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Segundo o levantamento semanal divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) nesta segunda-feira (12), a comercialização da safra 2023/24 de milho em Mato Grosso chegou a 99,17% da produção total em abril. O resultado representa avanço de 0,24 ponto percentual em relação ao mês anterior e indica o encerramento próximo do ciclo de vendas.
Para a safra 2024/25, o Imea informou que 45,04% da produção esperada já foi negociada até abril, o que representa um crescimento de 4,73 pontos percentuais na comparação com março. Segundo o instituto, esse avanço foi impulsionado pela valorização de 2,28% no preço médio da saca de milho, que passou a ser comercializada a R$ 47,71. “A definição mais clara do volume a ser produzido também contribuiu para o aumento nas vendas”, destacou o relatório.
Mesmo com o desempenho superior ao da safra passada — 12,29 pontos percentuais à frente —, o índice atual de vendas ainda está 11,97 pontos abaixo da média registrada nos últimos cinco anos.
A comercialização da safra 2025/26 também apresentou avanço. O Imea apurou que 3,81% da produção estimada já foi negociada, com alta de 2,13 pontos percentuais em abril em relação a março. O movimento acompanha uma valorização de 6,03% no preço médio da saca, que ficou em R$ 46,09. Esse patamar está 2,35 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período do ciclo anterior.
O Brasil tem se consolidado como parceiro estratégico da China no agronegócio, impulsionado por investimentos em inovação e pelas soluções da Bayer. A crescente demanda chinesa por alimentos tem reforçado a colaboração entre os dois países, com foco na segurança alimentar e na sustentabilidade. O uso de biotecnologia e outras práticas modernas vêm transformando o campo brasileiro, permitindo safras múltiplas e mais resistentes em um ambiente tropical desafiador.
“O Brasil é uma das poucas potências agrícolas capazes de realizar duas a três safras na mesma área de forma sustentável, mesmo enfrentando uma pressão de pragas e doenças maior que em países de clima temperado. Novas soluções de biotecnologia são cruciais para manter a agricultura brasileira pujante e como um dos principais fornecedores de alimentos no cenário mundial”, afirma Francila Calica, líder de relações institucionais, ciência e sustentabilidade da divisão agrícola da Bayer para a América Latina.
Em 2024, a Bayer destinou globalmente mais de 2,6 bilhões de euros em Pesquisa & Desenvolvimento, priorizando o desenvolvimento de sementes, biotecnologias, ferramentas de proteção de cultivos e soluções digitais. Muitas dessas tecnologias já têm impacto direto na agricultura nacional, fortalecendo a capacidade do Brasil de atender mercados estratégicos como o asiático.
“Graças à adoção de novas tecnologias, o Brasil deixou de ser importador e se tornou exportador e um dos principais líderes na produção mundial de alimentos”, diz Geraldo Berger, vice-presidente de assuntos regulatórios da Bayer para a América Latina. “No entanto, devido às características do ambiente tropical, existe um maior número de gerações de pragas, plantas daninhas e doenças, o que implica na necessidade de proteção dos cultivos e da utilização de diferentes táticas de controle e de um programa de manejo de resistência”, completa
Durante encontros em Pequim, representantes dos dois países discutiram soluções sustentáveis para garantir a segurança alimentar da população chinesa, que deve ultrapassar 1,4 bilhão até 2030. Soja, milho e carne bovina continuam entre os principais produtos exportados pelo Brasil, evidenciando o papel crucial do agronegócio brasileiro na cadeia global de abastecimento.
“Atualmente, o lançamento comercial no Brasil de uma planta desenvolvida pela biotecnologia só ocorre após as aprovações pelas agências regulatórias de países importadores, principalmente a China, que tem uma média de aprovação de aproximadamente 5 anos após a liberação comercial no Brasil”, indica o vice-presidente
Apesar do avanço tecnológico, entraves regulatórios ainda limitam a adoção rápida de novas biotecnologias no Brasil. A cooperação bilateral é vista como essencial para acelerar aprovações e permitir que soluções como as novas variedades de soja e milho cheguem mais rapidamente ao campo, garantindo produtividade e sustentabilidade ao produtor rural.
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A comercialização da pluma de algodão da safra 2024/25 em Mato Grosso alcançou 59,99% da produção estimada até abril deste ano. O dado consta na análise semanal divulgada nesta segunda-feira (12) pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O avanço mensal foi de 2,84 pontos percentuais em relação a março.
De acordo com o instituto, os produtores aproveitaram os momentos mais favoráveis do mercado para fechar negócios. O preço médio da arroba negociada em abril foi de R$ 139,30, o que representa aumento de 1,42% em comparação com o mês anterior.
