Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.
No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta a trégua comercial entre EUA e China, que impulsionou bolsas globais e levou o Nasdaq a entrar em bull market — quando o mercado mostra tendência de alta consistente. O dólar subiu 0,52%, a R$ 5,68, enquanto o Ibovespa avançou 0,04%, com apoio das exportadoras. Hoje, o foco está no IPC dos EUA e na Ata do Copom, que deve adotar tom mais cauteloso diante do cenário externo e fiscal.
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Foto: Canva
A cultura da cana-de-açúcar em Goiás tem avançado com a incorporação de tecnologias voltadas à mecanização e ao uso de bioinsumos, conforme destaca o boletim Agro em Dados de maio, divulgado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás. O estado tem se consolidado como um dos polos mais desenvolvidos na produção dessa cultura no país.
Além de ser base para a produção de açúcar e etanol, a cana-de-açúcar gera subprodutos e resíduos que têm sido aproveitados para fins como a geração de energia elétrica, fabricação de ração animal e produção de fertilizantes agrícolas.
O boletim indica que a cultura se adapta bem a regiões tropicais, com temperaturas entre 24°C e 30°C e precipitação anual entre 1.200 e 1.500 milímetros, desde que bem distribuída. “Solos profundos, bem drenados e com pH entre 5,5 e 6,5 são condições essenciais para o desenvolvimento da planta”, informa o documento.
Segundo o levantamento, a adaptabilidade da cana a diferentes tipos de solo, aliada à rusticidade da planta, contribui para sua presença em diversas regiões do país. Em Goiás, a modernização das lavouras tem se intensificado. “Os produtores têm investido na mecanização e no uso de biofertilizantes e agentes de controle biológico, especialmente em áreas de renovação de canaviais”, aponta o boletim.
As práticas adotadas visam manter o equilíbrio microbiológico do solo e controlar pragas, reduzindo a dependência de defensivos químicos. O uso desses recursos tem promovido ganhos em produtividade e aumentado a longevidade dos canaviais, ao mesmo tempo em que atende à demanda por uma produção agrícola mais sustentável.
O cultivo de abacaxi em território brasileiro acaba de ganhar um reforço importante: o primeiro Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) da cultura com abrangência nacional.
A nova ferramenta, publicada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em 13 de fevereiro, orienta produtores de todos os municípios do país sobre as melhores condições de plantio, com base em dados científicos e históricos.
Desenvolvido pela Embrapa, o novo Zarc atualiza e amplia a versão anterior, de 2012, e traz melhorias que prometem aumentar a produtividade e diminuir riscos, especialmente em regiões vulneráveis, como o Semiárido.
Classificação em níveis de risco
A nova versão traz três atualizações importantes. Uma delas é a classificação em três níveis de risco (20%, 30% e 40%) associados às fases de desenvolvimento de frutos, desde a floração, passando pela frutificação, até a colheita, sendo 40% o risco máximo aceitável para o cultivo.
Com isso, são gerados calendários de plantio que indicam quando e onde a cultura pode ser mais produtiva e ter mais sucesso.
O engenheiro-agrônomo Mauricio Coelho, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA), responsável técnico e coordenador do Zarc Abacaxi, ressalta que os riscos são importantes em diferentes períodos de desenvolvimento da cultura. Por isso, resolve-se utilizar critérios para quatro fases de crescimento:
Fase 1: implantação e o desenvolvimento inicial da planta;
Fase 2: crescimento vegetativo;
Fase 3: indução floral e início de frutificação; e
Fase 4: desenvolvimento do fruto até a colheita
Outra novidade é a categorização das classes de água disponível do solo, variando de 1 a 6, e não mais de 1 a 3.
“A variação de 34 a 184 milímetros por metro de profundidade, dependendo da textura do solo, representa melhor os tipos de solos existentes no Brasil. Essas classes de solo têm a ver com o armazenamento de água, essa capacidade afeta muito o risco climático”, ressalta o cientista.
Segundo ele, quanto menor for essa ‘caixa d’água’, mais acentuado vai ser o risco, a depender do solo. “Se houver tendência de acúmulo prolongado de água no solo, também será um dos problemas da cultura justamente o excesso de água. Áreas com encharcamento não são recomendadas para o cultivo do abacaxi”, esclarece Coelho.
Em relação à temperatura do ar, locais com probabilidades de geadas frequentes e plantios localizados em altitude superior a mil metros também foram considerados de risco climático elevado.
