As exportações brasileiras de ovos (considerando produtos in natura e processados) totalizaram 4,3 mil toneladas em abril, volume 271% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, com 1,17 mil toneladas, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Em receita, os embarques geraram US$ 10,57 milhões, resultado 252,9% maior que o obtido em abril de 2024, quando as exportações totalizaram US$ 2,99 milhões.
Com o desempenho do mês, o acumulado do quadrimestre de 2025 alcança 13 mil toneladas, alta de 133,8% em relação ao mesmo período do ano passado, com 5,5 mil toneladas. A receita no período chegou a US$ 28,3 milhões, alta de 152,6%, em relação ao mesmo período de 2024, com US$ 11,2 milhões.
“O mês de abril mantém o ritmo positivo das exportações de ovos, com presença crescente do produto brasileiro em mercados de alto valor e rigor sanitário. A ampliação das vendas para os Estados Unidos e o Japão, por exemplo, reforça a confiança internacional na qualidade e na segurança da nossa produção”, destaca o presidente da ABPA, Ricardo Santin.
Destaques de abril
Entre os principais destinos, os Estados Unidos lideraram as importações de ovos do Brasil no mês, com 2,8 mil toneladas embarcadas e receita de US$ 6,3 milhões. O Japão aparece na sequência, com 371 toneladas (+298,9%) e receita de US$ 777 mil (+299,7%).
Outros destaques:
México: 242 toneladas embarcadas – país que retoma posição entre os principais compradores;
Chile: 638 toneladas (-11,7%), com receita de US$ 1,58 milhão (-8,4%);
Uruguai: 83 toneladas (+18,6%), com receita de US$ 406 mil (+61,6%);
União Europeia: 22 toneladas (+64%), com receita de US$30 mil (-21,6%);
Libéria: 15 toneladas (+36,7%) com receita de US$40 mil (+51,9%);
Ilhas Marshall e Aruba também integraram a lista de destinos do mês.
“Estamos observando uma recomposição estratégica da pauta exportadora. Os embarques estão mais diversificados e com presença em mercados que demandam produtos com alto padrão de qualidade, abrindo caminho para a consolidação de fluxos duradouros”, analisa Santin.
Durante o Fórum Ministerial China-CELAC, realizado em Pequim, hoje, dia 13 de maio, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping apresentaram um discurso afinado contra o que denominaram como “bullying” e “hegemonismo” dos Estados Unidos. Em um cenário global tensionado por guerras comerciais e disputas geopolíticas, os dois líderes reforçaram a importância da cooperação entre países em desenvolvimento e criticaram com veemência a adoção de tarifas unilaterais por parte de Washington.
Xi Jinping foi direto ao afirmar que o protecionismo norte-americano “leva ao autoisolamento” e que “não há vencedores em guerras tarifárias”. O líder chinês reiterou o compromisso de Pequim com o multilateralismo e a ampliação dos laços com América Latina e Caribe. Para ele, o momento exige diplomacia e abertura, e não imposições.
Lula, por sua vez, destacou que “a imposição de tarifas arbitrárias só agrava a situação do comércio global”, e defendeu que a América Latina não deve repetir os erros da Guerra Fria. “Não queremos nos tornar palco de disputas entre potências”, declarou. O presidente brasileiro aproveitou o encontro para convocar os países da região a investirem em infraestrutura com apoio chinês, citando projetos de rodovias, ferrovias, portos e linhas de transmissão como fundamentais para o desenvolvimento sustentável.
Além das declarações políticas, o encontro ocorreu dias após Estados Unidos e China anunciarem uma trégua tarifária temporária — um acordo de 90 dias para reduzir mutuamente algumas tarifas, numa tentativa de distensionar o cenário econômico global. Mesmo assim, tanto Lula quanto Xi Jinping demonstraram desconfiança quanto à estabilidade desse acordo, alertando para a volatilidade da política externa norte-americana.
A retórica de Lula e Xi não é isolada. Outros líderes latino-americanos, como Gustavo Petro (Colômbia) e Gabriel Boric (Chile), também têm se aproximado da China, numa clara tentativa de diversificar suas relações comerciais e reduzir a dependência de mercados dominados pelos EUA. Essa movimentação sinaliza uma mudança importante na geopolítica regional, com a América Latina buscando maior autonomia e inserção em uma ordem mundial multipolar.