No caso da safra 2025/26, o Imea registrou negociações pontuais no período analisado. O volume comercializado chegou a 16,00% da produção estimada, com avanço mensal de 0,96 ponto percentual. “Os produtores demonstraram cautela nas negociações de abril, diante do atual cenário de preços, do custo de produção elevado e das incertezas quanto ao rendimento da próxima safra”, informou o instituto.
O preço médio da arroba negociada para a safra futura ficou em R$ 137,21, com recuo de 1,24% em relação a março.
Segundo o boletim Agro em Dados de maio, divulgado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, a colheita da primeira safra de milho no Brasil alcançou 68,2% da área cultivada até a semana do dia 20 de abril. Em Goiás, o índice foi de 10%. O número é considerado adiantado em relação ao mesmo período do ciclo anterior.
Para a segunda safra, o documento aponta que a semeadura foi concluída no mesmo período e que as condições climáticas têm favorecido o desenvolvimento das lavouras nos principais estados produtores. A estimativa para a safra total de milho no Brasil é de 124,7 milhões de toneladas. “Esse volume corresponde à segunda maior produção da série histórica da Conab”, informou a secretaria.
Após registrar alta em março, o preço médio da saca recuou em abril, atingindo R$ 83,67. A retração de 6,1% é atribuída à melhora do clima e ao avanço da colheita. A alta anterior havia sido impulsionada por fatores como demanda aquecida, oferta restrita no mercado interno e incertezas sobre o desempenho da segunda safra.
No mercado interno, a temporada 2024/25 deve registrar aumento de 3,5% no consumo doméstico, com projeção de 86,9 milhões de toneladas. Apesar da alta na produção nacional, a Conab estima que o Brasil importe 1,7 milhão de toneladas de milho no ciclo, o que representa crescimento de 3,4% em relação ao ciclo anterior.
A produção global de milho também foi revisada para cima. De acordo com o relatório, a estimativa mundial subiu 10,63 milhões de toneladas, totalizando 1,22 bilhão, conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O boletim destaca ainda a consolidação do milho como matéria-prima para produção de etanol. “Desde 2018, a produção de etanol a partir do milho tem ganhado espaço no Brasil e em Goiás”, afirma o documento. Para a safra 2024/25, é prevista uma produção de 7,8 bilhões de litros no país, com avanço de 32,4% em relação ao ciclo anterior. Em Goiás, a projeção é de 800 mil litros, alta de 19,2%.
Com esses números, o etanol de milho deve responder por 21,1% da produção nacional do biocombustível. Em Goiás, terceiro maior produtor de milho do país, a expansão representa uma oportunidade estratégica. “O crescimento da produção de etanol a partir do milho reforça o papel do grão na matriz energética e no desenvolvimento regional”, conclui o boletim.
O suspense chegou ao fim! Os vencedores do Prêmio Personagem Soja Brasil, safra 24/25, foram anunciados durante cerimônia realizada na sede da Aprosoja Brasil, em Brasília, com transmissão ao vivo pelo Canal Rural.
O evento reconhece profissionais que se destacam na cadeia produtiva da soja e valoriza tanto os avanços da pesquisa quanto o trabalho no campo. Os premiados foram divulgados em duas categorias: voto popular e júri técnico.
Vencedores do Prêmio Personagem Soja Brasil 24/25
Na categoria Pesquisador – Voto Popular, o vencedor foi Anderson Cavenaghi, um renomado professor e doutor, referência nacional em proteção de plantas. Anderson destacou a importância do reconhecimento: “É muito bom perceber que o trabalho é reconhecido. Fico feliz!”
Na categoria Produtor – Voto Popular, o vencedor foi Alberto Schlatter, produtor de Chapadão do Sul (MS), que alia a tradição familiar com práticas modernas no campo, apostando em tecnologia e sustentabilidade. Ele ressaltou a importância da união entre o produtor e a pesquisa brasileira: “Para salvar o Brasil, precisamos ser patriotas.”
Na categoria Pesquisador – Júri Técnico, o premiado foi Julio Cezar Franchini, pesquisador de Londrina (PR), reconhecido por seu trabalho no manejo e conservação do solo. “Estou muito feliz, agradeço. Isso me pegou de surpresa. Agradeço à minha família pelo apoio. É bom perceber que meu filho também quer ser pesquisador da Embrapa”, disse Julio.
