Em abril, o Brasil exportou US$ 15,03 bilhões em produtos do agronegócio e, além dos produtos tradicionais da pauta exportadora, alguns itens, menos tradicionais, alcançaram o melhor desempenho da série histórica.
É o caso do óleo de milho, que atingiu US$ 55,3 milhões em exportações, maior valor já registrado. A madeira compensada (ou contraplacada) teve o maior volume embarcado em abril: 145,5 mil toneladas. Já as miudezas de carne bovina, exportada para mercados na Ásia e recentemente habilitada para o Marrocos, somou 21,3 mil toneladas.
Outro destaque foi o sebo bovino, com 35,6 mil toneladas exportadas, e os bovinos vivos destinados principalmente à reprodução, que registraram valor recorde de US$ 61,8 milhões e têm como principal destino a Turquia, o que evidencia o alto valor genético do gado brasileiro.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o resultado faz parte da estratégia de diversificação de mercados adotada pela pasta. “Esses dados mostram que o Brasil vem ganhando espaço não apenas em volume, mas em produtos com maior valor agregado e potencial de diferenciação nos mercados internacionais”, divulgou o ministério.
Ainda de acordo com o Mapa, o governo, por meio da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais, tem atuado com foco em três frentes: ampliação de mercados, diversificação de produtos e promoção comercial. “Os resultados de abril refletem esse esforço conjunto entre Mapa, Ministério das Relações Exteriores (MRE) e setor produtivo para consolidar o Brasil como fornecedor confiável de alimentos para o mundo”, concluiu a pasta.
Produto chega ao mercado em julho de 2025 e promete fortalecer o controle de plantas daninhas em pastagem
A BRA Agroquímica, uma das poucas empresas de defensivos agrícolas com capital 100% nacional, anuncia o lançamento de mais uma excelente opção voltada ao mercado de pastagens. Com chegada prevista para julho de 2025, o Xenon ME (Fluroxipir 80 g/L + Picloram 80 g/L) passa a ser uma excelente alternativa dentro do amplo portfólio que a BRA possui no controle de plantas daninhas em pastagem.
O lançamento reforça a estratégia da BRA de manter o foco no segmento de pastagens, oferecendo soluções tecnológicas de alta performance para o controle de plantas infestantes. O Xenon ME complementa o portfólio da empresa, que já conta com produtos consagrados no mercado, como o PAMPA e FACCA (2,4D 240 g/l + Picloram 64 g/l), CAMPESTRE (Picloram 240 g/l), FLUROXIPIR BRA (Fluroxipir 200g/l), TRYTOR (Triclopir 480g/l) — lançado em 2022 — e o DERRETE (Metsulfuron-methyl 600g/kg), lançado em 2023. Além dos químicos, a BRA também aposta no segmento de sementes e fertilizantes especiais – todos focados para a cultura da pastagem.
Atualmente, a BRA possui uma fila robusta de novos registros prestes a serem aprovados. Entre eles, o AMINO BRA (Aminopiralid 40g/l + 2,4D 320g/l) e o FERRETI (Fluroxipir 80 g/L + Triclopir 240 g/L), que estão em fase final de avaliação e deverão ser lançados ainda nesta safra 2025/2026.
Esses lançamentos fazem parte de uma estratégia da empresa, que aposta em misturas inovadoras à base de Aminopiralid, Fluroxipir e Triclopir, com foco no controle de plantas daninhas em áreas de pastagens.
Pensando além do setor pecuário, a BRA também avança com mais de 30 produtos especiais já protocolados junto aos órgãos reguladores, incluindo herbicidas, inseticidas e fungicidas para atender diversas culturas da produção agrícola brasileira.
Com atuação nacional desde 2004, a BRA Agroquímica conta com uma rede de distribuição consolidada, formada por clientes e parceiros estratégicos em todas as regiões do país. No último ano, a empresa ampliou sua estrutura com a abertura de três novos centros logísticos, localizados em Redenção/PA, Araguaína/TO e Cuiabá/MT, além do lançamento de produtos estratégicos, reafirmando seu compromisso com inovação, qualidade e custo-benefício.
Segundo Victor Vargas, CEO da BRA Agroquímica:
“Desde 2021, a BRA vem ganhando força no mercado de herbicidas para pastagem. Ampliamos nossa equipe comercial, estrutura logística e também o portfólio de novos produtos além dos químicos, como sementes para pastagem e fertilizantes especiais. Hoje, já temos um dos portfólios mais completos para esse segmento — e seguimos investindo. Em no máximo dois anos, vamos trazer misturas realmente inovadoras para um mercado que ainda carece de novas tecnologias.
