domingo, maio 24, 2026

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Produtores gaúchos iniciam protesto por soluções de dívidas



Agricultores gaúchos iniciaram, nesta terça-feira (13), uma mobilização para chamar a atenção do governo sobre o grave endividamento no setor agropecuário. O movimento, que não tem data para terminar, reivindica que o governo federal atenda ao pedido de securitização das dívidas ou apresente outra alternativa de prorrogação e renegociação.

A mobilização ocorre em diversas regiões do estado, com concentração de produtores e máquinas agrícolas em pontos estratégicos, próximos a rodovias importantes. O ato, de caráter pacífico, busca dar visibilidade à situação crítica enfrentada por muitos produtores, que acumularam dívidas após sucessivos períodos de estiagem e, mais recentemente, uma grande enchente.

“O pior problema está nas cooperativas de crédito. Elas penalizam os produtores de forma muito severa e não estão respeitando o manual do crédito rural. Não temos produto para vender e, consequentemente, não temos como honrar os pagamentos. O que nos resta é lutar pela securitização”, disse a produtora Luciene Agazzi.

“Estamos sofrendo com uma grande estiagem há cinco anos e enfrentamos dificuldades para plantar a próxima safra de soja. Se não houver uma ampla securitização, com prazos de 15, 20 anos ou mais, a situação vai se tornar insustentável para nós, pequenos agricultores”, afirmou o produtor Leonardo Seibt.

De acordo com a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), o endividamento do setor já se aproxima de R$ 73 bilhões, sendo que grande parte das dívidas vence ainda este ano. Muitos produtores não conseguiram renegociar os débitos com as instituições financeiras ou o fizeram com juros mais elevados, agravando ainda mais a situação.

A mobilização com máquinas agrícolas teve início ainda na semana anterior, durante a Expojoia, realizada no noroeste gaúcho. No evento, houve uma audiência pública do Senado, com a presença do senador Luís Carlos Heinze (PP-RS), autor do projeto de securitização das dívidas rurais, que prevê a prorrogação dos passivos por até 20 anos.

“É preciso mobilização, é preciso pressão, para que na próxima etapa possamos garantir a securitização e alongar essas dívidas. É disso que os produtores precisam: prazo longo para se reorganizar e conseguir pagar as contas”, afirmou Heinze.

O movimento segue sem prazo definido para encerrar-se. Os organizadores afirmam que as manifestações só cessarão quando houver uma medida concreta de apoio por parte do governo federal.



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Produtores rurais ainda enfrentam entraves para validação do CAR



Em pleno mês em que o Código Florestal completa 13 anos de vigência, o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o georreferenciamento — exigências legais para propriedades rurais — ainda são fonte de dor de cabeça para milhares de produtores em todo o Brasil. A situação é tema de uma audiência pública nesta terça-feira (13) pela Comissão de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, em Brasília.

A iniciativa foi da deputada Daniela Reinehr (PL-SC), que alertou para os impactos que a não validação do CAR tem causado aos produtores, especialmente os de pequenas propriedades e da agricultura familiar. De acordo com a parlamentar, embora muitos produtores tenham feito a autodeclaração exigida pelo sistema, grande parte dos cadastros segue sem validação oficial, o que impede o acesso a crédito rural, programas de fomento e até mesmo inventários.

“O produtor fez sua parte, declarou seu CAR, mas a validação por parte do poder público não aconteceu. Muitas vezes não se sabe sequer quem é a autoridade competente para realizar essa etapa”, afirmou Reinehr. “Essa insegurança jurídica está limitando o acesso ao financiamento e inviabilizando atividades, especialmente em estados com pequenas propriedades, como Santa Catarina.”

Outro ponto de preocupação é o prazo para o georreferenciamento de imóveis com menos de 100 hectares, que passa a ser exigido a partir de novembro. Segundo a deputada, o custo do procedimento — que inclui identificação da forma, dimensões e localização da propriedade por meio de técnicas geoespaciais — pode inviabilizar o negócio de pequenos produtores.

Durante a audiência, representantes do Ministério da Agricultura, do Judiciário, do Ministério Público, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e de outras entidades técnicas debaterão o assunto. A intenção, segundo Reinehr, é transformar o encontro em uma verdadeira força-tarefa para destravar a validação do CAR e rever prazos e procedimentos do georreferenciamento.