Outro avanço importante da nova versão é que, pela primeira vez, o sistema considera as exigências das principais variedades plantadas no Brasil, que foram divididas em dois grupos:
‘Pérola’, ‘Turiaçu’ e ‘Smooth Cayenne’ (grupo 1, mais rústico)
‘BRS Imperial’ (grupo 2, mais sensível aos estresses ambientais e que requer um cuidado maior no cultivo).
A portaria do Zarc Abacaxi obriga que, no estabelecimento de novas áreas com novas variedades devem ser utilizadas mudas produzidas em viveiros credenciados em conformidade com a Legislação Brasileira sobre Sementes e Mudas (Lei nº 10.711, de 5 de agosto de 2003, e Decreto nº5.153, de 23 de agosto de 2004).
Redução de riscos na cultura do abacaxi
Foto: Alessandra Vale
O engenheiro-agrônomo Hugo Borges Rodrigues, coordenador-geral de risco agropecuário do Departamento de Gestão de Riscos da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agrisultura (Mapa), destaca que a atualização do Zarc Abacaxi é de grande relevância para a pasta, visto que integra o esforço contínuo de modernização das ferramentas de gestão de riscos agropecuários.
“Sua atualização reforça o compromisso do Mapa e da Embrapa com a sustentabilidade e a resiliência da produção agrícola nacional”, afirma.
“O principal benefício para o produtor que segue as orientações do Zarc é a redução do risco climático no cultivo, já que a ferramenta indica os períodos mais favoráveis ao plantio com base em critérios técnicos e científicos”, ressalta.
Além disso, conforme Rodrigues, o cumprimento das recomendações do Zarc é condição para o acesso a importantes políticas públicas de gestão de riscos, como o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
Atualização dos dados meteorológicos
O pesquisador da Embrapa Agricultura Digital (SP) e coordenador da Rede Zarc Embrapa, Eduardo Monteiro, destaca as mudanças no novo zoneamento, em especial as ligadas à base de dados meteorológicos. “Agora são considerados os dados meteorológicos atualizados até 2022, incluindo, portanto, dados bem mais recentes em relação ao zoneamento antigo”, salienta.
A base de dados meteorológicos é composta por séries históricas obtidas a partir das redes de estações terrestres, meteorológicas e pluviométricas convencionais e automáticas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
O pesquisador Domingo Haroldo Reinhardt, que coordena as pesquisas com abacaxi na região de Itaberaba – principal produtor de abacaxi do estado da Bahia – e faz parte da equipe técnica do Zarc, ratifica as melhorias da ferramenta: “A metodologia foi bastante aprimorada, principalmente quanto aos níveis de capacidade de armazenamento de água, ainda mais para a região semiárida, como é o caso de Itaberaba, onde existem variações grandes dentro do mesmo município. Sem dúvida, o produtor novo deve recorrer ao Zarc, assim como aquele produtor que quer investir em novas áreas de plantio”.
Validação dos produtores
Pela primeira vez, o Zarc Abacaxi ganhou uma importante fase: a validação junto a produtores, técnicos e representantes da cadeia produtiva. Duas reuniões foram realizadas via internet com participantes das regiões Norte e Nordeste e da região Centro-Sul, respectivamente.
“Nós trabalhamos em um modelo que vai ser aplicado em todo o país, por isso, ele tem que representar bem as condições do desenvolvimento e dos riscos climáticos em todas as regiões. Precisávamos do feedback dos polos de produção para tentar corrigir alguma falha, se houvesse, antes da publicação das portarias”, explica Coelho. Para Fernando Barreto de Melo, engenheiro-agrônomo e gerente-executivo da Central de Suporte Técnico do Banco do Nordeste, que esteve presente à reunião de validação, o Zarc possui papel muito significativo no desenvolvimento da região. “Ser produtor rural no Semiárido nordestino requer, além de paixão, muita resiliência, conhecimento técnico e capacidade administrativa, pois os desafios para produzir, principalmente na agricultura de sequeiro, em uma região com histórico de precipitação pluviométrica bastante irregular no espaço e no tempo, são imensos. Para o produtor, o Zarc possibilita menor risco e proporciona maiores possibilidades de sucesso no empreendimento. Para as instituições financeiras, é mais uma ferramenta que se une ao processo de crédito para dar mais segurança”, observa. Silvia Abreu, engenheira-agrônoma da Gerência de Apoio à Produção Vegetal do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) e coordenadora do Projeto Prioritário do Abacaxi em âmbito estadual, participou da validação do Zarc Abacaxi contribuindo com informações técnico-científicas sobre a cultura, especialmente relacionadas ao manejo e às condições edafoclimáticas ideais para o cultivo no estado, bem como das discussões e ajustes dos resultados, com base na realidade local dos produtores e nas observações de campo. “Considero o Zarc uma ferramenta fundamental para o planejamento agrícola, que fortalece a segurança alimentar e contribui para a sustentabilidade econômica da atividade. Ele será incorporado às ações de planejamento da produção, elaboração de projetos de crédito rural e capacitação das equipes técnicas,
garantindo que a assistência prestada esteja alinhada às condições mais favoráveis ao sucesso das lavouras”, informa. De acordo com os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado do Amazonas ocupa o oitavo lugar na produção nacional, com destaque para a variedade Turiaçu Amazonas, produzida em escala comercial. O Zarc Abacaxi pode ser consultado de duas maneiras. Por meio da plataforma Painel de Indicação de Riscos, no site do Mapa, ou pelo aplicativo Zarc Plantio Certo, para acesso pelos sistemas operacionais Android e iOS, de forma gratuita.