As pesquisas do instituto apontam, que neste mês de maio, os preços da pluma seguirão em alta. Ao mesmo tempo, no cenário internacional, o algodão vem apresentando um enfraquecimento nos valores.
Dessa forma, o mercado externo perde vantagem em comparação com o interno. O indicador Cepea/Esalq aponta que a média parcial deste mês está 13% mais alta que a paridade de exportação. Esta é a maior vantagem desde fevereiro de 2023 para o algodão pluma com pagamento em oito dias.
De acordo com o Centro de Estudos, a vantagem se dá frente ao limitado estoque de passagem do algodão da safra 2023/24. Outro fator que também contribui é a resistência dos vendedores, que vem se mantendo firmes nos preços cobrados.
Do lado dos demandantes, estes têm buscado estocar matéria prima até a entrada da nova safra. Assim, os compradores vem buscando fechar contratos envolvendo as safras 2024/25 e 2025/26, aponta o Cepea.
Em alguns talhões (pedaço delimitado de terra) das principais áreas produtoras do café arábica do Brasil, a colheita já foi iniciada. Ainda assim, a atividade deve começar a ganhar força apenas na semana que vem. Isso é o que apontam os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
De acordo com as fontes consultadas pelo Centro de Estudos, o volume colhido é pouco expressivo, e deve representar em torno de 1 ou 2% do total.
A produção estimada pela Conab é de 55,67 milhões de sacas. Assim a previsão é de que esta safra supere em 2,7% a safra anterior, considerando as variedades arábica e robusta.
O crescimento no montante se deve ao café robusta, levando em consideração que o arábica está em ano de baixa bienalidade.
Outra questão importante é o comportamento do dólar e do clima no início da colheita. Estes fatores vem causando oscilações nos valores futuros negociados na bolsa de Nova Iorque e os valores domésticos, de acordo com o Cepea.
A JBS conquistou mais um avanço expressivo na auditoria dos compromissos da pecuária na Amazônia Legal. Os dados do 2º Ciclo do Protocolo de Monitoramento Boi na Linha, divulgados nesta quarta (14), pelo Ministério Público Federal (MPF) em Brasília, apontam para 100% de conformidade em volume de animais na próxima rodada de informações. Nesta edição, a Companhia alcançou 98,23%, 4,4 pontos percentuais mais que na estreia.
O MPF consolidou pela segunda vez os resultados de Pará, Rondônia, Acre, Mato Grosso e Tocantins, que estreou neste ano. Também foi divulgado o desempenho no Amazonas, estado em que a JBS não conta com fábricas de processamento de bovinos. A auditoria foi realizada pela consultoria Grant Thornton de 20 de setembro do ano passado até 15 de março. O levantamento abrangeu as compras do período de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2022.
Desempenho da JBS por estado:
Rondônia – 99,23% (mais 11,22 pontos percentuais em relação ao ciclo anterior);
Mato Grosso – 98,19% (+0,34 ponto percentual);
Acre – 98,14% (+8,28 pp); Tocantins – 98,03% (estreia do estado, não há comparação com a edição passada); e
Pará – 97,01% (+3,01 pp).
Não fossem questões relacionadas a documentação, o percentual de não conformidade da JBS de 1,77% teria se reduzido a 0,27%. “Esse desempenho mostra que estamos muito próximos da meta de 100% de conformidade, número que vai refletir todo o empenho da Companhia para a produção sustentável na Amazônia. A evolução comprovada neste ciclo comprovou o que dissemos na edição anterior, de que temos clareza sobre como alcançar esse objetivo”, afirmou Liège Correia, diretora de Sustentabilidade da JBS Brasil.
A Companhia prossegue no aprimoramento da gestão documental, que inclui somente aceitar protocolos de projetos de regularização ambiental (PRA) com termo de compromisso assinado (em vigor desde novembro de 2021), além de melhorias nos registros ligados ao Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Todo o processo de auditoria foi conduzido com base no Protocolo de Auditoria do Boi na Linha, que estabelece as premissas e orientações. As avaliações foram amostrais, com exceção dos contratos de arrendamentos e da lista do Trabalho Escravo, avaliados para toda a base de GTAs (Guias de Trânsito Animal) recebidas pela equipe de auditoria.