No campo prático, o fortalecimento da parceria sino-brasileira deve gerar impactos concretos para o agronegócio e para a indústria de base do Brasil. Com apoio chinês, é possível destravar investimentos em infraestrutura que há décadas emperram a competitividade brasileira. No entanto, a cautela é necessária: Lula alertou que os projetos precisam ter viabilidade econômica e não podem se transformar em “elefantes brancos”.
O recado foi claro: Brasil e China querem redesenhar o tabuleiro global com base na cooperação Sul-Sul, rechaçando imposições e abrindo espaço para novas formas de desenvolvimento compartilhado. Resta saber se os Estados Unidos saberão ouvir o alerta ou insistiram em políticas que os isolem cada vez mais no cenário internacional.
Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
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O cultivo de abacaxi em território brasileiro acaba de ganhar um reforço importante: o primeiro Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) da cultura com abrangência nacional.
A nova ferramenta, publicada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em 13 de fevereiro, orienta produtores de todos os municípios do país sobre as melhores condições de plantio, com base em dados científicos e históricos.
Desenvolvido pela Embrapa, o novo Zarc atualiza e amplia a versão anterior, de 2012, e traz melhorias que prometem aumentar a produtividade e diminuir riscos, especialmente em regiões vulneráveis, como o Semiárido.
Classificação em níveis de risco
A nova versão traz três atualizações importantes. Uma delas é a classificação em três níveis de risco (20%, 30% e 40%) associados às fases de desenvolvimento de frutos, desde a floração, passando pela frutificação, até a colheita, sendo 40% o risco máximo aceitável para o cultivo.
Com isso, são gerados calendários de plantio que indicam quando e onde a cultura pode ser mais produtiva e ter mais sucesso.
O engenheiro-agrônomo Mauricio Coelho, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura (BA), responsável técnico e coordenador do Zarc Abacaxi, ressalta que os riscos são importantes em diferentes períodos de desenvolvimento da cultura. Por isso, resolve-se utilizar critérios para quatro fases de crescimento:
Fase 1: implantação e o desenvolvimento inicial da planta;
Fase 2: crescimento vegetativo;
Fase 3: indução floral e início de frutificação; e
Fase 4: desenvolvimento do fruto até a colheita
Outra novidade é a categorização das classes de água disponível do solo, variando de 1 a 6, e não mais de 1 a 3.
“A variação de 34 a 184 milímetros por metro de profundidade, dependendo da textura do solo, representa melhor os tipos de solos existentes no Brasil. Essas classes de solo têm a ver com o armazenamento de água, essa capacidade afeta muito o risco climático”, ressalta o cientista.
Segundo ele, quanto menor for essa ‘caixa d’água’, mais acentuado vai ser o risco, a depender do solo. “Se houver tendência de acúmulo prolongado de água no solo, também será um dos problemas da cultura justamente o excesso de água. Áreas com encharcamento não são recomendadas para o cultivo do abacaxi”, esclarece Coelho.
Em relação à temperatura do ar, locais com probabilidades de geadas frequentes e plantios localizados em altitude superior a mil metros também foram considerados de risco climático elevado.
Outro avanço importante da nova versão é que, pela primeira vez, o sistema considera as exigências das principais variedades plantadas no Brasil, que foram divididas em dois grupos:
‘Pérola’, ‘Turiaçu’ e ‘Smooth Cayenne’ (grupo 1, mais rústico)
‘BRS Imperial’ (grupo 2, mais sensível aos estresses ambientais e que requer um cuidado maior no cultivo).
A portaria do Zarc Abacaxi obriga que, no estabelecimento de novas áreas com novas variedades devem ser utilizadas mudas produzidas em viveiros credenciados em conformidade com a Legislação Brasileira sobre Sementes e Mudas (Lei nº 10.711, de 5 de agosto de 2003, e Decreto nº5.153, de 23 de agosto de 2004).
Redução de riscos na cultura do abacaxi
Foto: Alessandra Vale
O engenheiro-agrônomo Hugo Borges Rodrigues, coordenador-geral de risco agropecuário do Departamento de Gestão de Riscos da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agrisultura (Mapa), destaca que a atualização do Zarc Abacaxi é de grande relevância para a pasta, visto que integra o esforço contínuo de modernização das ferramentas de gestão de riscos agropecuários.