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AgroNewsPolítica & Agro

Exportação de óleo de soja cresce em Goiás


Segundo dados do boletim Agro em Dados de maio, divulgado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, o mês de abril marcou o fim da colheita de soja em diversas regiões do país e consolidou uma safra recorde no Brasil, com 167,8 milhões de toneladas. Em Goiás, a colheita foi encerrada no dia 19 de abril, com um avanço de oito pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado.

Com uma produção estimada em 20,4 milhões de toneladas, o estado se destacou nacionalmente. “Goiás registrou o maior rendimento médio das lavouras de soja do país, com 68,7 sacas por hectare”, informa o boletim. Esse desempenho garantiu ao estado a terceira colocação no ranking nacional de produção da oleaginosa.

No cenário internacional, o Brasil se mantém como o maior produtor mundial de soja, responsável por 40% da produção global. Apesar da liderança no grão, o país ainda tem espaço para crescer na cadeia do óleo de soja, setor historicamente dominado por China e Estados Unidos, que juntos respondem por 48% da produção mundial. Atualmente, o Brasil participa com 17%.

Ainda assim, em 2024, a produção brasileira de óleo de soja cresceu 4,5%, totalizando 11,6 milhões de toneladas. No primeiro trimestre de 2025, as exportações brasileiras desse derivado chegaram a 402,7 mil toneladas, um aumento de 73,2%. No mesmo período, Goiás exportou 51,7 mil toneladas, registrando um crescimento de 130,9% nas transações.

A Índia se destacou como destino principal das exportações, tanto em nível nacional quanto estadual. O volume importado pelo país asiático aumentou 62,8% no total embarcado pelo Brasil e 89,6% nas aquisições provenientes de Goiás, o que reforça o potencial de expansão do mercado para o óleo de soja brasileiro.





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produtores voltam as atenções para o campo



No Paraná, que é o segundo maior produtor de trigo nacional, o plantio já superou 26% da área esperada. Isso de acordo com dados divulgados no dia 6 pela Secretaria de Abastecimento do estado. 

Por outro lado, os preços nas negociações do cereal vem sofrendo leves oscilações. Os levantamentos do Cepea mostram que os valores atingidos em abril foram os maiores dos últimos dois trimestres. 

Assim, para maio, os compradores do cereal vem apresentando resistência em conceder reajustes positivos na compra de novos lotes. Outro fator que também incentiva esta postura por parte dos demandantes são as recentes desvalorizações do trigo no mercado externo.



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Manga apresenta forte alta nos preços



A última semana no Vale do São Francisco, região produtora de frutas, foi marcada por forte alta nos preços da manga. Isso é o que apontam os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com o instituto, a média de preço nas negociações da manga palmer na última semana ficaram entre R$ 3,16/kg, na região. Isso representa um avanço de 9% no comparativo com o período anterior.

A variedade Tommy sofreu uma variação ainda mais intensa, chegando a R$ 3,63/kg, um aumento de 21% com relação à média da semana passada. 

De acordo com o Cepea, a movimentação é reflexo da baixa oferta na região e nas demais praças produtoras do semiárido.

Assim, a previsão para as próximas semanas é de que os preços continuarão em alta, uma vez que a oferta deverá seguir sendo limitada.



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Governo do Maranhão suspende taxa sobre grãos e reduz alíquota a partir de agosto



Após reunião entre produtores, empresários e representantes do governo do Maranhão, ficou acertado que a Contribuição Especial de Grãos (CEG) — taxa de 1,8% incidente sobre a saída de soja, milho, sorgo e milheto destinados à exportação ou à entrada desses produtos no estado — será suspensa até o mês de agosto de 2025.

O acordo prevê que, a partir de agosto, a alíquota passe a ser de 0,5%, e, em 2026, será fixada em 1%. Também ficou definida a criação de um conselho com a participação de todas as entidades envolvidas, que será responsável por deliberar sobre a aplicação dos recursos arrecadados. Inicialmente, os investimentos devem se concentrar na área de logística.