A JBS utiliza há 15 anos um sistema de monitoramento geoespacial para garantir o cumprimento de seus critérios socioambientais no país. Os fornecedores da JBS não podem atuar em áreas de desmatamento, terras indígenas, unidades de conservação ambiental ou territórios quilombolas; não utilizem mão de obra análoga à escravidão, nem possuam embargos ambientais.
A Companhia apoia o trabalho de harmonização da auditoria empreendido pelo Ministério Público Federal para os estados do bioma Amazônia e concorda com que todas as empresas que tenham assinado o TAC da Carne sejam auditadas e para que as indústrias de fora desse acordo setorial também sejam acompanhados.
“Nenhuma empresa, sozinha, vai resolver as questões socioambientais na Amazônia. Se as milhares de fazendas eventualmente bloqueadas continuarem a vender animais para quem não está no acordo, haverá uma lacuna importante. É preciso que o setor tenha regras universais de atuação”, enfatiza a diretora de Sustentabilidade da JBS Brasil.
O Brasil tem hoje entre 150 e 160 milhões de animais de estimação, com 90 milhões de cães e gatos, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet). Esse crescimento acelerado da população pet está impulsionando a demanda por alimentos industrializados: só em 2024, o setor movimentou R$ 40,8 bilhões, alta de 6,9% em relação ao ano anterior.
De acordo com o Agri-Food Outlook 2025, da Alltech, o segmento pet teve o maior crescimento global na produção de rações em 2024 (4,5%) e avançou 3,5% no Brasil. O aumento do número de pets nos lares, especialmente da classe média urbana, tem elevado tanto o volume quanto o valor das compras.
A pesquisa da Alltech também apontou duas tendências em alta: a premiumização — com mais tutores optando por rações de alta qualidade — e a nutrição funcional, com fórmulas específicas para diferentes fases da vida e condições de saúde, sem grãos, com mais carne e ingredientes limitados.
“O tutor quer para o pet a mesma qualidade de alimento que consome, com foco em saúde e sustentabilidade”, diz Sérgio Alves, gerente de vendas da Alltech.
Uma das apostas do setor para um futuro mais verde são os minerais orgânicos, como ferro, zinco, cobre e manganês. Ao contrário dos inorgânicos, esses minerais são ligados a peptídeos, o que aumenta sua absorção e reduz a excreção no meio ambiente — diminuindo a pegada de carbono da produção.
Estudos realizados em universidades brasileiras mostram que é possível reduzir até 60% da dosagem desses minerais, mantendo os resultados e ampliando a durabilidade das rações, o que reduz desperdício e oxidação.
Durante a Fenagra, em São Paulo, a Alltech apresenta soluções inteligentes à base de minerais orgânicos para nutrição de cães e gatos, que combinam desempenho nutricional com sustentabilidade.
A cientista brasileira Mariangela Hungria, da Embrapa Soja, foi escolhida para receber o Prêmio Mundial de Alimentação 2025 – o World Food Prize, considerado o “Nobel” da agricultura. A homenagem reconhece sua importante contribuição no desenvolvimento de insumos biológicos para a agricultura. O anúncio foi feito na noite desta terça-feira (13), na sede da fundação responsável pelo prêmio, nos Estados Unidos. Criada pelo Nobel da Paz Norman Borlaug, pai da Revolução Verde, a instituição realizará a cerimônia oficial no dia 23 de outubro, em Des Moines (EUA).
Mariangela enviou um vídeo à redação do Canal Rural e falou sobre a emoção de receber o prêmio internacional, fruto de um trabalha árduo no Brasil.
O prêmio reconhece anualmente as personalidades que contribuem para o aprimoramento da qualidade e da disponibilidade de alimentos no mundo e também é conhecido como o “Nobel” da agricultura e alimentação, uma vez que essa categoria não é contemplada nas categorias oficiais do Nobel.
“Estou imensamente feliz, ainda não consigo acreditar, é uma grande honra, um reconhecimento mundial. Acredito que minha principal contribuição para mitigar a fome no mundo tenha sido minha persistência de que a produção de alimentos é essencial, mas deve ser feita com sustentabilidade. Foi uma vida dedicada à busca por altos rendimentos, mas via uso de biológicos, substituindo parcial ou totalmente os fertilizantes químicos. Com essa premiação, existe também o reconhecimento do empenho da pesquisa brasileira rumo a uma agricultura cada vez mais sustentável, favorecendo nossa imagem no exterior”, explica Mariangela Hungria.