“Sua atualização reforça o compromisso do Mapa e da Embrapa com a sustentabilidade e a resiliência da produção agrícola nacional”, afirma.
“O principal benefício para o produtor que segue as orientações do Zarc é a redução do risco climático no cultivo, já que a ferramenta indica os períodos mais favoráveis ao plantio com base em critérios técnicos e científicos”, ressalta.
Além disso, conforme Rodrigues, o cumprimento das recomendações do Zarc é condição para o acesso a importantes políticas públicas de gestão de riscos, como o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
Atualização dos dados meteorológicos
O pesquisador da Embrapa Agricultura Digital (SP) e coordenador da Rede Zarc Embrapa, Eduardo Monteiro, destaca as mudanças no novo zoneamento, em especial as ligadas à base de dados meteorológicos. “Agora são considerados os dados meteorológicos atualizados até 2022, incluindo, portanto, dados bem mais recentes em relação ao zoneamento antigo”, salienta.
A base de dados meteorológicos é composta por séries históricas obtidas a partir das redes de estações terrestres, meteorológicas e pluviométricas convencionais e automáticas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
O pesquisador Domingo Haroldo Reinhardt, que coordena as pesquisas com abacaxi na região de Itaberaba – principal produtor de abacaxi do estado da Bahia – e faz parte da equipe técnica do Zarc, ratifica as melhorias da ferramenta: “A metodologia foi bastante aprimorada, principalmente quanto aos níveis de capacidade de armazenamento de água, ainda mais para a região semiárida, como é o caso de Itaberaba, onde existem variações grandes dentro do mesmo município. Sem dúvida, o produtor novo deve recorrer ao Zarc, assim como aquele produtor que quer investir em novas áreas de plantio”.
Validação dos produtores
Pela primeira vez, o Zarc Abacaxi ganhou uma importante fase: a validação junto a produtores, técnicos e representantes da cadeia produtiva. Duas reuniões foram realizadas via internet com participantes das regiões Norte e Nordeste e da região Centro-Sul, respectivamente.
“Nós trabalhamos em um modelo que vai ser aplicado em todo o país, por isso, ele tem que representar bem as condições do desenvolvimento e dos riscos climáticos em todas as regiões. Precisávamos do feedback dos polos de produção para tentar corrigir alguma falha, se houvesse, antes da publicação das portarias”, explica Coelho. Para Fernando Barreto de Melo, engenheiro-agrônomo e gerente-executivo da Central de Suporte Técnico do Banco do Nordeste, que esteve presente à reunião de validação, o Zarc possui papel muito significativo no desenvolvimento da região. “Ser produtor rural no Semiárido nordestino requer, além de paixão, muita resiliência, conhecimento técnico e capacidade administrativa, pois os desafios para produzir, principalmente na agricultura de sequeiro, em uma região com histórico de precipitação pluviométrica bastante irregular no espaço e no tempo, são imensos. Para o produtor, o Zarc possibilita menor risco e proporciona maiores possibilidades de sucesso no empreendimento. Para as instituições financeiras, é mais uma ferramenta que se une ao processo de crédito para dar mais segurança”, observa. Silvia Abreu, engenheira-agrônoma da Gerência de Apoio à Produção Vegetal do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) e coordenadora do Projeto Prioritário do Abacaxi em âmbito estadual, participou da validação do Zarc Abacaxi contribuindo com informações técnico-científicas sobre a cultura, especialmente relacionadas ao manejo e às condições edafoclimáticas ideais para o cultivo no estado, bem como das discussões e ajustes dos resultados, com base na realidade local dos produtores e nas observações de campo. “Considero o Zarc uma ferramenta fundamental para o planejamento agrícola, que fortalece a segurança alimentar e contribui para a sustentabilidade econômica da atividade. Ele será incorporado às ações de planejamento da produção, elaboração de projetos de crédito rural e capacitação das equipes técnicas,
garantindo que a assistência prestada esteja alinhada às condições mais favoráveis ao sucesso das lavouras”, informa. De acordo com os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado do Amazonas ocupa o oitavo lugar na produção nacional, com destaque para a variedade Turiaçu Amazonas, produzida em escala comercial. O Zarc Abacaxi pode ser consultado de duas maneiras. Por meio da plataforma Painel de Indicação de Riscos, no site do Mapa, ou pelo aplicativo Zarc Plantio Certo, para acesso pelos sistemas operacionais Android e iOS, de forma gratuita.