A terça-feira inicia com tempo frio no Sul e em parte do Sudeste, além de pancadas de chuva isoladas, mas fortes, em parte do país. Confira e comece o dia bem preparado:
Sul
Predomínio de sol e sem chuva em todo o Rio Grande do Sul, grande parte de Santa Catarina e do Paraná. No litoral catarinense e paranaense a infiltração marítima favorece condições para chuva moderada; não se descarta algumas pancadas mais isoladas por áreas do norte do Paraná. A massa de ar frio de origem polar começa a perder força, mas o dia ainda amanhece com temperaturas baixas, especialmente na campanha gaúcha e na serra do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, mas sem chance para geada.
Sudeste
O transporte de umidade do oceano em direção ao continente favorece para chuva na faixa litorânea de São Paulo, do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Entre o norte paulista e o Triângulo mineiro podem ocorrer algumas pancadas de chuva isoladas, mas moderadas, devido à circulação de ventos em médios e altos níveis da atmosfera. A massa de ar frio ainda influencia parte da Região Sudeste, e o amanhecer deve contar com temperaturas mais baixas na faixa leste de São Paulo, no Rio de Janeiro e sul de Minas Gerais.
Centro-Oeste
Pancadas de chuva isoladas no período da tarde estão previstas para o norte e nordeste do Mato Grosso do Sul, sul de Goiás, além de leste, centro e noroeste de Mato Grosso. Nas demais regiões o sol vai predominar no decorrer do dia. O calor vai seguir prevalecendo na Região, especialmente em território mato-grossense.
Nordeste
A circulação de ventos do oceano em direção ao continente vai favorecer a chuva no leste do Nordeste, especialmente no leste da Bahia, de Sergipe, Alagoas e litoral de Pernambuco. Na costa norte, pancadas com trovoadas no Ceará, extremo norte do Piauí e centro-norte do Maranhão, cenário influenciado pela Zona de Congergência Intertropical (ZCIT). O interior da Região terá um dia de sol e calor.
Norte
A ZCIT aumenta a condição de chuva forte e temporais pelo Amapá, norte do Pará, Amazonas e, principalmente, por Roraima, onde os volumes previstos são mais expressivos. Por outro lado, no Tocantins o sol aparece entre poucas nuvens, enquanto no Acre e em Rondônia o dia será mais nublado e sem chuva.
Minas Gerais, terceiro maior produtor de algodão do país, registra um salto expressivo na área plantada para a safra 2024/2025. De acordo com estimativas da Associação Mineira dos Produtores de algodão (Amipa), o estado aumentou em 34% sua área cultivada com a fibra, movimento que acompanha a tendência de expansão nacional da cotonicultura.
Dados da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) indicam que o algodão ocupará cerca de 2,14 milhões de hectares no Brasil nesta safra. A projeção preliminar aponta para uma colheita de 3,95 milhões de toneladas, volume 6,8% superior ao registrado no ciclo anterior. Esse crescimento é impulsionado, em boa parte, pelo aumento de áreas plantadas em estados como Minas Gerais, Mato Grosso e Bahia.
Apesar da expansão, o clima seco registrado em diversas regiões mineiras acende um sinal de alerta. Segundo o diretor-executivo da Amipa, Licio Pena de Sairre, a estiagem pode comprometer a produtividade nas lavouras de sequeiro. “Teremos um aumento significativo na produção, por conta da maior área plantada, mas a produtividade tende a ser menor do que no ano passado”, explica o dirigente.