Foto: reprodução/ Embrapa Soja
Para a pesquisadora, por muitos anos, o conceito predominante era o de produzir alimentos para acabar com a fome no mundo, no entanto, seu trabalho sempre esteve pautado na produção de alimentos de forma sustentável. “Hoje, percebo uma crescente demanda global por maior produção e qualidade de alimentos, mas com sustentabilidade — reduzindo a poluição do solo e da água e diminuindo as emissões de gases de efeito estufa”, ressalta. “Minha abordagem busca ‘produzir mais com menos’ — menos insumos, menos água, menos terra, menos esforço humano e menor impacto ambiental”, sempre rumo a uma agricultura regenerativa, reforça.
Solenidade WFP 2025
A governadora do estado de Iowa, Kim Reynolds, celebrou a homenagem. “A trajetória da Dr.ª Hungria mostra que ela é uma cientista de grande perseverança e visão – caraterísticas que partilha com o Dr. Norman Borlaug, fundador do Prêmio Mundial da Alimentação e pai da Revolução Verde”, afirmou a Governadora Reynolds. “Como cientista pioneira e mãe, a Dra. Hungria também serve como um exemplo inspirador para mulheres pesquisadoras que buscam encarnar ambos os papéis. As suas descobertas e desenvolvimentos contribuíram para levar o Brasil a tornar-se um celeiro mundial. O Prêmio reconhece aqueles cuja coragem e inovação transformam o nosso mundo”, destaca.
O presidente do Comitê de Seleção dos indicados ao Prêmio, Dr. Gebisa Ejeta ressaltou que “A Dr.ª Hungria foi escolhida pelas suas extraordinárias realizações científicas na fixação biológica que transformaram a sustentabilidade da agricultura na América do Sul. “O seu brilhante trabalho científico e a sua visão empenhada no avanço da produção agrícola sustentável para alimentar a humanidade com o uso criterioso de fertilizantes químicos e insumos biológicos deram-lhe reconhecimento global, tanto no país como no estrangeiro.”
O chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno, comemorou a indicação da pesquisadora ao prêmio. “É uma grande honra contar com uma das maiores cientistas da área agrícola do mundo compondo a equipe de pesquisa da Embrapa Soja. Posso dizer que é um privilégio para a Embrapa Soja ter a Mariangela atuando ativamente em prol da ciência agrícola, e mais, trazendo soluções para desafios complexos da sojicultura e resultados práticos que realmente impactam a vida dos produtores. Por isso, esse reconhecimento do WFP, que é equivalente ao Prêmio Nobel da Agricultura, vem coroar a trajetória de excelência na pesquisa agropecuária que ela faz. Seu trabalho é um orgulho para a Embrapa e para todo o Brasil”, comemora.
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, também celebrou a conquista. “Considero esta uma homenagem dupla — e profundamente significativa. Primeiro, à nossa colega pesquisadora, uma mulher que dedicou sua trajetória à ciência, acreditando no poder dos microrganismos para transformar a agricultura em uma atividade mais produtiva, competitiva e sustentável. Segundo, à nossa empresa, que em seus 52 anos sempre investiu e acreditou nesses ideais. Como primeira mulher a presidir esta instituição, sinto-me especialmente tocada por esta homenagem, que valoriza não apenas a excelência científica nacional, mas também o protagonismo feminino na construção de um país mais inovador e justo”, afirma.
Uma vida dedicada à microbiologia
Mariangela está sendo reconhecida por sua trajetória de mais de 40 anos dedicados ao desenvolvimento de tecnologias em microbiologia do solo, o que vem permitindo aos produtores rurais a obtenção de altos rendimentos com menores custos e mitigação de impactos ambientais. A ênfase das suas pesquisas tem sido no aumento da produção e na qualidade de alimentos por meio da substituição total ou parcial de fertilizantes químicos por microrganismos portadores de propriedades como fixação biológica de nitrogênio (FBN), síntese de fitormônios e solubilização de fosfatos e rochas potássicas.
Foto: Embrapa
O uso da inoculação na soja com bactérias fixadoras de nitrogênio (Bradyrhizobium), que pode ser ainda mais benéfico se associado à coinoculação com a bactéria Azospirilum brasiliense. Somente em 2024, por exemplo, esta tecnologia propiciou uma economia estimada de 25 bilhões de dólares, ao dispensar o uso de adubos nitrogenados. A pesquisadora estima esse valor considerando a área de soja, a produção de soja, o valor do fertilizante (ureia) que seria necessário para essa produção, e a eficiência de uso do fertilizante nitrogenado. Além deste benefício, Mariangela explica que essa tecnologia evitou, em 2024, a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalentes por ano para a atmosfera. Hoje, a inoculação da soja é adotada anualmente em aproximadamente 85% da área total cultivada de soja, hoje cerca de 40 milhões de hectares — representando a maior taxa de adoção de inoculação do mundo.