Mesmo sem mencionar o nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em nenhum momento de sua declaração à imprensa após assinatura de atos com o governo chinês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez referência à política tarifária americana. Disse que “guerras comerciais não têm vencedores” e que o “mundo se tornou mais imprevisível, instável e fragmentado” nos últimos meses.
“Há anos, a ordem internacional já demanda reformas profundas. Nos últimos meses, o mundo se tornou mais imprevisível, mais instável e mais fragmentado. China e Brasil estão determinados a unir suas vozes contra o unilateralismo e o protecionismo. A defesa intransigente do multilateralismo é uma tarefa urgente e necessária”, afirmou Lula.
O presidente continuou dizendo que “guerras comerciais não têm vencedores”. “Elas elevam os preços, deprimem as economias e corroem as rendas dos mais vulneráveis em todos os países. O presidente Xi Jinping e eu defendemos um comércio justo e baseado nas regras da OMC”, declarou.
Lula citou a Comunidade de Futuro Compartilhado Brasil-China por um Mundo mais Justo e um Planeta Sustentável, estabelecida em novembro do ano passado, como “uma alternativa às rivalidades ideológicas”.
O presidente brasileiro reforçou que esta foi sua segunda visita de estado à China no atual mandato e que levou ao país uma “expressiva delegação” com ministros e parlamentares. Também disse que a “relação entre Brasil e China nunca foi tão necessária”.
Lula também criticou o que chamou de “insensatez dos conflitos armados” e citou os casos das guerras ocorridas na Palestina e na Ucrânia. Defendeu que acabar com esses conflitos “é precondição para o desenvolvimento” e disse que entendimentos firmados entre Brasil e China “para uma resolução política para a crise na Ucrânia oferecem base para um diálogo abrangente que permita o retorno da paz à Europa”.
Investimentos da China no agronegócio
Lula citou também projetos discutidos e acordos firmados entre China e Brasil. Falou sobre entendimentos envolvendo os bancos centrais dos dois países e o lançamento de satélites para uso agrícola, por exemplo. Também mencionou uma discussão sobre financiamento de projetos de infraestrutura, sustentabilidade e energia.
“Nunca um número tão grande de projetos foi discutido de maneira sistemática em tão pouco tempo. Os primeiros resultados concretos já podem ser constatados. A cooperação entre os bancos centrais permitirá uma maior integração financeira e facilitará investimentos. Com o programa Satélite de Recursos Terrestres Brasil-China, lançaremos dois satélites adicionais. Vamos gerar e compartilhar imagens para o uso ambiental, agrícola e meteorológico com os países do sul global”, declarou.
“O presidente Xi e eu também conversamos sobre a mobilização de financiamento para projetos de infraestrutura, sustentabilidade e energia. Há poucas semanas, uma missão chinesa esteve no Brasil para examinar oportunidades de investimentos em infraestrutura no âmbito das rotas de integração sul-americana”, completou.
Começa hoje (13) e segue até quinta-feira (15) o maior evento da bananicultura do Brasil: a 13ª Feira Nacional da Bananicultura (Feibanana 2025). O encontro acontece na cidade de Pariquera-Açu (SP), na região do Vale do Ribeira. O governador em exercício do estado de São Paulo, Felicio Ramuth, e outras autoridades estarão presentes na abertura do evento.
A feira tem previsão de movimentar R$ 83 milhões em negócios e reúne produtores, pesquisadores e empresários ligados ao setor. Segundo os organizadores, são esperados aproximadamente 10 mil visitantes durante os quatro dias do evento.
No local, haverá exposições de veículos, maquinários, insumos e produtos agrícolas com as mais recentes tecnologias aplicadas à produção de bananas. Além disso, os visitantes poderão acompanhar palestras conduzidas por especialistas renomados da área, explorar artesanatos inspirados na cultura da banana e desfrutar de shows que celebram a diversidade e a cultura local.
Os interessados podem garantir participação no evento realizando o credenciamento pelo site abavar.com.br. A Feibanana 2025 acontece no Centro de Eventos de Pariquera-Açu.