Na categoria Produtor – Júri Técnico, a vencedora foi Claudia D’Agostini, produtora rural de Sabáudia (PR), que inova na gestão de sua propriedade ao lado da irmã, com foco em tecnologia e sucessão familiar. “É uma alegria muito grande. Estou no começo dessa jornada, dando continuidade ao trabalho do meu pai. Espero inspirar pessoas, principalmente mulheres no agro brasileiro”, afirmou Claudia.
Além dos vencedores, Cecilia Czepak (UFG) e Oliveiro Alves de Melo (Balsas – MA) também receberam prêmios de participação, como reconhecimento por suas contribuições significativas para o setor. Cecilia é uma referência no manejo integrado de pragas, desempenhando um papel decisivo na sanidade das lavouras em várias regiões do país. Já Oliveiro, com sua atuação na Cooperação Nipo-Brasileira e seu papel essencial no desenvolvimento sustentável da soja no Cerrado, tem sido um grande aliado na promoção de práticas agrícolas responsáveis. Ambos foram reconhecidos por sua dedicação e impacto contínuo no agro brasileiro, mesmo não conquistando prêmios nas categorias principais.
Além dos vencedores, a cerimônia contou com a entrega da Comenda da Soja, que foi concedida ao senador Zequinha Marinho, em reconhecimento ao trabalho político em prol do setor da soja.
O mercado físico do boi gordo apresenta preços em predominante acomodação durante a quarta-feira (14).
A queda de preços foi acintosa durante a terça-feira, o que promoveu menos alterações no mercado durante o dia que se sucedeu.
“Importante mencionar que as indústrias frigoríficas ainda contam com uma posição confortável em suas escalas de abate, que hoje atendem entre sete e nove dias úteis na média nacional”, diz o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias.
Segundo ele, a disponibilidade de fêmeas no mercado segue elevada, apontando para um descarte em patamares ainda altos.
“Como ponto de sustentação precisa ser mencionado o forte ritmo de embarques, mantendo a demanda por animais jovens aquecida.”
Preços médios da arroba do boi
São Paulo: R$ 309,25
Goiás: R$ 291,79
Minas Gerais: R$ 294,71
Mato Grosso do Sul: R$ 302,73
Mato Grosso: R$ 301,35
Mercado atacadista
O mercado atacadista ainda se depara com preços acomodados para a carne bovina, e o ambiente de negócios ainda sugere por menor espaço para reajustes no curto prazo, considerando um perfil de consumo mais comedido durante a segunda quinzena do mês.
“A população ainda prioriza o consumo de proteínas de menor valor agregado, a exemplo da carne de frango, ovos e embutidos”, assinalou Iglesias.
O quarto traseiro foi precificado a R$ 24,00 por quilo, queda de R$ 1,00. O quarto dianteiro recuou ao patamar de R$ 19,50 por quilo, com queda de R$ 1,00. Já a ponta de agulha foi cotada a R$ 18,00 por quilo, queda de R$ 0,50.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,46%, sendo negociado a R$ 5,6325 para venda e a R$ 5,6305 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,5828 e a máxima de R$ 5,6353.
Depois de muita expectativa, chegou o momento de celebrar os profissionais que se destacam na cadeia produtiva soja. A cerimônia do Prêmio Personagem Soja Brasil, safra 2024/25, já começou e acontece na Casa Canal Rural, na sede da Aprosoja Brasil, com transmissão ao vivo pelo Canal Rural. O encontro também é exibido pelo site oficial e pelas redes sociais. Acompanhe à premiação:
Maurício Buffon, presidente da Aprosoja Brasil, reforça a importância de valorizar o papel de quem está na base da produção. ”Não existe agricultura sem o produtor. É uma grande satisfação poder reconhecer o trabalho de quem está na base da produção. Premiar esses profissionais é valorizar o esforço dos produtores que constroem, todos os dias, um agro mais forte, mais técnico e mais sustentável”, afirmar.
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O presidente do Canal Rural, Julio Cargnino, destacou a trajetória conjunta com a Aprosoja Brasil e o papel da informação no desenvolvimento do agro. ”É uma honra estarmos todos aqui. Ao longo de 14 anos de parceria com a Aprosoja Brasil, levamos informação de qualidade para que o produtor possa tomar decisões com mais segurança. Esse prêmio representa mais do que reconhecimento, é uma forma de mostrar que o trabalho no campo tem rosto, tem história e tem valor. Hoje é dia de celebrar quem faz a diferença no agro.”
Indicados do Prêmio do projeto Soja Brasil
Alberto Schlatter (Chapadão do Sul – MS) Produtor que alia tradição familiar e inovação, investindo em tecnologia e boas práticas no campo.
O mercado brasileiro de soja registrou preços pouco alterados nesta quarta-feira (14), com negócios moderados.