Associado aos trabalhos com soja, a pesquisadora também coordena pesquisas que culminaram com o lançamento de outras tecnologias: autorização/recomendação de bactérias (rizóbios) e coinoculação para a cultura do feijoeiro, Azospirillum brasiliense para as culturas do milho e do trigo e de pastagens com braquiárias. Ainda em relação às gramíneas, em 2021, a equipe da pesquisadora lançou uma tecnologia que permite a redução de 25% na fertilização nitrogenada de cobertura em milho por meio da inoculação com A. brasilense, gerando benefícios econômicos significativos para os agricultores e impactos ambientais positivos para o país.
Sobre o “Nobel” da agricultura
O Prêmio Mundial de Alimentação (World Food Prize) foi idealizado por Norman E. Borlaug – vencedor do Prêmio Nobel da Paz, em 1970, por seu trabalho na agricultura global – para homenagear as contribuições para o incremento no suprimento mundial de alimentos. É um reconhecimento internacional àqueles que trabalham para aprimorar a qualidade, a quantidade ou a disponibilidade de alimentos no mundo.
Concedido anualmente, o WFP foi criado, em 1986, com o patrocínio da General Foods Corporation. O laureado recebe US$ 500 mil e uma escultura projetada pelo artista e designer Saul Bass. Três brasileiros já foram agraciados com o prêmio WFP. Em 2006, os agrônomos Edson Lobato e Alysson Paulinelli dividiram o prêmio com o colega estadunidense A. Colin McClung, pelo trabalho no desenvolvimento da agricultura na região do cerrado. Em 2011, dois ex-presidentes, Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e John Kufuor, de Gana, foram os escolhidos por sua atuação no combate à fome como chefes de governo.
Trajetória
Mariangela Hungria possui graduação em Engenharia Agronômica (Esalq/USP), mestrado em Solos e Nutrição de Plantas (Esalq/USP), doutorado em Ciência do Solo (UFRRJ) e pós-doutorado em três universidades: Cornell University, University of California-Davis e Universidade de Sevilla. É pesquisadora da Embrapa desde 1982, inicialmente na Embrapa Agrobiologia (Seropédica, RJ) e, desde 1991, na Embrapa Soja (Londrina, PR).
A cientista é comendadora da Ordem Nacional do Mérito Científico e membro titular da Academia Brasileira de Ciências, da Academia Brasileira de Ciência Agronômica e da Academia Mundial de Ciências. É professora e orientadora da pós-graduação em Microbiologia e em Biotecnologia na Universidade Estadual de Londrina. Mariangela atua também na Sociedade Brasileira de Ciência do Solo e na Sociedade Brasileira de Microbiologia.
Fez parte do comitê coordenador do projeto N2Africa, financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates para projetos de fixação biológica do nitrogênio na África, é membro do Conselho do Comitê de Nutrição Responsável do International Fertilizer Association e parceira em projetos com praticamente todos os países da América do Sul e Caribe, além de países da Europa, Austrália, EUA e Canadá. Em 2020, Mariangela foi classificada entre os 100 mil cientistas mais influentes no mundo, de acordo com o estudo da Universidade de Stanford (EUA). Em 2022, a pesquisadora ocupou a primeira posição brasileira, confirmada em 2025, em Fitotecnia e Agronomia (Plant Science and Agronomy), publicado pelo Research.com, um site que oferece dados sobre contribuições científicas em nível mundial.
Já recebeu várias premiações pela sustentabilidade em agricultura, como o Frederico Menezes, Lenovo-Academia Mundial de Ciências, da Frente Parlamentar Agropecuária, da Fundação Bunge. Em 2025, recebeu o Prêmio Mulheres e Ciência, promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com o Ministério das Mulheres, o British Council e o Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe.
No Rio Grande do Sul, o cultivo do feijão da segunda safra tem enfrentado dificuldades em função da falta de chuvas e das temperaturas mais baixas. É o que aponta o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na última quinta-feira (8). Embora as condições climáticas recentes tenham favorecido a colheita e o desenvolvimento das lavouras, o prolongamento do déficit hídrico tem reduzido o desempenho produtivo da cultura, que possui baixa tolerância ao frio.