A estiagem, já prevista pela Abrapa em relatórios anteriores, motivou os produtores a adotarem estratégias antecipadas para minimizar os impactos do clima adverso. Entre elas, destaca-se a própria ampliação da área cultivada como forma de compensar possíveis perdas na produção por hectare.
Para enfrentar os desafios impostos pela instabilidade climática, os produtores de algodão em Minas têm investido cada vez mais em tecnologia e práticas sustentáveis. O uso de sementes transgênicas tolerantes à seca e resistentes a pragas, por exemplo, tem sido um dos caminhos adotados para manter a rentabilidade da cultura. “O nível tecnológico sobe quando se inclui o algodão no sistema produtivo. O produtor precisa estar atento às inovações que garantem mais resiliência ao campo”, afirma Licio.
Mesmo com o cenário desafiador, a cotonicultura mineira segue firme no compromisso com a inovação, buscando garantir uma produção de qualidade capaz de abastecer tanto o mercado interno quanto o externo. A expectativa é que, com o avanço das boas práticas agrícolas e o uso intensivo de tecnologia, o setor mantenha sua relevância e competitividade, mesmo sob condições climáticas desfavoráveis.
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Foto: Seane Lennon
Ter uma horta em casa pode representar mais do que um hábito alimentar: é uma alternativa que alia saúde, economia e praticidade. Com o cultivo de alimentos frescos e livres de agrotóxicos, famílias podem garantir uma dieta mais equilibrada e reduzir gastos, mesmo com espaço limitado.
Pensando nesse cenário, a ISLA Sementes, empresa especializada em variedades de sementes de hortaliças, flores, ervas, temperos e microverdes, tem incentivado o cultivo doméstico, especialmente em ambientes urbanos e compactos. De acordo com Leandro Mello, especialista da empresa, o sucesso da horta está na escolha de variedades adequadas e nos cuidados com o cultivo. “Vasos, jardineiras e hortas verticais são excelentes alternativas para quem quer cultivar mesmo sem dispor de muito espaço. Optar por variedades compactas, utilizar substratos enriquecidos e garantir uma boa iluminação e irrigação são cuidados fundamentais para o crescimento saudável das plantas em ambientes reduzidos”, afirma.
Ervas como manjericão, hortaliças como alface e espinafre, além de temperos como coentro e pimenta, são algumas das opções indicadas para cultivo em pequenos vasos ou jardineiras. Alimentos como pimentão e tomate cereja também se destacam pela adaptabilidade a espaços restritos e pelo valor nutricional.
Para quem deseja iniciar uma horta em casa, é fundamental escolher um local que receba ao menos quatro horas diárias de sol, preparar a terra com material orgânico e garantir vasos com capacidade adequada, como os de 18 litros. A manutenção básica inclui regas moderadas, podas regulares e observação constante de sinais de pragas.
Com planejamento e atenção aos cuidados básicos, o cultivo doméstico pode se tornar uma prática acessível e eficiente, contribuindo tanto para a alimentação quanto para a sustentabilidade no cotidiano urbano.
O mercado da soja manteve tom de cautela na última semana. O avanço do plantio nos Estados Unidos, aliado a um clima favorável, gerou pressão adicional sobre os preços na Bolsa de Chicago. Ao mesmo tempo, o ritmo mais lento das exportações brasileiras contribuiu para conter os prêmios e limitar reações no mercado físico nacional.
Segundo análise da Grão Direto, os contratos da oleaginosa registraram variações discretas, refletindo a expectativa de uma safra cheia nos Estados Unidos. O contrato de maio de 2025 fechou a US$ 10,44 por bushel, com leve alta de 0,58%, enquanto o contrato para março de 2026 encerrou praticamente estável, cotado a US$ 10,48. No mercado interno, os preços tiveram pouca oscilação, acompanhando a calmaria no câmbio, que segue na casa de R$ 5,65.
As exportações brasileiras também ajudaram a manter o mercado mais contido. A Anec estima embarques de 12,6 milhões de toneladas em maio – abaixo das 13,5 milhões registradas em abril. A baixa demanda externa e a ausência de fatores de alta sustentada reduziram o apetite comprador, tanto no mercado spot quanto nas negociações futuras.