Segundo o consultor de Safras & Mercado Rafael Silveira, com a Bolsa de Chicago em alta e com o dólar subindo um pouco, houve algumas oportunidades de venda. “O produtor está atento à liberação de espaço nos armazéns com a entrada da safrinha de milho”, informa.
Preços médios da saca de soja no Brasil
Passo Fundo (RS): avançou de R$ 129 para R$ 129,50
Santa Rosa (RS): subiu de R$ 130 para R$ 131
Porto de Rio Grande: se manteve em 134,50
Cascavel (PR): permaneceu em R$ 129
Porto de Paranaguá (PR): seguiu em R$ 134
Rondonópolis (MT): ficou estável em R$ 114,50
Dourados (MS): continuou em R$ 120
Rio Verde (GO): seguiu em R$ 116
Bolsa de Chicago
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) fecharam a quarta-feira em alta, enfileirando cinco sessões de perdas consecutivas.
Silveira destaca que a trégua de 90 dias na guerra tarifária entre China e Estados Unidos e a proposta de extensão do programa de crédito norte-americano ao biodiesel deram sustentação às cotações.
Os agentes acompanham sinais de que a China pode comprar produtos agrícolas dos EUA como parte das negociações comerciais. Mas ainda há incerteza sobre o que acontecerá quando essa pausa expirar.
Deputados da Câmara americana divulgaram nessa terça-feira (13) uma proposta para estender o crédito tributário para combustíveis limpos (45Z) até 31 de dezembro de 2031, o que pode sustentar a demanda por óleo de soja como matéria-prima para a crescente indústria de diesel renovável.
Contratos futuros da soja
Os contratos da soja em grão com entrega em julho fecharam com alta de 5,25 centavos de dólar ou 0,48% a US$ 10,77 3/4 por bushel. A posição novembro teve cotação de US$ 10,61 1/4 por bushel, ganho de 1,75 centavo ou 0,16%.
Nos subprodutos, a posição julho do farelo fechou com baixa de US$ 1,40 ou 0,47% a US$ 291,90 por tonelada. No óleo, os contratos com vencimento em julho fecharam a 52,32 centavos de dólar, com alta de 0,84 centavo ou 1,63%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,46%, sendo negociado a R$ 5,6325 para venda e a R$ 5,6305 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,5828 e a máxima de R$ 5,6353.
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De acordo com a análise semanal divulgada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) na segunda-feira (12), a comercialização da soja da safra 2024/25 em Mato Grosso atingiu 70,55% da produção estimada em abril. O índice representa um avanço de 11,57 pontos percentuais em relação a março.
Segundo o Imea, a valorização dos preços da oleaginosa em comparação ao mesmo período do ano passado estimulou os produtores a intensificarem as vendas. “A melhora nas cotações foi um dos principais fatores que motivaram os produtores a aproveitar o momento de mercado”, apontou o instituto.
Outro fator que influenciou a intensificação das negociações foi a necessidade de liberar espaço nos armazéns para a chegada da safra de milho. O preço médio da soja em abril foi de R$ 112,05 por saca, alta de 2,66% em relação a março.
Quanto à safra 2025/26, o percentual comercializado alcançou 10,71% da produção estimada, com avanço mensal de 2,61 pontos percentuais. Apesar da evolução, o ritmo de vendas permanece abaixo da média registrada nos últimos cinco anos. O preço médio para a soja da próxima temporada em abril foi de R$ 109,95 por saca, o que representa uma leve queda de 0,28% na comparação com o mês anterior.
A possibilidade de autolicenciamento ambiental para obras de médio porte, o fim da responsabilização por impactos ambientais indiretos e a redução da participação social nos processos de licenciamento foram alguns dos retrocessos do Projeto de Lei (PL) 2159/2021 citados, nesta quarta-feira (14), pelo secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), João Paulo Capobianco.
“O projeto viola, da forma como está, alguns princípios fundamentais que já foram trazidos pelo Supremo para resolver outras inúmeras questões ocorridas, principalmente, no governo anterior. O Supremo adotou o princípio do não retrocesso como um princípio basilar nas suas decisões e esse projeto de lei, evidentemente, traz um conjunto grande de retrocessos”, disse João Paulo Capobiano.
Para ele, o texto fragiliza os licenciamentos e traz retrocessos ambientais já rejeitados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O comentário foi feito em Seminário promovido por organizações da sociedade e pesquisadores na Universidade de Brasília (UnB) para discutir o PL, em Brasília (DF).