A decisão foi tomada durante a Agrobalsas 2025, realizada na Fazenda Sol Nascente, no município de Balsas, no sul do Maranhão.

Instituída pela Lei nº 12.428/2024, a CEG tem como finalidade financiar o Fundo Estadual de Desenvolvimento Industrial. A taxa incide sobre o valor da tonelada dos grãos, com base nos valores de referência definidos pelo Poder Executivo.

O governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB) — que também é produtor rural — afirmou que compreende tanto as dificuldades enfrentadas pelo setor quanto os desafios fiscais do estado. “Houve um ano atípico em relação ao clima, e nós resolvemos abrir mão desse imposto”, justificou.

Segundo Brandão, a cobrança de taxas semelhantes ocorre em boa parte dos estados produtores de grãos. Com o novo entendimento, o Maranhão passará a ter o menor percentual do país. “Foi o acordo que fiz com eles, principalmente em função do verão com poucas chuvas. Neste momento, precisamos ser parceiros”, declarou.

Ele também destacou a importância dos conselhos que acompanharão a execução dos recursos. “Transparência é a melhor coisa que existe. Por isso, estou muito tranquilo com a participação deles nesse grande conselho.”

O presidente da Aprosoja Maranhão, Gesiel Dal Pont, afirmou que a decisão representa um marco para o setor. “Há alguns meses estamos tratando dessa demanda, diante da iminência da cobrança de um novo imposto, sem ouvir a palavra do produtor. Unimos todas as entidades e chegamos, junto com o governo, a um denominador comum, sem precisar judicializar a questão.”

Dal Pont também ressaltou a relevância do momento. “É um passo importante. Só prosperaremos com união, inteligência e parceria entre a iniciativa privada e o governo. Muitas vezes, vamos discordar, mas o importante é que isso não gere atrito.”

O presidente da Fapcen — organizadora da Agrobalsas —, Paulo Roberto Kreling, também comentou os desdobramentos positivos da negociação. “Ele (Carlos Brandão) nos surpreendeu com a redução das taxas sobre o transporte de grãos, algo que ninguém esperava. É com parceria e diálogo que vamos atingir nossos objetivos, que são o desenvolvimento do estado”, concluiu.



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Acompanhe ao vivo o resultado o Prêmio Personagem Soja Brasil!



Falta bem pouco! É amanhã, quarta-feira (14), às 18h50, que acontecerá a cerimônia do Prêmio Personagem Soja Brasil. O evento acontece diretamente da Casa Canal Rural, na sede da Aprosoja Brasil, em Brasília (DF). E você pode acompanhar todos os detalhes, pois a premiação será transmitida ao vivo pela tela do Canal Rural, pelo site oficial e também pelas redes sociais do canal.

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O pesquisador e o produtor que mais se destacaram na jornada com a soja serão reconhecidos no encontro, depois da votação popular e pelo júri. O Prêmio Personagem Soja Brasil celebra histórias inspiradoras de profissionais que, com dedicação, inovação e um forte compromisso com a sustentabilidade, estão transformando a produção de soja no Brasil.

Indicados ao Prêmio do projeto Soja Brasil

  • Alberto Schlatter (Chapadão do Sul – MS): produtor que alia tradição familiar com práticas modernas no campo, apostando em tecnologia e sustentabilidade.
  • Anderson Cavenaghi (MT): professor e doutor, referência nacional em proteção de plantas, com pesquisas que fortalecem a produtividade e a segurança ambiental.
  • Cecilia Czepak (UFG): destaque no manejo integrado de pragas, com atuação decisiva na sanidade das lavouras em várias regiões do país.
  • Claudia D’Agostini (Sabáudia – PR): produtora rural que inova ao lado da irmã na gestão da propriedade, com foco em tecnologia e sucessão familiar.
  • Julio Cezar Franchini (Embrapa Soja – PR): pesquisador que trabalha pelo manejo e conservação do solo, promovendo a sustentabilidade no campo.
  • Oliverio Alves de Melo (Balsas – MA): produtor com papel relevante no Cerrado, integra a Cooperação Nipo-Brasileira e promove o desenvolvimento sustentável da soja na região.