Um ponto de atenção segue sendo a guerra comercial entre Estados Unidos e China. A retomada das conversas entre as duas potências gerou um otimismo moderado, mas ainda sem impactos concretos nas cotações. Qualquer avanço nas negociações pode alterar o fluxo global de comércio e mexer com os preços da soja nas próximas semanas.
Para os próximos dias, o foco do mercado estará nas novas estimativas do relatório WASDE, divulgado pelo USDA nesta segunda-feira (12). A expectativa é de aumento nos estoques globais, o que reforça o viés de estabilidade no curto prazo. Ainda assim, há incertezas quanto ao real tamanho da produção americana, especialmente diante das margens apertadas identificadas por universidades norte-americanas, como Illinois, que podem provocar ajustes nas áreas de plantio.
No Brasil, o mercado já começa a se posicionar para a safra 2025/26. A recente queda do dólar e dos fertilizantes ajuda a reduzir parte dos custos, mas o crédito caro continua sendo o principal obstáculo para o produtor. Nesse cenário, operações de barter devem ganhar espaço como forma de garantir insumos e travar preços ainda neste primeiro semestre.
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Os governos dos Estados Unidos e da China anunciaram, nesta segunda-feira (12), um acordo bilateral que prevê a suspensão parcial de tarifas comerciais impostas recentemente entre os dois países. A medida foi divulgada pela Casa Branca e visa estabelecer um ambiente mais estável nas relações econômicas e comerciais, com validade inicial de 90 dias.
Segundo o comunicado oficial, “as Partes comprometem-se a tomar as seguintes medidas até 14 de maio de 2025”. Do lado norte-americano, está prevista a suspensão de 24 pontos percentuais da taxa adicional ad valorem aplicada a artigos chineses — incluindo produtos oriundos de Hong Kong e Macau — conforme a Ordem Executiva nº 14.257, de 2 de abril de 2025. Permanecerá em vigor uma taxa residual de 10% sobre esses produtos. Também será removida a aplicação das tarifas estabelecidas pelas ordens executivas nº 14.259 e nº 14.266, emitidas nos dias 8 e 9 de abril deste ano.
Em contrapartida, o governo chinês assumiu compromissos equivalentes. De acordo com o documento, a China “modificará, em conformidade, a aplicação da taxa adicional ad valorem sobre os artigos dos Estados Unidos”, suspendo também 24 pontos percentuais por 90 dias e mantendo uma alíquota de 10%. A China se compromete ainda a eliminar tarifas impostas pelos anúncios nº 5 e nº 6 de 2025 e a adotar “todas as medidas administrativas necessárias para suspender ou remover as contramedidas não tarifárias adotadas contra os Estados Unidos desde 2 de abril de 2025”.
O entendimento marca uma nova etapa nas negociações bilaterais e abre caminho para a criação de um mecanismo de continuidade das discussões econômicas. Os encontros serão conduzidos por representantes de alto escalão dos dois países. Pela China, o vice-premiê He Lifeng será o responsável. Pelos Estados Unidos, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o representante comercial Jamieson Greer liderarão as negociações.
As reuniões poderão ocorrer alternadamente na China e nos Estados Unidos, ou em local previamente acordado entre as partes. Está prevista também a realização de consultas técnicas conforme a necessidade, para tratar de temas econômicos e comerciais específicos.
O governo do Brasil leva à reunião com a China um dos principais pleitos do agronegócio nacional: o alinhamento entre os dois países no processo de aprovação de biotecnologias. A proposta será apresentada como uma forma de agilizar a adoção de tecnologias já aprovadas pela ciência brasileira, mas que seguem fora do campo devido à ausência de autorização no mercado chinês.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, lembra que o Brasil é referência mundial na aprovação de biotecnologias com base científica, por meio da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Apesar dos avanços no país, muitas tecnologias desenvolvidas localmente ou aprovadas para utilização no país ainda não chegam ao campo porque aguardam liberação por parte de mercados compradores, como a China.
“A tecnologia é descoberta, aprovada pela ciência brasileira, mas fica na prateleira esperando a autorização do país comprador. Isso atrasa a adoção de inovações que poderiam tornar a agropecuária ainda mais eficiente, produtiva e competitiva”, afirmou Fávaro.
O ministro destacou que o sincronismo regulatório também é benéfico para o Brasil como comprador. Segundo ele, a China, que adquiriu uma grande empresa internacional do setor, está desenvolvendo soluções avançadas, como a edição gênica, que promete revolucionar o campo. “Queremos ter acesso a essas tecnologias também, desde que aprovadas com base na ciência”, disse.