“As condições climáticas nas últimas semanas – temperaturas e radiação solar adequadas – contribuíram para a colheita e para o desenvolvimento das lavouras”, informa o boletim. No entanto, a redução progressiva da umidade do solo tem afetado negativamente a produtividade, especialmente com as temperaturas noturnas e matinais mais baixas, típicas do período.
A Emater/RS-Ascar relata que 42% da área plantada já foi colhida, com produtividade média de 1.300 quilos por hectare. Em algumas regiões, o potencial produtivo já apresenta sinais de comprometimento, embora as perdas ainda não tenham sido totalmente quantificadas.
Na região administrativa de Frederico Westphalen, aproximadamente 80% das lavouras foram colhidas e 20% estão em maturação. Já em Ijuí, a colheita avançou lentamente e cobre apenas 6% da área. “A cultura apresenta rápida evolução para o estádio de maturação, que abrange 43% das lavouras. O porte das plantas está elevado, e há bom número de vagens por planta”, destaca o informativo, que também aponta que a sanidade vegetal tem sido beneficiada pelo clima quente e seco, com incidência controlada de ácaros e ocorrência pontual de larva-minadora nas folhas — praga atípica para a cultura, mas sem impacto relevante até o momento.
Na região de Santa Maria, a colheita chegou a 50%. A produtividade inicialmente estimada em 1.390 quilos por hectare foi reduzida em cerca de 10%, em razão das condições climáticas desfavoráveis ao longo do ciclo da cultura.
Em Soledade, a umidade relativa do ar elevada, causada principalmente pela formação de orvalho, exigiu manejo fitossanitário rigoroso. A atenção se concentrou na antracnose, cuja incidência aumentou com a combinação entre alta umidade e temperaturas amenas. Em relação às fases fenológicas, 10% das lavouras estão em florescimento, 80% em enchimento de grãos e 10% em maturação.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) alterou a data da última sessão da Audiência Pública nº 2/2025, relativa à nova concessão da BR-116 (324) no estado da Bahia, para a próxima terça-feira (20).
A audiência será realizada às 14h, no edifício-sede da ANTT, em Brasília (DF), localizado no Trecho 03, Lote 10, Projeto Orla.
O projeto, denominado Rota 2 de Julho, prevê R$ 24 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos, com foco na ampliação de capacidade, modernização da infraestrutura e aumento da segurança para os usuários.
A nova concessão abrange 663 quilômetros de rodovias, incluindo importantes trechos entre Salvador, Feira de Santana e Vitória da Conquista.
Entre as melhorias previstas estão 356 km de duplicações, faixas adicionais, passarelas, viadutos e vias laterais. Atualmente, o trecho é administrado pela ViaBahia, cujo contrato será encerrado em 15 de maio.
A partir dessa data, a gestão dos trechos passará a ser de responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), até que a nova concessão entre em vigor, prevista para 2026.
Representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China (Mara) se reuniram nesta terça-feira (13) para o encontro do Grupo de Trabalho de Biotecnologia e discutiram caminhos de cooperação entre os dois países.
A pauta da reunião incluiu temas como avaliação de biossegurança, regulamentação de organismos geneticamente modificados e uso da biotecnologia para ampliar a sustentabilidade e a segurança alimentar.
O encontro foi liderado pelo secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, acompanhado do vice-presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), Mário Murakami, e de equipes técnicas.
“A agricultura brasileira é bastante diversa. Prospectar e identificar oportunidades por meio do diálogo técnico e regulatório é essencial para ampliar a cooperação entre Brasil e China, assim como a resiliência da agricultura brasileira”, comentou Goulart.
Representante do governo chinês também ressaltou a relevância do Brasil como parceiro comercial estratégico, especialmente no fornecimento de grãos como soja e milho. “Com o esforço conjunto dos dois governos, temos garantido um comércio fluido e estável de produtos transgênicos. Queremos aproveitar essa reunião para aprofundar o intercâmbio técnico e o conhecimento mútuo”, disse.
O vice-presidente da CTNBio, Mário Murakami, reforçou o papel da comissão brasileira como referência internacional. “A proposta é construir uma relação de benefício mútuo, a partir de um processo gradual de aproximação técnica entre as comissões. À convergência regulatória entre os países pode fortalecer a segurança alimentar, a sustentabilidade ambiental e a competitividade econômica, além de favorecer a transferência de tecnologias”, explicou Murakami.