Em tramitação no Senado, o PL cria novo marco para o licenciamento ambiental no Brasil e deve ser votado nas comissões na próxima semana. O texto é alvo de críticas de ambientalistas, que ainda citam o fim de licenças para atividades agropecuárias como outro retrocesso do texto.
Capobianco destacou que o PL contraria o que foi consolidado pela Constituição no tema da proteção ambiental e citou a criação, pelo projeto, da Licença por Adesão e Compromisso (LAC) que, para o secretário, permite o autolicenciamento com autorizações automáticas.
“[O LAC] passa a ideia de que o empreendedor pode, por conta própria, definir qual é o impacto, se credenciar e se autolicenciar. No fundo, com a falta de quadros, seria quase que uma licença por W.O. É mais ou menos isso que a LAC faz. Mas é uma ilusão porque o dano ambiental permanece, o impacto permanecerá. E esse impacto não poderá ser ignorado”, comentou.
Autolicenciamento pode ser judicializados
Para o secretário do MMA, o projeto de lei trará insegurança jurídica porque os licenciamentos via LAC serão judicializados. “Temos vários casos em estados que o Supremo já derrubou leis estaduais que estabeleceram LACs, declarando essas legislações inconstitucionais”, acrescentou.
Capobianco disse ainda que é “absolutamente incompreensível” que o projeto inclua a possibilidade de licenças via LAC para empreendimentos de médios portes e impactos. Ele criticou ainda a ausência de regulação para o setor da mineração.
“Vai ficar um vácuo legal. Terá que haver uma outra lei para regulamentar a mineração. Enquanto isso, nós vamos ter um vácuo legal”, disse.
Segundo o secretário, o governo está trabalhando no Senado para “minimizar” os efeitos negativos do texto, mas destacou que o tempo é curto, uma vez que há um indicativo para votação em plenário na próxima semana. “O tempo para se influenciar é curto”, comentou.
Tramitação do PL
O PL tramita de forma simultânea nas comissões de Meio Ambiente (CMA) e de Agricultura (CAR) sob as relatorias dos senadores Confúcio Moura (MDB) e Tereza Cristina (PP-MS), com apoio do presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP).
Nessa terça-feira (13), foi dada vista ao relatório, que deve ser votado na próxima semana, podendo ser levado ao plenário em seguida.
Participação Social
A redução do papel nos processos de licenciamento dos conselhos estaduais, municipais e do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) é “muito grave”, segundo João Paulo Capobianco, porque limita a participação social, aumentando o poder do Estado nos processos licitatórios ambientais.
“Isso é um absurdo porque esses conselhos reúnem os diferentes atores. Eles têm o contraditório. Se transferimos a definição de quais empreendimentos estão sujeitos ao licenciamento, em função do seu grau de impacto, apenas para o órgão executivo, que está sob pressão do empreendedor, que muitas vezes é o próprio Estado, a pressão para fragilizar, ou ser menos rigoroso na definição do grau de impacto, virá com muita força”, argumentou.
Outro ponto do projeto de lei “absolutamente gravíssimo”, segundo Capobianco, é o que exclui da responsabilidade do empreendimento pelos impactos ambientais indiretos.
“O empreendedor que fará uma obra que irá provocar impactos indiretos conhecidos, demonstrados ao longo da história, não terá nenhuma responsabilidade de adotar medidas ou investir recursos para minimizar esses impactos indiretos. Nós vamos transferir para o Estado, para o poder público, o custo total de se fazer as medidas mitigatórias”, destacou.
Outro lado: defesa do autolicenciamento
Foto: Arquivo/Canal Rural
Os senadores favoráveis ao projeto de lei que flexibiliza o licenciamento ambiental no Brasil argumentam que, atualmente, existem muitas normas contraditórias que dificultam os empreendimentos, sendo necessária uma legislação nacional para unificar e padronizar o processo de licenciamento no país.
Além disso, os parlamentares reclamam que os licenciamentos atuais são burocráticos, demoram anos, e dificultam o desenvolvimento econômico. A relatora do projeto na Comissão de Agricultura, Tereza Cristina (PP-MS), defendeu que é preciso aprovar logo a matéria.
“Os empreendimentos maiores precisam [da urgência da aprovação do texto]. Precisamos de modernização, agilidade, sem perder a eficiência e sem precarizar nada”, disse.
O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) argumenta que o país não pode se desenvolver com a morosidade dos licenciamentos ambientais.
“Ninguém quer fazer nada de forma irresponsável, mas chega um ponto que a coisa fica inviável. Você não pode fazer uma ferrovia porque não pode fazer a ferrovia. Você não pode fazer uma hidrovia porque não pode. Uma coisa assim é insana”, destacou.