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Produção animal cresce no 1º trimestre de 2025 e reforça força do agronegócio



O setor de proteína animal iniciou 2025 em ritmo de crescimento. Segundo os dados divulgados pela Pesquisa Trimestral do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o abate de bovinos, suínos e frangos registrou avanço no primeiro trimestre do ano frente ao mesmo período de 2024, refletindo maior demanda interna e movimentação positiva nas exportações.

Pecuária de corte: bovinos lideram o crescimento

No primeiro trimestre de 2025, o Brasil abateu 9,71 milhões de cabeças de bovinos, com inspeção sanitária oficial. Isso representa um crescimento de 3,8% em relação ao mesmo período de 2024 e de 1,5% na comparação com o quarto trimestre de 2024. O volume de carcaças bovinas chegou a 2,45 milhões de toneladas, alta de 1,6% ano a ano, embora tenha recuado 2% frente ao último trimestre de 2024.

O desempenho reforça a retomada gradual da pecuária de corte, após um período de preços pressionados e ajuste no ciclo pecuário.

Suínos: leve saldo positivo

Com 14,25 milhões de cabeças abatidas, a suinocultura brasileira registrou crescimento de 1,4% em relação ao 1º trimestre de 2024. O volume de carcaças atingiu 1,31 milhão de toneladas, avanço de 1,9% em igual comparação. Frente ao trimestre anterior, no entanto, houve estabilidade, com leve queda de 0,2% no número de animais abatidos e alta de 0,2% na produção de carcaças.

Frango mantém trajetória de alta

A avicultura industrial segue em expansão. O país abateu 1,63 bilhão de cabeças de frango nos três primeiros meses de 2025, com crescimento de 2,3% frente ao mesmo período do ano passado e 0,9% em relação ao trimestre anterior. O peso das carcaças somou 3,45 milhões de toneladas, avanço de 2,3% na comparação anual e de 2,6% em relação ao quarto trimestre de 2024.

Leite: crescimento no comparativo anual, mas queda frente ao trimestre anterior

A aquisição de leite cru por estabelecimentos sob inspeção sanitária somou 6,48 bilhões de litros no primeiro trimestre de 2025. O volume representa um aumento de 3,1% na comparação com o mesmo período de 2024. No entanto, houve queda de 4,5% em relação ao trimestre anterior, reflexo do período de entressafra em algumas regiões e custos ainda elevados para o produtor.

Couro tem alta de 8,4%

Os curtumes brasileiros adquiriram 10,08 milhões de peças inteiras de couro bovino entre janeiro e março de 2025, registrando alta de 8,4% frente ao primeiro trimestre de 2024 e avanço de 1,3% em relação ao quarto trimestre do ano passado. O dado é positivo para o setor coureiro-calçadista, que depende diretamente da oferta vinda da pecuária.

Produção de ovos atinge 1,16 bilhão de dúzias

A produção de ovos de galinha alcançou 1,16 bilhão de dúzias no trimestre, crescimento expressivo de 5,6% em relação ao primeiro trimestre de 2024. Na comparação com o quarto trimestre de 2024, houve recuo de 3,2%, comportamento sazonal comum no início do ano.



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AgroNewsPolítica & Agro

Exportações de ovos crescem em abril e Brasil amplia presença em novos mercados


As exportações brasileiras de ovos (considerando produtos in natura e processados) totalizaram 4,3 mil toneladas em abril, volume 271% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, com 1,17 mil toneladas, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Em receita, os embarques geraram US$ 10,57 milhões, resultado 252,9% maior que o obtido em abril de 2024, quando as exportações totalizaram US$ 2,99 milhões.

Com o desempenho do mês, o acumulado do quadrimestre de 2025 alcança 13 mil toneladas, alta de 133,8% em relação ao mesmo período do ano passado, com 5,5 mil toneladas. A receita no período chegou a US$ 28,3 milhões, alta de 152,6%, em relação ao mesmo período de 2024, com US$ 11,2 milhões.

“O mês de abril mantém o ritmo positivo das exportações de ovos, com presença crescente do produto brasileiro em mercados de alto valor e rigor sanitário. A ampliação das vendas para os Estados Unidos e o Japão, por exemplo, reforça a confiança internacional na qualidade e na segurança da nossa produção”, destaca o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

Destaques de abril

Entre os principais destinos, os Estados Unidos lideraram as importações de ovos do Brasil no mês, com 2,8 mil toneladas embarcadas e receita de US$ 6,3 milhões. O Japão aparece na sequência, com 371 toneladas (+298,9%) e receita de US$ 777 mil (+299,7%).