Os Estados Unidos e a China anunciaram, nesta segunda-feira (12), um acordo de redução temporária das tarifas recíprocas. As tarifas dos EUA sobre importações chinesas cairão de 145% para 30%, enquanto as da China sobre produtos norte-americanos serão reduzidas de 125% para 10%. A medida terá validade inicial de 90 dias e traz novos contornos ao cenário comercial global.
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Mas, afinal: como esse acordo afeta a soja? De acordo com o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, a resposta não é de grandes mudanças imediatas. “A China vinha comprando de forma muito agressiva no Brasil e, com o novo acordo, pode começar a adquirir mais soja dos Estados Unidos. No entanto, a oferta mundial não é excessiva, e essa mudança não deve afetar a situação no Brasil”, afirma.
Ele destaca que, por enquanto, o mercado brasileiro já está registrando alta, com um aumento de R$ 3 nas cotações nas posições nos portos. “O grande desafio é que a China deve importar cerca de 110 milhões de toneladas de soja, mas o Brasil tem capacidade para fornecer no máximo 90 milhões de toneladas. Esse espaço de 20 milhões de toneladas fica com os Estados Unidos, o que explica a disputa”, explica.
Perspectivas para a soja
Brandalizze também aponta que, nos próximos meses, o volume de vendas de soja para a China pode perder ritmo. “Nos últimos três meses, a China comprou de maneira muito agressiva no Brasil, mas é provável que essa demanda diminua um pouco no futuro”, afirma. Apesar disso, o consultor acredita que o Brasil não perderá totalmente seu espaço no mercado chinês. “A soja brasileira ainda tem uma vantagem sobre a americana devido ao seu teor de proteína, o que é muito valorizado pelos chineses.”
A competitividade, segundo Brandalizze, permanece equilibrada, pois os prêmios da soja brasileira estão um pouco mais baixos do que os dos EUA, mas as diferenças não são grandes. O fator mais positivo dessa mudança é o impacto nas cotações internacionais. “O preço da soja em Chicago estava com um suporte em torno de US$ 10. Agora, o suporte provavelmente subirá para US$ 10,50, com resistência em US$ 11,00”, destaca ele. Essa evolução técnica indica uma valorização no mercado de soja, o que pode ser benéfico para os produtores, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
Com compradores mais ativos, o mercado de etanol aqueceu na última semana no mercado spot no estado de São Paulo. Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam que compradores adquiriram volumes do biocombustível em praticamente todos os estados do Centro-Sul do Brasil.
De acordo com o Cepa, os demandantes tentaram fechar negócios a preços mais baixos, mas algumas usinas seguiram firmes nos valores de venda. Segundo pesquisadores do Cepea, a moagem de cana avançou um pouco mais com a melhora das condições climáticas, e a oferta de etanol nas usinas cresceu em parte das regiões.
Preços do etanol
Entre os dias 5 e 9 de maio, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado fechou em R$ 2,7236/litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), alta de 0,19% no comparativo ao período anterior. Já o preço do etanol anidro fechou a R$ 3,1230/litro, valor líquido de impostos (sem PIS/Cofins), elevação de 0,76% no mesmo comparativo.
Oferta do açúcar cristal da nova safra segue limitada
Apesar dos avanços da colheita e do processamento da cana-de-açúcar desta nova temporada 2025/26, o Cepea não observa uma oferta robusta de açúcar cristal de melhor qualidade (Icumsa até 180) no spot paulista.
Segundo pesquisadores do Cepea, isso ocorre porque agentes das usinas priorizam os primeiros lotes produzidos para atender a contratos internos e externos que envolvem esse tipo de açúcar.
Do lado da demanda, a procura de açúcar para negociações adicionais com entrega imediata está desaquecida. Nesse cenário, os valores do cristal registram pequenas quedas diárias no mercado spot do estado de São Paulo.
Com base nas estimativas do Relatório de Oferta e Demanda de Produtos Agrícolas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado em maio, a produção mundial de milho deverá crescer em 2025/26. A previsão é de 1,264 bilhão de toneladas, ante 1,221 bilhão em 2024/25. Apesar do aumento na oferta, os estoques finais devem recuar de 287,29 milhões para 277,84 milhões de toneladas, o que indica maior consumo global. A expectativa de elevação da produção global é puxada, sobretudo, pelos ganhos nos Estados Unidos, Ucrânia e Argentina.