De janeiro a abril deste ano, as exportações do agro paulista diminuíram e as importações aumentaram em comparação com o mesmo período de 2024.
Assim, os embarques tiveram queda de 11,6%, totalizando US$ 8,70 bilhões, enquanto as compras de produtos cresceram 6,5%, somando US$ 1,98 bilhão.
Como consequência, o saldo da balança comercial do setor foi de US$ 6,72 bilhões, valor 15,3% inferior ao registrado nos quatro primeiros meses do ano anterior.
Mesmo diante da queda, o secretário de Agricultura e Abastecimento do estado, Guilherme Piai, comemorou o que chama de superávit expressivo que mostra a “força e resiliência do setor, que encontrou na alta das exportações de café, carnes e suco de laranja um equilíbrio importante.”
As exportações do agronegócio paulista representaram 40,7% do total exportado pelo estado de São Paulo no período analisado, enquanto as importações do setor corresponderam a 6,9% do total estadual.
Em comparação com o mesmo período de 2024, observou-se uma retração de 3,4 pontos percentuais na participação das exportações e de 0,9 ponto percentual nas importações.
De acordo com análise conduzida pelo coordenador da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), Carlos Nabil Ghobril, e pesquisadores vinculados à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado, vale observar o movimento de ampliação de compras do agro paulista pela China e Estados Unidos.
A China registrou aumento de 7% no volume do grupo soja e 1% do grupo de carnes, enquanto os Estados Unidos elevaram as aquisições do grupo carnes em 93%, do grupo produtos florestais em 59% e do grupo cafés em 9%.
Exportações do agronegócio paulista
Os cinco principais grupos de produtos exportados foram:
Complexo sucroalcooleiro: 24,6% do total exportado pelo agro paulista, US$ 2,136 bilhões, sendo que o açúcar representou 88,7% e o etanol, 11,3%.
Setor de carnes: equivalente a 14% das vendas externas do setor, totalizando US$ 1,213 bilhão, com a carne bovina respondendo por 82,5%.
Grupo de sucos: responde por 12,1% de participação, somando US$ 1,054 bilhão, dos quais 98,2% correspondem ao suco de laranja.
Produtos florestais: representam 11,1% do volume exportado, com US$ 962,48 milhões, com celulose representando 52,3% e papel 37,9%.
Complexo soja: participa com 10,9% do total exportado, registrando US$ 947,36 milhões, sendo 83,7% soja em grãos.
De acordo com a Secretaria, esses cinco grupos representaram, em conjunto, 72,7% das exportações do agronegócio paulista. O café aparece na sexta posição, com 7,5% de participação, com US$ 653,58 milhões, sendo 73,8% café verde e 22,9% de café solúvel.
Segundo a pasta, no período observado, as variações de valores apontaram aumentos das vendas para os grupos de café (+63,7%), sucos (+35,0%) e carnes (+23,1%), e queda acentuada nos grupos de complexo sucroalcooleiro (-46,2%), complexo soja (-4,5%) e produtos florestais (-3,6%).
Principais destinos
A China representa 20,3% de participação entre os principais destinos dos produtos agropecuários brasileiros, adquirindo, principalmente, produtos do complexo soja (37%), carnes (26%) e florestais (19%). Em seguida, aparecem:
União Europeia: 15,6% de participação, sendo os principais itens sucos (34%), café (19%) e demais produtos de origem vegetal (11,8%);
Estados Unidos: somam 15,3% de participação, comprando sucos (37%), carnes (15%) e café (10,4%).
No cenário nacional, as exportações do agronegócio paulista lideraram o ranking entre os estados, correspondendo a 16,5% do total exportado pelo setor no Brasil no primeiro quadrimestre de 2025, seguidas por Mato Grosso (16,3%) e Minas Gerais (12,2%).
Desempenho do agro brasileiro
O agronegócio brasileiro obteve exportações de US$ 52,74 bilhões entre janeiro e abril deste ano, o que representa um crescimento de 1,4% em relação ao ano anterior. As importações totalizaram US$ 6,87 bilhões, com aumento de 8,0%. O saldo da balança comercial do setor fechou em superávit de US$ 45,87 bilhões, variação positiva de 0,5%.
Com esses resultados, o saldo da balança comercial do setor alcançou superávit de US$ 45,87 bilhões, em relação ao primeiro quadrimestre de 2024.