

Diferentemente dos defensivos agrícolas, os adjuvantes utilizados na pulverização de lavouras não passam por processos obrigatórios de registro no Brasil. Essa lacuna regulatória pode representar riscos à qualidade dos produtos adquiridos pelos agricultores, segundo avaliação do pesquisador Hamilton Ramos, diretor do Centro de Engenharia e Automação (CEA) do Instituto Agronômico (IAC), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Para preencher essa brecha e oferecer maior segurança ao setor de adjuvantes, o CEA-IAC criou o Selo Oficial de Funcionalidade para Adjuvantes Agrícolas, iniciativa do Programa Adjuvantes da Pulverização, que já soma 17 anos de atuação. O selo funciona como uma chancela de qualidade emitida após rigorosa avaliação técnica. Segundo Ramos, mais de 40 empresas já participam da iniciativa, com mais de 100 marcas de adjuvantes submetidas aos testes conduzidos no laboratório avançado do centro, em Jundiaí (SP).

“Associado a um defensivo agrícola de alta tecnologia, um adjuvante de má-qualidade resulta em perdas relacionadas aos investimentos do produtor no controle de pragas, doenças e invasoras. Todos os testes e pesquisas atrelados ao selo de funcionalidade ocorrem no laboratório avançado do CEA-IAC localizado na cidade de Jundiaí. O Selo de Funcionalidade é parte importante de um processo que no médio prazo visa a auxiliar o estabelecimento de normas que ancorem um sistema oficial de certificação, unificado, para tais produtos”, comenta o diretor do Centro de Engenharia e Automação (CEA).

 





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pressões externas e o desafio da competitividade na safra 25/26


O Brasil, que se destaca na produção mundial de alimentos e commodities agrícolas, com
números expressivos de produtividade e exportação, encontra uma controvérsia quando se trata dos insumos utilizados nas lavouras, especialmente os fertilizantes. Se, por um lado, a agricultura nacional avança e utiliza cada vez mais recursos para se manter altamente produtiva, a demanda crescente por fertilizantes agrava a nossa necessidade por importações desse produto crucial.

Em 2024, o país importou um volume recorde de 42 milhões de toneladas de fertilizantes
minerais, e 2025 caminha para mais um ano de forte demanda pelo Brasil, que é consolidado como maior importador mundial do insumo. A produção interna, limitada por fatores que vão desde a geologia, falta de matérias-primas, até a histórica falta de incentivos à indústria nacional, supre menos de 15% da nossa demanda.

Essa dependência nos torna vulneráveis às condições do mercado internacional, com oscilações cambiais, reduções de oferta e concorrência com outros importantes compradores, como a Índia.

Nesse contexto, a tomada de preços pelo Brasil se sujeita aos acontecimentos nos principais países produtores e consumidores de fertilizantes, com as tensões geopolíticas e incertezas econômicas globais sendo desafiadoras.

Além da dependência externa e preços altos, o setor de fertilizantes no Brasil tem enfrentado
gargalos financeiros. Desde a pandemia, a indústria, distribuidores, importadores e principalmente o agricultor, vêm encontrando dificuldades com margens reduzidas e preços instáveis. Diversos fornecedores tiveram prejuízos após comprarem volumes a preços elevados em 2022, diante da guerra entre Rússia e Ucrânia, sem conseguir repassar esses custos com o posterior recuo dos preços.

Simultaneamente, quebras de safras e a desvalorização nas cotações de algumas commodities agrícolas prejudicaram os agricultores, gerando inadimplência. Os juros elevados agravaram ainda mais o cenário, aumentando o endividamento e o risco ao tomar crédito ou fazer compras antecipadas. Como consequência, diversas empresas misturadoras de fertilizantes entraram com pedidos de recuperação judicial.

Com os preparativos para a safra 2025/26 se intensificando, o aumento no custo de produção impulsionado pelos preços dos fertilizantes preocupa. O maior impacto tem sido em relação aos fosfatados, uma vez que a China mantém a política de restrição das exportações, gerando um déficit significativo de volumes disponíveis. Além disso, a indústria de baterias de veículos elétricos passou a competir com a indústria de fertilizantes por matérias-primas para obtenção de fósforo. Esses fatores de oferta somados à necessidade do Brasil e da Índia de voltarem às compras devido à escassez dos estoques, fizeram com que o MAP atingisse, no fim de abril, o maior patamar desde o início do conflito entre Rússia e Ucrânia em 2022: US$ 700/t CFR, após meses em estabilidade entre US$ 620 e US$ 640/t CFR.

Assim, a adubação fosfatada pesará nos custos de produção da próxima safra, com a disponibilidade de fertilizantes à base de fósforo limitada.

O preço do cloreto de potássio, por sua vez, atingiu fundo em novembro de 2024 e subiu diante da forte demanda brasileira e da redução nas taxas de operação de indústrias no Canadá e na Rússia. Desde então, os valores escalaram e quem adiantou os volumes conseguiu uma vantagem competitiva.

Já o preço da ureia segue volátil, influenciado por licitações indianas, custo do gás natural e demanda brasileira, que no momento está lenta, mas deve retornar com força no segundo semestre para a reposição de estoques para a segunda safra.

O cenário da safra 2025/26 é de incertezas na tomada de decisão, o que pode causar atrasos
nas compras e concentrar a demanda nas vésperas do plantio. A disponibilidade de volumes e a eficiência logística serão fatores decisivos no segundo semestre. Quanto aos preços, o dólar em queda pode trazer algum alívio, mas os patamares deverão seguir elevados.

Todos esses desafios demonstram o dilema brasileiro em ser uma potência agrícola, mas ter fragilidades no setor de fertilizantes – insumo essencial para a produtividade da lavoura e sustentabilidade do sistema agrícola, e que representa grande parte do custo de produção. Fica claro, portanto, a necessidade de ampliar a produção nacional, estabelecer parcerias estratégicas e adotar tecnologias e informações estratégicas que minimizem essa vulnerabilidade.

Para garantir a assertividade nos negócios e lucratividade no campo, o planejamento, a gestão de risco e a inteligência de mercado são indispensáveis.

*Maísa Romanello, engenheira agrônoma e especialista em fertilizantes pela Safras & Mercado, é responsável por monitorar indicadores, preços e estatísticas do setor, além de identificar tendências e elaborar análises estratégicas


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