Para o Brasil, o USDA projeta uma leve alta na produção de milho em 2025/26, passando de 130 milhões para 131 milhões de toneladas. As exportações devem se manter estáveis em 43 milhões de toneladas. Já os estoques finais devem apresentar forte recuo, de 5,98 milhões para 2,58 milhões de toneladas, sinalizando maior escoamento da produção ou consumo interno mais elevado no próximo ciclo.
Nos Estados Unidos, maior produtor e exportador global, a safra de milho deve crescer de 377,63 milhões para 430,55 milhões de toneladas. A produtividade também deve subir de 187,56 para 189,35 sacas por hectare, enquanto os estoques finais devem aumentar de 35,95 milhões para 45,72 milhões de toneladas. O uso para etanol permanece em 139,71 milhões de toneladas. As exportações devem atingir 72,8 milhões de toneladas em 2025/26, frente às 66,04 milhões previstas para 2024/25, refletindo maior competitividade no mercado externo.
Na Argentina, a expectativa é de recuperação da produção, que deve subir de 50 milhões para 53 milhões de toneladas entre as safras 2024/25 e 2025/26. Os estoques finais devem crescer de 2,38 milhões para 2,79 milhões de toneladas, enquanto as exportações também devem avançar, passando de 35,5 milhões para 37 milhões de toneladas.
Por fim, a Ucrânia, importante fornecedor do Leste Europeu, também apresenta projeção de crescimento. A produção de milho deve avançar de 26,8 milhões para 30,5 milhões de toneladas. Os estoques finais praticamente dobram, de 310 mil para 600 mil toneladas, e as exportações devem aumentar de 22 milhões para 24 milhões de toneladas.
A pecuária leiteira de Rondônia será um dos focos da Rondônia Rural Show 2025, que acontece de 26 a 31 de maio, em Ji-Paraná.
O Sebrae/RO levará ao evento tecnologias inovadoras para pequenos produtores, com destaque para o Sebraetec, que oferece soluções como a Fertilização In Vitro (FIV) e a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), que aceleram o melhoramento genético do rebanho e aumentam a produtividade.
Essas técnicas são essenciais para garantir rebanhos mais eficientes e saudáveis, com maior qualidade e produção de leite.
O Sebraetec oferece acompanhamento técnico e consultorias especializadas, proporcionando aos produtores acesso a tecnologias que otimizam seus processos e aumentam a competitividade no mercado.
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Resultados comprovados na prática
Segundo Noelber Guaitolini, analista de negócios do Sebrae, as soluções do Sebraetec já mostraram impacto positivo em várias propriedades.
A implementação das tecnologias de melhoramento genético resultou em aumentos significativos na produção de leite em fazendas atendidas pelo programa.
Além disso, esses métodos ajudam a padronizar o grau sanguíneo do rebanho, melhorando a uniformidade do leite e contribuindo para a rentabilidade das propriedades.
“Tivemos aumentos expressivos na produção diária de leite em algumas fazendas. Alguns municípios até fecharam parcerias conosco para levar o Sebraetec de melhoramento genético a seus produtores”, destacou Guaitolini.
Tecnologia e sustentabilidade no agronegócio
A Rondônia Rural Show 2025, a maior feira de agronegócios da Região Norte, é uma vitrine para inovações tecnológicas no campo.
Com o tema “Do Campo ao Futuro”, o evento deste ano reforça a importância de soluções sustentáveis para aumentar a produtividade da agropecuária.
Além disso, o Sebrae/RO, parceiro estratégico da feira, continuará a apoiar os produtores rurais por meio de programas como o Sebraetec, que apresenta tecnologias acessíveis e eficientes.
A aplicação dessas soluções vai além do aumento da produção de leite, garantindo que o setor seja mais competitivo e sustentável.
Guaitolini convida os produtores a conhecerem as tecnologias no estande do Sebrae/RO durante o evento, ressaltando que os resultados são concretos e podem ser aplicados em propriedades de diferentes portes.
Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.
No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta a trégua comercial entre EUA e China, que impulsionou bolsas globais e levou o Nasdaq a entrar em bull market — quando o mercado mostra tendência de alta consistente. O dólar subiu 0,52%, a R$ 5,68, enquanto o Ibovespa avançou 0,04%, com apoio das exportadoras. Hoje, o foco está no IPC dos EUA e na Ata do Copom, que deve adotar tom mais cauteloso diante do cenário externo e fiscal.