Outros destaques:

México: 242 toneladas embarcadas – país que retoma posição entre os principais compradores;

 

Chile: 638 toneladas (-11,7%), com receita de US$ 1,58 milhão (-8,4%);

 

Uruguai: 83 toneladas (+18,6%), com receita de US$ 406 mil (+61,6%);

 

União Europeia: 22 toneladas (+64%), com receita de US$30 mil (-21,6%);

 

Libéria: 15 toneladas (+36,7%) com receita de US$40 mil (+51,9%);

 

Ilhas Marshall e Aruba também integraram a lista de destinos do mês.

 

“Estamos observando uma recomposição estratégica da pauta exportadora. Os embarques estão mais diversificados e com presença em mercados que demandam produtos com alto padrão de qualidade, abrindo caminho para a consolidação de fluxos duradouros”, analisa Santin.





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Lula e Xi Jinping criticam os EUA e reforçam aliança sino-brasileira contra o protecionismo


Durante o Fórum Ministerial China-CELAC, realizado em Pequim, hoje, dia 13 de maio, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping apresentaram um discurso afinado contra o que denominaram como “bullying” e “hegemonismo” dos Estados Unidos. Em um cenário global tensionado por guerras comerciais e disputas geopolíticas, os dois líderes reforçaram a importância da cooperação entre países em desenvolvimento e criticaram com veemência a adoção de tarifas unilaterais por parte de Washington.

Xi Jinping foi direto ao afirmar que o protecionismo norte-americano “leva ao autoisolamento” e que “não há vencedores em guerras tarifárias”. O líder chinês reiterou o compromisso de Pequim com o multilateralismo e a ampliação dos laços com América Latina e Caribe. Para ele, o momento exige diplomacia e abertura, e não imposições.

Lula, por sua vez, destacou que “a imposição de tarifas arbitrárias só agrava a situação do comércio global”, e defendeu que a América Latina não deve repetir os erros da Guerra Fria. “Não queremos nos tornar palco de disputas entre potências”, declarou. O presidente brasileiro aproveitou o encontro para convocar os países da região a investirem em infraestrutura com apoio chinês, citando projetos de rodovias, ferrovias, portos e linhas de transmissão como fundamentais para o desenvolvimento sustentável.

Além das declarações políticas, o encontro ocorreu dias após Estados Unidos e China anunciarem uma trégua tarifária temporária — um acordo de 90 dias para reduzir mutuamente algumas tarifas, numa tentativa de distensionar o cenário econômico global. Mesmo assim, tanto Lula quanto Xi Jinping demonstraram desconfiança quanto à estabilidade desse acordo, alertando para a volatilidade da política externa norte-americana.

A retórica de Lula e Xi não é isolada. Outros líderes latino-americanos, como Gustavo Petro (Colômbia) e Gabriel Boric (Chile), também têm se aproximado da China, numa clara tentativa de diversificar suas relações comerciais e reduzir a dependência de mercados dominados pelos EUA. Essa movimentação sinaliza uma mudança importante na geopolítica regional, com a América Latina buscando maior autonomia e inserção em uma ordem mundial multipolar.

No campo prático, o fortalecimento da parceria sino-brasileira deve gerar impactos concretos para o agronegócio e para a indústria de base do Brasil. Com apoio chinês, é possível destravar investimentos em infraestrutura que há décadas emperram a competitividade brasileira. No entanto, a cautela é necessária: Lula alertou que os projetos precisam ter viabilidade econômica e não podem se transformar em “elefantes brancos”.

O recado foi claro: Brasil e China querem redesenhar o tabuleiro global com base na cooperação Sul-Sul, rechaçando imposições e abrindo espaço para novas formas de desenvolvimento compartilhado. Resta saber se os Estados Unidos saberão ouvir o alerta ou insistiram em políticas que os isolem cada vez mais no cenário internacional.

Miguel Daoud

Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural

Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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